10 de out de 2018

Meu Conto de Falhas — por Simone Pesci

Era para ser o meu conto de fadas, mas tornou-se o meu conto de falhas. Deixe-me explicar... Os anos nos prega algumas peças, tornando o enredo de nossas vidas em uma comédia... ou um drama... ou até mesmo um terror. 

Diz a lenda que só se ama uma vez, mas deixa eu te contar uma coisa... A verdade é que se pode amar diversas vezes, de diversas formas e, claro, na dosagem que o coração ordenar. 

Há ainda quem diga que príncipe encantado não existe, mas deixa eu falar outra coisa... EXISTE SIM! Às vezes nem tão encantado quanto imaginamos, mas na medida que faça o seu coração descompassar. 

O meu conto de fadas tornou-se uma sucessão de falhas, tentando, a todo custo, extrapolar na manipulação de uma alteza  diga-se de passagem  inexistente, fazendo-me empenhar-me em recordações do passado.  À propósito, foram poucos acertos e muitos erros, o que, tristemente, não me deixou ciente que o lado avesso pode ser o nosso lado certo.

E pensar que o relógio era a minha menor preocupação, sempre sonhando com os segundos arrastados que minha esperança fazia-me sentir. Mas aprendi que com os anos, em vez de clamar por um conto de fadas, temos que agradecer ao conto de falhas, pois são eles que nos faz crescer.

Ó destino cruel, que me prega essa peça: onde não há amor, que não se demore. E assim sigo, sonhando com uma dura realidade e atrevendo-me a dizer: "E que faça de mim a sua morada!!!"

[Falando em]: A Casa de Vidro — de Anna Fagundes Martino

Eis a resenha de uma noveleta que me ganhou por sua linda capa. A propósito, já faz algum tempo que baixei esse e-book gratuitamente, porém só agora que me embrenhei nessa leitura. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei sobre "A Casa de Vidro #Noveleta 1", que faz parte de uma série chamada "Estações", obra da autora Anna Fagundes Martino, uma publicação da editora Dame Blanche.


Sinopse: Flores não crescem do nada  ou crescem? Para Eleanor, era o mistério que não conseguia responder: qual era o truque daquele jardineiro contratado para cuidar da estufa em sua casa e que transformara o lugar em uma floresta imaginária. Sebastian, o tal estranho, parece um homem como qualquer outro  exceto pelas perguntas desconcertantes que faz, ou pelo fato de que as plantas obedecem seus comandos de maneira muito intrigante... 


Porque não há de encoberto o que não venha a ser descoberto..." 

Uma trama instigante! 🌷🌷🌷

1.868
Aurelius é um rico viúvo que construíra para sua filha de dezessete anos, Eleonor, um castelo de vidro.
A menina um dia tinha dito que queria um castelo só para si, como os das princesas: o dono da casa lhe deu aquela construção de vidro. (Livro: A Casa de Vidro, de Anna Fagundes Martino)


Eleonor, agora, tem a sua espetacular estufa de vidro, além de um novo e intrigante jardineiro, chamado Sebastian, que passa a cuidar com esmero de sua redoma mágica.
 Regras demais. Esse mundo de vocês tem regras demais. Como vocês dão conta de lembrar de tudo? (Livro: A Casa de Vidro, de Anna Fagundes Martino)
Os dias passam e mesmo com o seu jeito misterioso e estranho de ser, Sebastian ganha admiração de Eleonor, sempre dizendo coisas que a confunde e, claro, fazendo da sua casa de vidro a mais bela.
Quase um ano ali e tudo ainda lhe fascinava; e ela invejava aquele entusiasmo, aquele olhar brilhante, aquela energia que explodia em seu corpo oco e se convertia em cores fascinantes e em paisagens alucinantes. (Livro: A Casa de Vidro, de Anna Fagundes Martino)
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

Intercalado entre passado e presente, somos conduzidos a um mundo mágico... Um amor que quebrará barreiras.

A CASA DE VIDRO é uma noveleta, e por tratar-se de um texto curto, para muitos pode parecer algo raso e, talvez, sem sentido. Porém, a meu ver, é uma história enternecedora, onde um jardineiro deslocado e de hábitos estranhos leva, com as palavras, o saber. Essa é uma trama que exige um pouco mais de atenção, onde o mágico e o real se cruzam, mostrando mundos diferentes. Sebastian, sem sombra de dúvidas, é a cereja do bolo, sendo este um humano não tão humano, com seus encantamentos e maneira de pensar que o torna ainda mais peculiar mas, que, ainda assim, leva consigo sabedoria e amor. Não há  muito o que dizer, pois é um enredo breve e sem muitos desfechos (algo que, creio eu, seja melhor trabalhado em sua sequência, Um Berço de Heras). Eu, particularmente, gostei bastante, e mesmo sentindo-me órfã e perdida com o final, anseio em ler a continuação.

A trama é narrada em terceira pessoa, com narrativa e diálogos um pouco rebuscados (mas de fácil compreensão); a diagramação está excelente, no padrão digital; e a capa, como disse no início da postagem, é um belíssimo cartão de visitas, estampando Eleonor entre sua redoma mágica.


Noveleta: A Casa de Vidro  (#Livro 1)
Autora: Anna Fagundes Martino
Gênero: Drama/Romance/Fantasia
Editora: Dame Blanche
Ano: 2016
Páginas: 81

6 de out de 2018

[Conto]: GAROTAS SÓ QUEREM SE DIVERTIR

Nascida em uma família nada convencional, Clara seguia os dias de forma mecânica. Os pais seguiam a ideologia “paz e amor”, repelindo os valores que a sociedade impunha. Eles se mantinham com o pouco que ganhavam, empenhando-se em vender as poucas bijuterias que confeccionavam. A garota questionava-se sobre o comportamento dos pais, vivendo de forma tão isenta. Um tanto confusa, arriscou-se em ser como eles. E querendo conhecer o mundo, aceitou o convite de duas amigas, partindo para uma festa. 

— Garota, quando que você vai viver sua vida direito? — questionou a mãe. 

Isso passou a ser um problema, pois Clara pegara gosto pela coisa, e de convencional passou a ser uma beberrona convicta. 

— Mamãe, nós não temos boa vida pra isso — seu tom de voz era sarcástico. — Além do mais, eu e as garotas só queremos diversão. 

A mãe ficou sem palavras. “Como impor padrões quando origina-se nada convencional?!”, concluiu a matriarca. 

As noites maldormidas passaram a ser corriqueiras, fazendo com que Clara levasse duas advertências no trabalho. Os pais ficaram preocupados, pois se Clara perdesse o emprego, a renda familiar passaria a ser microscópica. 

Ela recebia ligações no meio da noite, o que deixava seu pai irritado: 

— O que você está fazendo da sua vida? — questionou o pai, segurando-a com força pelo braço direito. 

Agora Clara permitia-se repelir os valores morais, passando a viver uma nova ideologia: permeada em baladas, destilados e garotos. 

— Papaizinho, saiba que você ainda é o número um. Afinal, eu e as garotas só queremos nos divertir... — concluía de forma ébria. 

Depois de mais uma noite de farra, passou a atender um cliente de forma desatenta. O supervisor a chamou de canto e lhe disse: 

— Eu deveria demiti-la, mas vou dar uma colher de chá! — ameaçou-a apontando o dedo indicador em seu nariz. 

Irritada ao relembrar tal infortúnio, resolveu novamente divertir-se, tendo como companhia uma forte ressaca. 

Clara perdera o emprego. 

— Como faremos agora? — questionou a mãe. 

Por tempo indeterminado, ela pensou... 

— Como faremos agora? — perguntou a mãe, mais uma vez. 

Clara refletiu mais um tempo... 

— Tem biju pra vender? — interrogou a matriarca. — Posso sair pelas ruas, tentando vender. 

A mãe espantou-se com a resposta, enquanto Clara imaginava o quão perfeito seria caminhar pelas ruas, cantarolando e tentando vender algumas peças mal-apessoadas. E fora no café da manhã que o pai ergueu o braço esquerdo, chacoalhando algumas das quinquilharias que confeccionava. 

— Brindemos! — disse o pai, erguendo uma xícara de chá com ervas diversificadas. — Paz e amor! E que você venda tudo. 

Clara partiu, permitindo-se trabalhar no seu tempo, além de conseguir vender todas aquelas manilhas. Por consequência, até as amigas comemoravam sua nova condição. As festas passaram a ser em sua casa, sem restrições e ouvindo clássicos dos anos setenta, transformando todos em ébrios estandardizados.




 
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5 de out de 2018

De que tamanho é um livro?

Estou lendo uma noveleta linda e muito bem escrita. Entrei no Skoob para ver as avaliações e, claro, as resenhas. Tal qual minha surpresa quando me deparo com muitos pareceres negativos do tipo: é muito curta e superficial. Por este motivo, resolvi repostar esse artigo explicando melhor aos leitores a diferença entre enredos mais curtos e longos. Vem junto conferir! o/ 


Em primeiro lugar, tenha em mente que medir o tamanho de um livro pela quantidade de páginas é coisa para os leitores. Entre autores, editores e outros profissionais que trabalham nos bastidores, um livro é medido pelo número de palavras. 

Então: quantas palavras são necessárias para uma obra ser considerada um romance? Não resiste uma regra realmente estabelecida, mas é amplamente aceito (aqui no Brasil e lá fora) que um livro é um romance a partir de 40 mil palavras. Coincidência ou não, essa é exatamente a quantidade de palavras do ícone pop O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams. 

Quanto às demais classificações, novamente não há regras. No Brasil é bastante comum uma tabela que divide a classificação em quatro tipos: 

- Conto: até 7.500 palavras 
- Noveleta: de 7.500 palavras a 17.500 
- Novela: de 17.500 palavras a 40.000 
- Romance: a partir de 40.000 

Essa classificação varia um pouco em alguns países. Há versões americanas que tem seis ou mais tipos, mas no geral, esses valores são bastantes conhecidos e utilizados. 

[Artigo via]: Desatinos Por Escrito