10 de mar. de 2016

[Falando em]: Só o Amor Pode Curar a Dor — de Roberta Farig

Há tempos eu anseio em ler este livro, pois trata-se da continuação de um enredo que muito gostei e que pude degustar tempos atrás (para conferir a resenha do livro 1, clique AQUI). Aliás, agradeço a amiga e escritora Roberta Farig pela troca de exemplares, e já adianto que assim como o primeiro livro, eu curti muitão. S2 Agora  confira a sinopse e resenha de "Só o Amor Pode Curar a Dor", livro 2  de uma trilogia, uma publicação da editora Percurso.



Sinopse: Após a perda dos seus pais, com a dor de sentir-se só, Anabella percebe que está na hora de voltar às suas raízes. Com sua amiga Daiane, encontrará as respostas que procurava. Começa, então, uma nova fase na vida de Anabella, onde aprenderá a deixar sua dor de lado, permitindo que seu passado faça parte da sua existência. Tudo muda, Anabella percebe quão afortunada é, em todos os sentidos, quando o destino a coloca, mais uma vez, em perigo. Dessa forma, ela passa a se permitir mais, a dar vazão aos desejos do passado e aos sonhos que agora almeja realizar. Quanto ao amor — Ah, o amor! —, Anabella o vive intensamente, sem medo de ser feliz. Porém, ainda assim, a dor se faz presente, obrigando-a a traçar novos planos em sua jornada, sempre buscando pelo amor, sua fonte de vida.



"Porque o amor é o remédio que cura"




Envolvente! 
Apaixonante! 
Um novo recomeço! 

Diferente do primeiro livro que nos apresenta uma protagonista seguindo com os seus sonhos, no intuito de se formar e levar a vida ao lado dos que ama, ao final do primeiro livro Anabella se vê em meio a uma grande turbulência: antes apaixonada por um homem mais velho, que é nada mais que o seu chefe; agora ela tem que seguir os dias com o coração quebrado em mil pedaços, pois perdeu os pais que tanto amava em um acidente de carro e para piorar, tem que se conter para não esculachar naquela recente relação com seu atual chefe, pois ele está cada vez mais distante.
Percebi que começava a analisar minha existência nesse último ano, em como a vida preparou tudo para o que estava para acontecer. Lembrava-me dos conselhos da mamãe, das vezes em que o papai teve que aceitar que eu tinha crescido e quanto isso lhe foi doloroso. Afinal, eu também gostaria de ser a eterna bonequinha do papai. (Livro: Só o Amor Pode Curar a Dor, Pág.14)
Não tendo Samuel ao lado, ansiando em resgatar um pouco do seu passado, Anabella resolve retornar para o mesmo abrigo que foi deixada quando criança. Aliás, sua tia cuida deste mesmo abrigo até hoje — e assim, em meio ao caos que sua vida se encontra, ela faz grandes revelações e descobertas. Uma dessas descobertas torna-se inicialmente assustadora. Porém, ela se surpreende com tamanha ironia do destino, ao descobrir que tem uma irmã legítima, ou seja, Júlia, que está no abrigo há tempos, mas assim que completar a maioridade terá que sair de lá. 
Abracei-a com vontade, com carinho. Não consegui falar, nem chorar. Só queria tê-la ali, em meus braços, enquanto ela voltava a derramar suas lágrimas. Fiquei um tempo assim, permitindo-me senti-la e deixando que se acalmasse em meu abraço. (Livro: Só o Amor Pode Curar a Dor, Pág.112)
Anabella também se vê de frente com mais duas novidades, onde lhe trará novas perspectivas de vida. Desta forma ela segue os dias, retornando para a vida de antes, tendo o apoio de muitas pessoas queridas, tentando preencher a saudade que sente dos pais. E neste meio tempo Samuel retorna, depois de um período afastado, sanando os caprichos de sua filha Cecília, que, por sinal, não apoia a relação entre ele e Anabella. Ainda assim o casal se entrega num amor mais que verdadeiro e avassalador.
— Eu penso em mim, no que desejo e no que espero para nós. — Ele me fitou nos olhos por um instante, uma sensação de medo me invadiu. — Digo isso porque percebi que o "nós" depende de mim muito mais do que você, Anabella, eu não posso te perder, isso é algo utópico para mim. — Suspirou, voltando sua atenção ao trânsito, e completou: — Você é minha luz, meu paraíso. (Livro: Só o Amor Pode Curar a Dor, Pág.160)
Além das tribulações que ela passa, existe também um baita percalço chamado Bruno. Percalço este que esteve presente no primeiro livro, além de alguns segredos e peculiaridades que Samuel esconde de Anabela e que, aos poucos, vão dando a cara. Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers. 

E novamente me deparei com um enredo recheado de coração, pois essa é uma das características da autora, coisa que admiro muito em um texto. Neste livro fiquei de frente com uma Anabella mais madura, que acaba por se tornar ainda mais humana em sentimentos, agindo com a razão e adornada de coração, levando consigo os ensinamentos deixados por seus pais. Senti um pouco de raiva de Samuel, com suas certezas e também os afastamentos, levando em conta os anseios de sua filha que, na verdade, já é uma mulher — diga-se de passagem — mimada demais da conta. Assim como no primeiro livro, os antagonistas têm importante participação na trama, e isso tem uma razão, que, aos poucos, vão se revelando. O final novamente deixou um gostinho de 'quero mais', com uma nova e atordoante revelação que me deixou com a pulga atrás da orelha, querendo a todo custo saber como seguirá dali pra frente. 

O enredo é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está com fonte e espaçamentos perfeitos, em papel pólen (o amarelinho), e leva em cada início de capítulo a imagem da capa; a capa está linda, estampando uma Anabella e Samuel juntos, demonstrando a essência da trama, que o amor é o remédio para qualquer mal. Por fim, para quem aprecia um enredo romântico e apaixonante, eis uma excelente pedida. S2 P.S: Agora ficarei aqui, ansiosa aguardando o livro 3 e o seu desfecho final. \o


Livro: Só o Amor Pode Curar a Dor 
(Livro 2 - Trilogia Descobrindo Todas as Formas de Amor)
Autora: Roberta Farig
Gênero: Romance
Editora: Percurso
Ano: 2015
Páginas: 358

8 de mar. de 2016

[Dia Internacional da Mulher]: em 08/03

"Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração." 
(Clarice Lispector)


7 de mar. de 2016

#DAEDM — CAP.1, FELIZ DEZESSEIS

“Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir... Esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir...” (Trecho da canção: Teatro
dos Vampiros – Legião Urbana)


• Adrenalina — hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, cuja secreção é aumentada em situações de estresse, ansiedade, perigo ou qualquer outra que deixe o corpo em estado de alerta e pronto para reagir.

• Compulsão — ato ou efeito de compelir; descontrole; realização de atividades sem premeditação e sem consciência das consequências; tendência à repetição; ação judiciária que obriga o indivíduo a comparecer em juízo.

• Objetivo — diz respeito a um fim que se quer atingir, e nesse sentido é sinônimo de “alvo” tanto como fim a atingir, quanto ponto de mira de uma arma ou projétil.


Eu me chamo João Roberto de Macedo, e considero-me um “adrenálico compulsivo objetivo”. Sou conhecido por todos como Johnny, O Rei dos Pegas, e estava prestes a completar dezesseis. Na maioria das vezes, me encontrava ao lado de meus loucos amigos: Julius, César, Janjão, Trakinas, e, por fim, Vicky. Mas, a partir de agora, vou relatar onde a minha vida começou a fazer sentido...


Era uma noite como tantas outras, regada a inúmeras doses de vodca e muitas tragadas no cigarro de maconha, e o motivo de toda comemoração se dava ao fato de eu completar mais um ano de vida. Como de costume, aquela seria outra noite de loucuras incontidas, finalizada com um grande espetáculo de automotores, em uma estrada próxima à lanchonete que sempre frequentávamos.

Eu não entendia como um bairro como o nosso — em Brasília, ou seja, na capital federal do Brasil — pudesse ter tantos nomes comerciais americanizados, e só me conformava com isso porque meu apelido, de certa forma, também o era. De fato, amava o apelido que ganhara desde os meus onze anos, logo após adquirir como herança do meu pai uma de suas preciosidades: o “Opala azul metálico”.

Lembrava-me de todo final de semana, quando meu pai se dedicava integralmente com amor pela máquina da qual eu sonhava um dia me pertencer, e que, agora, era minha maior e melhor preciosidade — e, assim como ele, também me devotava com carinho ao Opala, ao qual batizara como “Trovão”.

Também foi deixado de herança para minha mãe — Lourdes Maria Macedo, mais conhecida por todos como Dona Lourdes — algumas notas promissórias para serem quitadas, que teve como consequência a venda da nossa casa, fazendo com que fôssemos morar em uma residência menor, porém, ainda confortável.

Agora éramos uma família de dois, e muitas coisas haviam mudado. Encaixávamo-nos na classe média baixa. Com muito sacrifício, empurrávamos a vida com a barriga. Minha mãe costurava dia e noite, o que nos rendia o sustento maior da casa. Eu, por outro lado, estava no segundo ano do ensino médio, do qual pouco frequentava, ainda no período da manhã.

Eu ajudava mamãe financeiramente, pois trabalhava no período da tarde na oficina mecânica do senhor “João”. Com isso, conseguia alguns trocados para o sustento da casa e, também, para minha diversão. Contudo, onde lucrava uma grana maior, era no que eu sabia fazer de melhor... Nos famosos “pegas”, ou seja, nos rachas de carros. Por fim, eles me rendiam uma ótima grana, e, assim, seguia minha existência, muitas das vezes considerada como a vida de um “rebelde sem causa”.

— Johnny... Acorda! — Vicky gritou bem próximo ao meu ouvido.

3 de mar. de 2016

#EOCEOI - CAP.1, DOCES AMARGAS LEMBRANÇAS


“O amor que você traz, me deixa solitário; 
A dor que você doa, me dá um lar.” 
(Serj Tankian – Gate 21) 


De repente eu estava ali, parada e atordoada com a cena de sempre. Uma nova discussão em família, que por sinal, parecia ser muito mais agressiva do que as outras às quais sempre presenciei. Ele gritava, esmurrava as paredes, jogava todo e qualquer tipo de objeto pelos ares e como de costume, deixava a todos em estado de alerta, pois eram aquelas pequenas discussões que acabavam fazendo com que eu fosse a maior vítima de todo aquele espetáculo de horror. Quanto aos outros? Eles sequer se preocupavam com o que poderia acontecer comigo. Na verdade, queriam apenas satisfazer o grande ego daquele ser desprezível que fui obrigada a chamar de pai durante um bom tempo. 

Tranquei-me naquele pequeno quarto, que nada mais era do que um pedaço da garagem. Eu tinha apenas doze anos, mas sabia perfeitamente qual seria o enredo daquela ensolarada manhã de domingo. Já havia passado por aquilo muitas vezes, e como sempre, sentia faltar o ar em meus pulmões, minha boca secar e meu coração acelerar de maneira surreal. Concentrei-me naquele minúsculo cubículo que eu chamava de quarto, um lugar que tentei de todas as formas, tornar tão infantil quanto a minha idade pedia, adornando-o com tonalidades claras em tons de rosa bebê e alguns apetrechos infantis, tais como, bonecas Barbies, ursinhos de pelúcia e algumas imagens de personagens em quadrinhos que tanto admirava e sonhava ser um dia.

Eram naqueles desesperados momentos de angústia, que ele sempre me vinha em mente... O único amigo que tinha e que tentava me proteger de todas as maneiras. Porém, sua proteção era quase sempre em vão, a não ser pelo conforto que me oferecia após os instantes de terror em que eu costumeiramente passava. Aliás, havia sido por intermédio dele, que consegui ter um cantinho mais apropriado para viver e uma infância e adolescência menos dolorosas.

Escutei três murros na porta, que de tão fraca, me fazia imaginar que mais dois daqueles golpes a colocariam abaixo. Ele falava em tom ameaçador e de dar arrepios em qualquer simples mortal:

— Abra essa porta agora, minha doce menina... Papai precisa de carinho neste instante. Se não abrir por bem, abrirei por mal.

Catatônica, continuei sentada no canto do cubículo, abraçada à minha boneca preferida, que ganhara do meu amigo e que batizara como She-ra, pois era uma das minhas personagens de desenho predileta. Porém, a cada novo golpe desferido junto à porta, outra ameaça. Eu apertava She-ra, mais e mais, e implorava para que ela me salvasse da situação que estava prestes a vivenciar. Em minha infantil imaginação, minha amada boneca poderia ajudar-me, mas isso só acontecia no interior de uma mente tão tola quanto a minha, porque a realidade era outra.

Após alguns segundos, um silêncio momentâneo deixou-me feliz. Entretanto, tal silêncio esvaiu-se com três novos murros na porta branca e frágil. E novamente escutei a terrível, assustadora e ameaçadora voz:

— Contarei até dez e, se minha docinho não abrir esta porta por bem, mostrarei o quão amargo posso ser. — escutei seu bufar de irritação e sua voz se fez ouvir — Papai só quer um pouco de carinho com doçura. Começarei a contar e espero que você, menina teimosa e ingrata, abra essa porta e fique bem quietinha com o papai.

A cada número contado, meu coração disparava. Ergui-me aos poucos e com as pernas bambas, rumo à porta. Eu sabia que se não o fizesse, seria pior. Então, passo a passo, segui para mais um momento assombroso.

— Um... Dois... Três... Quatro... O tempo está se esgotando docinho... — resmungou em meio à contagem — Cinco... Seis... Sete... Oito... Nove... E assim que ele terminou de pronunciar o número nove, destranquei a porta e investi com meus passos em ré, para o canto do meu cubículo.

Um odor execrável invadiu minhas narinas. Um cheiro que eu conhecia muito bem. Um misto de bebida alcoólica e cigarros baratos que me deixavam desnorteada. E aqueles olhos enfurecidos e negros que me fitavam com desejo... Tudo aquilo me causava uma repulsa infernal. Clamava em pensamento para que minha She-ra fizesse algo por mim. E ela, como sempre, não me salvou.

[Texto]: A geração de mulheres INAMORÁVEIS!

"Uma vez, em um bar ela me disse: “Neste mundo existem pessoas inamoráveis, e eu sou uma delas”


Aquilo me intrigou durante toda a noite… uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e por quê? Observei-a enquanto tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens… Quando ela se dirigia ao garçom o bar inteiro parava para vê-la… Tinha seu carro, sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então por que pensar assim? Teria ela se fechado?

Ela fez uma cara de entediada e me chamou para caminhar enquanto fumava um cigarro, até a saída sorriu e comprimento todo mundo com aquele jeito sapeca de menina do mundo…

Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, concluí. Na rua todos passavam apressados, ela se divertia com os animais abandonados, abaixou e entregou sua garrafa de água pró morador da rua, explicou o endereço de uma balada em alemão para um estrangeiro perdido que agradeceu com um sorriso, comprou chicletes de uma criança e na minha cabeça só ecoava: inamorável…

Foram horas observando aquela garota, até não me aguentar e voltar no assunto… Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário. Então ela pegou minha mão e me puxou para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos observando tudo até que disse:

— Olhe ao seu redor, estamos já a um tempo aqui e durante esse tempo por nós passou uma garota chorando porque seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa tem 10 pessoas e elas não conversam entre si pois estão nos seus smartphones, talvez aquela garota de vermelho seja a mulher da vida do cara de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar. Veja o rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma olhando pra loira tentando chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.

Olhe ao seu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos, realmente não fazemos parte disso, entramos sem celular na mão, esperando encontrar pessoas legais, com papos legais, com relações reais e voltamos para casa sozinhos, somos invisíveis num mundo de status onde as pessoas não vão te querer por que você mora longe, ou por que não gostam da sua cor de cabelo ou por que você não curte os beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém e tudo é medido em likes. Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está redor enquanto procuram alguém no tinder. E eu me importo? Não mais. Sou inamoravel por que não me importo com nada disso.. Nenhum desse status, não, e importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um ingresso pra ir ver o show dos beatles por que é importante para ela mesmo eu detestando a banda. Por que eu sou assim, e se antes era o que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoraveis por manter o coração e a mente aberta.” Naquele momento eu a entendi, e me apaixonei pelo mundo dela.


Via: Solteira Sinistra 
Texto de: Akasha Lincourt