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26 de abr. de 2020

#FIQUEEMCASA

Eu encontrei esse texto no perfil de uma amiga do facebook, e, claro, não poderia deixar de postá-lo aqui... Afinal de contas, o que vale é a mensagem de suma importância que ele carrega, num momento caótico como o que estamos passando, com essa pandemia da Covid-19. A ideia não é acionar o gatilho de sentimentos ruins, mas SIM alertá-los para que a doença não chegue até você. Confira o texto abaixo:



Você terá febre. Muita febre. A febre mais alta que já alguma vez sentiu. Não vai parecer a gripe comum que todos já sentimos. 

Você vai respirar pouco e com dificuldade, como se eles tivessem colocado um adesivo no nariz e depois tivessem feito um buraco com um alfinete. 

Você vai tentar encher os pulmões. Você vai inspirar fortemente, mas sentirá que ainda está com falta de ar. E isso vai te assustar. 

Você vai tossir muito. Tanto que você vai se cansar até quase desmaiar. Você sentirá como se tivesse percorrido 10 quilômetros. E isso será a cada segundo que você está aqui na UTI. 

Toda vez que tossir, seu peito, braços, olhos, costas, dedos das mãos e dos pés vão doer muito. 

Você vai tentar pegar ar através do buraco no adesivo que eu já lhe disse, e você não conseguirá. 

Você vai respirar cada vez mais rápido, e isso vai encher suas veias com essa porcaria chamada dióxido de carbono, que é algo que pode matar você. 

Então, vou colocar um tubinho no seu nariz para fornecer oxigênio que seus pulmões não podem fabricar. Esse tubinho vai arregaçar a entrada dos dois orifícios onde você respira, e isso vai doer ainda mais. 

E se você não conseguir superar isso, um médico irá colocar alguns tubos de meia polegada na garganta, através dos brônquios e nos pulmões. Isso é chamado de respirador artificial ou ventilador. É muito desconfortável e, além disso, você não pode falar nem comer, pois seu estômago será alimentado por uma sonda gástrica, um tubo por onde virá a sua "refeição" 

Os médicos e enfermeiros que cuidam de você o farão o mais rápido possível, lembra que eles também têm familiares, maridos, filhos esperando por eles em casa e também têm medo de serem infectados. 

Você estará sozinho em uma sala fechada. 

Você não pode ter alguém lá, porque vai deixá-lo doente da mesma maldição que está matando você. 

Você vai se sentir tão mal, tão sozinho, que isso vai deixá-lo ansioso e com medo de morrer. Você vai ficar deprimido. Isso piorará seus sintomas, tosse e falta de ar. 

E É QUANDO VOCÊ ENTENDERÁ POR QUE ELES DIZIAM: 


#FIQUEEMCASA

17 de abr. de 2020

"Kafka, a menina e sua boneca"

Aos 40 anos, Franz Kafka (1883-1924) que nunca se casou e não tinha filhos, passeava pelo parque de Berlim quando conheceu uma jovem que chorava porque tinha perdido sua boneca favorita. Ela e Kafka procuraram a boneca sem sucesso. Kafka disse-lhe para se encontrar lá no dia seguinte e eles voltariam atrás dela. 

No dia seguinte, quando ainda não encontraram a boneca, Kafka deu à garota uma carta "escrita" pela boneca que dizia: 

"Por favor, não chores. Fiz uma viagem para ver o mundo. Vou te escrever sobre as minhas aventuras." 

Então começou uma história que continuou até o fim da vida de Kafka. 

Durante os encontros, Kafka leu as cartas da boneca cuidadosamente escritas com aventuras e conversas que a garota achava adoráveis. Finalmente, Kafka trouxe-lhe a boneca (comprou uma) que tinha voltado a Berlim. 

"Não se parece nada com a minha boneca", disse a garota. 

Kafka entregou-lhe outra carta em que a boneca escrevia: 

"Minhas viagens, mudaram-me." 

A garota abraçou a nova boneca e trouxe-a toda feliz para casa. Um ano depois, Kafka morreu. 

Muitos anos depois, a garota adulta encontrou uma cartinha dentro da boneca. Na pequena carta assinada por Kafka, dizia: 

"Tudo o que você ama provavelmente será perdido, mas no final o amor voltará de outra forma." 

[Texto via]: Facebook

5 de abr. de 2020

[Falando em]: Um Carinho Na Alma — de Bráulio Bessa

Já faz algum tempo que tenho vontade de ler algo dele, pois sou sua fã. o/ A propósito, conheci seu trabalho através do programa "Encontro", da apresentadora Fátima Bernardes (todas as sextas-feiras), na Rede Globo, onde o mesmo declama suas poesias em forma de cordel. Eis que me deparei com essa lindeza para baixar gratuitamente (em formato digital), e, claro, sem pestanejar, eu o baixei. Confira agora a sinopse e o que eu achei de "Um Carinho na Alma", obra do poeta e escritor Bráulio Bessa, uma publicação da editora Sextante


Sinopse: Bráulio Bessa conquistou o Brasil com seus cordéis no programa Encontro com Fátima Bernardes. Ilustrado pelo artista cearense André Nódoa, Um carinho na alma é um livro para aguçar a sensibilidade e aconchegar o coração. "Toda poesia é libertadora, e Bráulio Bessa comprova isso, da maneira mais total e poética: liberta a própria poesia das estantes altas e empoeiradas a que o povo não tem direito de alcançar, e faz chover poesia no território nacional, maná com gosto de rapadura sobre nossa fome de beleza."  Pedro Bial, jornalista "Bráulio é um artista raro, de uma sensibilidade muito tocante. Com sua voz afetuosa, ele nos transporta para outros mundos e reeduca nosso olhar."  Lázaro Ramos, ator Depois de conquistar o coração dos brasileiros com sua Poesia que transforma e passar mais de um ano entre os autores mais vendidos do país, Bráulio Bessa volta a nos brindar com poemas que nos fazem pensar e sentir. Em Um carinho na alma, ele amplia a gama da sua poesia, indo além do cordel tradicional  mas sem jamais abandoná-lo. Seus versos falam sobre os temas que pontuam sua obra, como o amor, a esperança e a amizade, mas também a seca, a injustiça e a falsidade, produzindo as rimas inspiradas que nunca deixam de levar um sorriso aos lábios. Além de poeta, Bráulio é também um grande contador de histórias. Por isso, além dos poemas, o livro traz relatos de sua infância em Alto Santo, da vivência com a família e os amigos, e de suas andanças de norte a sul do Brasil, abraçando e falando com o povo que tanto lhe prestigia.



"Porque tem livro que a gente lê. Tem livro que lê a gente..." 

Um murmurinhar poético! 💘💘💘

Não é um romance. Trata-se de um conglomerado de palavras, com fundo reflexivo e poético. E por tal motivo, deixarei abaixo um dos cordéis poéticos e, a seguir, direi o que achei da obra. Vem junto conferir! o/

(Livro: Um carinho na alma, Sobre Felicidade)

Que mania estranha a nossa 
de cobiçar o alheio. 
O mundo de alguém ser belo 
não faz seu mundo ser feio. 
Tem gente que passa fome 
com o próprio prato cheio. 

Me diga um só fí de Deus 
que tem a vida perfeita, 
da manhã que se levanta 
inté a noite que deita. 
Se existe vida assim, 
quem escondeu a receita? 

Cada um tem o sorriso 
e a dor que lhe convém. 
Tudo que vai abre espaço 
pra tudo aquilo que vem. 
Feliz na vida é quem é 
feliz com a vida que tem. 

(clique na imagem para maior resolução)


UM CARINHO NA ALMA é um farfalhar de sentimentos adversos. O autor tem o dom de encantar com suas poesias de cordel, levando consigo grandes reflexões. Além dos floreios poéticos, somos conduzidos ao passado de Bráulio, ainda em Alto Santo (um município brasileiro do Ceará), contando suas singelas experiências e aprendizados de forma enternecedora. Refere-se a uma obra que nos faz sentir, em diversas camadas, entre sabores e dissabores. Para quem é propenso a exprimir dentro de si coração em forma de palavras, essa é uma magnífica pedida... Uma leitura rápida e que toca o âmago do leitor. Se eu gostei?! NÃO, EU NÃO GOSTEI!... EU AMEI!!! Além de avaliá-lo com cinco estrelas, também favoritei. E digo mais, leio até mesmo a lista de compras do poeta/escritor. 💘💘💘

Os textos são de fácil compreensão; a diagramação está perfeita (no padrão digital), com algumas ilustrações de André Nódoa; e a capa estampa o poeta, levando no peito o título da obra.   


Livro: Um Carinho Na Alma
Autor: Bráulio Bessa
Gênero: Poesia e Cordel
Editora: Sextante
Ano: 2019
Páginas: 160

26 de mar. de 2020

Re…(tomando, construindo, adaptando)

Não é trabalho imediato se atirar ao novo quando o velho já não funciona tão bem, ao que é diferente; mudar de margem para seguir um rumo mais aprazível, jogar-se pela janela sem saber o que vai encontrar lá embaixo, seguir uma nova linha, menos reta do que a anterior. 

Não é fácil esvaziar os bolsos dos medos que a gente leva consigo por anos consecutivos. Nem cortar as mechas que não crescem bem, imaginando um recomeço. Renascer não é moleza, implica em ter morrido previamente, mesmo que metaforicamente, e soa doloroso, afinal, não se busca voluntariamente chegar ao fim dos trilhos. 

Nem sempre se tem a chance de apagar o que estava escrito na lousa, no caderno, no coração. Algumas letras viram tatuagens na alma lembrando a gente, de tempos em tempos, dos desacertos, deslizes e arrependimentos passados e, mesmo que se escreva por cima uma nova história, a marca fica, fina e escondida, mas perene. 

Enquanto isso, enquanto as negações e bloqueios diários tomam vida e reprimem a nossa vida, as oportunidades vêm e vão, nem sempre voltam. 

Então a gente acha que nunca seria capaz de escrever um romance; que nunca seria capaz de publicar uma palavra sequer; que não conseguiria emagrecer, ser mãe, entregar-se a um amor, correr, ser livre. A gente acha que não seria capaz de doar-se a si mesmo, de respeitar a si mesmo e deixar fluir. A gente acha que jamais seria capaz de pedir ajuda e assumir as fraquezas. A gente acha que dormir no escuro e escutar todos os sons do planeta seria um problema, quando, na verdade, o problema é o silêncio, são as trevas que moram ali dentro, que gritam pedindo para ficar. Mas é possível deixá-los partir. 

Estamos sempre começando. Continuaremos. E seremos interrompidos. Quem nos obstrui pode ser um desânimo, uma descrença, uma atitude impensada, uma palavra sem cuidado. Ao que parece, quem nos paralisa somos nós mesmos, pois é tão mais simples parar. 

É hora de retomar. Há muito romance para escrever, muita sede para esgotar, muita paz para conquistar e muita vida para iluminar. As horas perdidas ficarão para trás, mas o relógio não parou e o tempo pode novamente ser um grande aliado. 

[Texto via]: Papo de Fran

15 de fev. de 2020

"As pancadas da vida..."

Alguns irão escapar, mesmo que você os retenha o mais firmemente possível com suas mãos doloridas e não haverá nada a dizer, nem se entristeça, pois eles não são seus. 

Alguns irão berrar, ofender, aviltar você, muitas vezes sem perceber, e não importa, porque você já começou a andar no sentido contrário, com os ouvidos vedados, ainda que zunindo, e aquelas palavras foram só jogadas ao vento. 

Alguns irão te desapontar, não por fraqueza, mas porque tudo é questão da sua expectativa. Promessa é castelo de areia, pode desfazer-se na primeira inundação, então não há porque trabalhar com possibilidades. 

Alguns até te darão pancadas, não com as mãos, mas com olhares, desprezo, desrespeito ou ausência de cuidado. Mas quer saber? Você pode desviar, pode usar um escudo, pode dar passos de dança em contorcionismo e nada irá te tocar, sua pele e sua identidade continuarão íntegras, mesmo que esteja um pouco partida por dentro. 

Alguns irão tentar amarrar seus pés para que não dê passos em direção ao futuro, num convite para que não cresça e fique quieta no seu mundo, sem ser vista. Mas, meu bem, o futuro chegará de qualquer forma, ele te chama e é impossível não ouvir. Você poderá chegar até ele, mesmo dando saltos curtos, com o tempo, as amarras irão se desfazer, pois nós servem para ser desatados e não para te estagnar. 

Alguns irão te soprar quando estiver muito leve, mas você não irá cair, pois saberá usar suas asas na hora necessária. 

Alguns tentarão se aproximar, sugar, vampirizar, roubar, colher e parasitar. E que levem o que quiserem na primeira vez em que chegarem. Depois que você se refizer, que replantar, terá um portão bem trancado ao seu redor para essas visitas, com cães protetores a esperar na porta. E se mesmo assim entrarem de novo, dessa vez você pode gritar: 

– Não!!!!! 

[Via]: Papo de Fran

23 de jul. de 2019

"Relacionamento tipo porta giratória"

A gente ensina aos outros como quer ser amado. Talvez de modo inconsciente, a gente mostra a todo mundo como deseja ser tratado, e nem sempre demonstramos que queremos ser bem amados, bem cuidados, bem olhados, bem decifrados, bem respeitados. 

Muitas vezes preferimos requentar o café frio de anteontem a não beber café nenhum e, de modo distorcido, ensinamos aos outros que não merecemos um café quentinho e cheiroso, recém passado e com sabor marcante. Talvez devêssemos escolher não ter nada a ter as piores porções. 

E é assim também que aceitamos um relacionamento tipo porta giratória, e permitimos que nosso coração abrace e seja abandonado tantas vezes quanto o outro quiser, pois preferimos ter esse alguém entrando e saindo de nossas vidas a não ter esse alguém de jeito nenhum. 

Nem sempre iremos nos machucar num relacionamento assim. Quando é conveniente para os dois, quando ninguém está criando expectativas ou desejando algo mais, os pratos da balança se equilibram e ninguém se machuca. Porém, tudo muda quando você faz um investimento emocional na relação e o outro não. Quando você aposta num banquete e recebe somente migalhas. 

Você jamais terá um banquete se fica farto com as migalhas. Jamais será levado a sério se romantiza joguinhos e justifica vácuos e perdidos. Jamais será convidado pra um encontro olho no olho se acredita que o like na foto antiga é a melhor alternativa. 

Mas antes de sair fazendo cobranças e exigências, estabelecendo regras e impondo ultimatos, experimente simplesmente sair da porta giratória e veja o que acontece. Ao invés de esperar uma mudança de atitude do outro, mude você. Seu coração não precisa viver em compasso de espera, dando chances e mais chances a alguém que simplesmente não se importa. Se o outro se importasse, a porta não giraria. 

Espero que você nunca se esqueça que ofereceu chances e elas foram desperdiçadas, todas elas. Espero que você não se distraia das sensações ruins que a porta giratória te causou, e não caia na tentação de duvidar das cicatrizes que ela deixou. Espero que você não ignore o quanto esse vai e vem emocional te faz mal, e aprenda de uma vez por todas que quem te tem em consideração não faz do seu coração um parque de diversão. 

[Texto de]: Fabíola Simões 

20 de jun. de 2019

"Sob nevoeiro, use farol baixo"

Qualquer motorista conhece a regra: Sob nevoeiro, use farol baixo. Porém, na vida, também deveria prevalecer essa norma, visto que nem sempre estamos diante de situações que dominamos completamente, ou na presença de pessoas que conhecemos profundamente. 

Na dúvida, não tenha pressa. Na incerteza, caminhe com cautela. Diante daquilo que não conhece ou não domina, vá devagar. Ande lentamente sobre terrenos incertos e, sob nevoeiro, use farol baixo. 

Temos vivido tempos em que tudo caminha muito rápido, na velocidade de mensagens enviadas e prontamente visualizadas, no tempo das relações líquidas e pouco profundas, na fluidez de pensamentos e ações. Todo mundo se acha expert em todos os assuntos, todo mundo se considera conhecedor da vida do outro, todo mundo acredita que seu lado da história é o lado certo. Ninguém estaciona para apreciar a paisagem, ninguém abaixa o volume para ouvir o que o outro tem a dizer, ninguém acende o farol baixo sob o nevoeiro. Queremos ofuscar, engatar, acelerar, articular… e pouco nos preocupamos em silenciar, estacionar, ausentar. 

Os dias têm passado muito depressa. Segunda, terça, quarta… sexta, fim do dia, fim de semana, próximo mês. Corremos atrás do tempo e, no entanto, o tempo se perde em divagações, conhecimento vago, deduções, perda de tempo. Com celulares em punho, queremos ler na frente a notícia, o boato, entender a divergência. E o instante que prometia ser extenso, agora acusa que não há mais tempo. 

Quero faróis baixos sob neblina, cautela frente ao que não conheço, permanência em mim do que me traz apreço. Não quero a urgência de sair na frente, a incumbência de conhecer todas as notícias, a exigência de ter argumentos. Quero a serenidade da humildade, a paz de não me considerar perita em nada que não é da minha alçada, a simplicidade de admitir que não sei realmente quase nada. Que o presente seja meu aliado e me traga alento, que não me perca com excesso daquilo que não entendo e que, restaurada pela leveza do momento, possa silenciar minha boca e meus pensamentos e enfim descobrir que é devagar que a gente aprecia a vida e pausa o tempo… 

[Texto de]: Fabíola Simões 

26 de abr. de 2019

Sobre gentilezas e afins...

Fui ao mercado hoje pela manhã e fiquei espantado com o preço do bom dia. Faz um tempo que tenho notado a sua escassez e, por sinal, ouvi na rádio dia desses que há uma procura bem maior do que a atual produção mundial, alavancando o índice da má educação. Não sabia; porém, que o impacto seria tão grande para o consumidor final. 

Percebi também uma grande alta nos preços dos obrigados. Conversando com o gentil rapaz que cuida dessa seção, ele explicou que grandes intempéries de orgulho têm atingido as mudas de gratidão, influenciando diretamente nas baixas safras dos últimos tempos. Com isso, a maioria das pessoas está optando por deixar de lado o seu uso. 

Além dos altos preços dos produtos acima, verifiquei a falta nas prateleiras do como vai original. E olha que tenho procurado faz tempo. Em contrapartida, constatei o aumento de algumas marcas similares, com um preço até inferior, mas são daqueles como vai que não esperam resposta sincera, que só aceitam um tudo bem, já que o interesse é falsificado. Pior, esses como vai apresentam na sua casca uma cara de tédio quando a resposta é um desabafo sincero. Para aumentar as vendas, alguns deles vêm até com promoção: Na compra de um como vai similar, você ganha um abraço com nojo, um tapinha nas costas e um "assim mesmo é a vida, fazer o quê?" 

Só que prefiro o como vai original, aquele com abraço apertado, sem tapinhas. Ele vem de fábrica com olho no olho, com um sorriso cordial, acompanha também um ouvido atento e, mesmo que a boca nada diga, os olhos tagarelam frases de carinho, de atenção e de empatia. Infelizmente, como dito, está difícil encontrá-lo por aí. 

Até procurei conversar com a dona do mercado sobre a falta de tais produtos. Ela falou dos tempos, da correria, dos problemas, da tecnologia e um monte de coisas mais. Agradeci a sua explicação, mesmo que consternado. Daí fui ao caixa, passei minhas compras, gastei ali mesmo mais um bom dia e mais um obrigado e paguei com um sorriso. 

[Texto de]: José Escrevente

19 de abr. de 2019

"Ache o que quiser de mim, isso não muda quem eu sou"

Viver querendo agradar, desejando nunca desapontar ninguém, aspirando a perfeição, buscando corresponder a todas as expectativas, almejando jamais ser criticado… tudo isso cansa e provoca um desgaste enorme, uma perda de energia e um desrespeito tremendo por nós mesmos. 

Leva tempo até que a gente aprenda que nosso valor não está nos elogios que recebemos ou nas decepções que não causamos, mas sim naquilo que a gente é realmente, independente das opiniões a nosso respeito. 

É claro que não podemos viver isolados em nossas bolhas, centrados no próprio umbigo, desprezando todo o resto, mas de vez em quando é necessária uma boa dose de autoconfiança para dar um fod#-se a toda e qualquer exigência a nosso respeito e adquirirmos uma fé enorme em nosso jeito único de ser e de escolher, independente do que esperam de nós. 

Certa vez li uma frase que dizia mais ou menos assim: “Autoestima não significa “eles vão gostar de mim”. Autoestima significa “tudo bem se eles não gostarem””. E é exatamente isso. Às vezes a gente foca tanto no desejo de agradar, na vontade de ser aceito, na expectativa de ser amado, que se afasta do mais importante: nós mesmos. Quando nosso desejo de ser amado pelo outro supera o respeito que temos por nós mesmos, perdemos a capacidade de impor limites, de dizer “não”, de nos resguardar, de nos reservar o direito de seguir nosso coração. 

Viver preocupado com o que as pessoas pensam a meu respeito, com o que as pessoas esperam de mim, com o que as pessoas desejam que eu seja… é uma das formas mais cruéis de se viver e se posicionar na vida. As pessoas podem achar o que quiserem, podem me amar ou me odiar, isso não muda quem eu sou. 

Zele por aqueles que ama, respeite os que te cercam, honre sua família. Mas não se afaste de si mesmo só pelo desejo de agradar ou por não suportar as críticas. 

Viver querendo agradar nos torna marionetes na mão de quem se vale da boa vontade alheia para satisfazer os próprios caprichos. Frustrações fazem parte da vida, e vez ou outra você irá frustrar ou decepcionar alguém, mas isso não coloca por água abaixo todo o valor que você tem. Aprenda a suportar a ideia de que você não é infalível. Você também erra, também tem limites, também é imperfeito, e está tudo bem. 

Faça o seu possível e peça a Deus que cuide do impossível. Você não controla tudo, não dá conta de tudo, não é infalível. Absolva seus erros, perdoe suas limitações, respeite seu tempo. Aprenda a dar limites, a dizer “não” àquela solicitação, à andar no seu ritmo. Você irá descobrir que aqueles que te amam e te respeitam não deixam de estar ao seu lado quando algo não sai conforme o combinado. Ame-se o bastante para entender que nem sempre será aceito como gostaria, e está tudo bem. E, finalmente, não se cobre tanto. Entenda que mais importante que fazer tudo certo é conseguir se perdoar quando algo dá errado, pois como diz o ditado: “Seja uma boa pessoa. Mas não perca seu tempo provando isso”. 

[Por]: Fabíola Simões 

25 de jan. de 2019

"As 15 Leis dos Escritores Desesperados"

1. A procrastinação é um ócio criativo; 

2. Nada está tão bom que não possa ser melhorado; 

3. Você está achando o teu texto horrível, até ler o do colega; 

4. Você está achando teu texto maravilhoso, até ler o do outro colega; 

5. A energia elétrica só vai cair quando você esquecer de salvar o trabalho; 

6. O computador vai ficar travando justamente no dia que você estiver mais atarefado; 

7. Você vai terminar aquele capítulo, assim que a visita for embora; 

8. Você sabia exatamente o que escrever, até ser interrompido; 

9. Para cada dois dias de inspiração, uma semana de bloqueio criativo; 

10. Você está muito inspirado, até se sentar na frente do computador; 

11. O teu livro está perfeito, até você receber a primeira crítica; 

12. Você vai ter ideias para mais dez livros antes mesmo de terminar o primeiro; 

13. Você vai começar a escrever sim, assim que descobrir como as lagartixas se reproduzem; 

14. Você só escreveu duas páginas, mas está achando o progresso incrível, já que ontem você só escreveu uma; 

15. O livro passou pelo filtro de três revisões, mas os erros mais escabrosos só serão encontrados depois da publicação. 

[Via]: Jadiel Viana

10 de jan. de 2019

"O tempo traz a poda"

A poda é necessária para a planta se fortalecer e equilibrar o luto ensina e amadurece. 

Ensina que existe tempo para tudo, e que alguns ramos irão se soltar durante a vida, modificando o vigor da espécie; 

Ensina que os mais fortes são aqueles que se adaptam justamente como dizia Darwin; 

Ensina que alguns galhos são supérfluos, ainda que não haja compreensão no momento; 

Ensina a modificarmos nossa tendência de produzir mais folhagem que frutos a buscarmos novas alternativas, ter coragem, humildade. 

Enquanto tivermos sorte, permanecermos jovens, belos e bem nascidos o acaso nos protegerá, mas permaneceremos mais selvagens folhagem e vegetação. 

E não descobriremos quem realmente somos. 

O tempo traz a poda. E a cada tesourada descobrimos que algumas feridas nunca se curam e você terá que se ajustar a uma forma de vida completamente nova. 

Mesmo que seu coração tenha sido quebrado em mil pedaços, uma hora você perceberá que é capaz de amar de novo e, se tiver sorte, amará melhor. 

Já perdi amigos, me separei de pessoas insubstituíveis, sofri decepções absurdas, descobri que ninguém é perfeito. Fui feliz, me atirei de cabeça, confiei demais, me frustrei na mesma proporção, tive dúvidas, morri de arrependimento. 

Fui podada pela vida, aparada em minhas arestas, corrigida em minhas estruturas. Descobri novos arranjos, me equilibrei com as perdas e decepções, formulei novos caminhos. Aprendi que continuamente sofremos um processo de renovação natural como as plantas. Faz parte da vida, do processo de nos tornarmos melhores com o tempo, extraindo os ramos ruins e mantendo os bons… 

Aprendendo a perdoar, a pedir perdão; a entender que o tempo leva pessoas especiais e deixa algumas nem tão perfeitas assim; que o coração é capaz de amar de novo, mas antes deve permitir-se chorar e enterrar o amor antigo bem fundo para que ele não ressuscite de tempos em tempos; aprendendo a valorizar o presente, a entender que tudo é passageiro os bons e maus momentos; aprendendo que algumas pessoas simplesmente não percebem o mundo como você, e que isso não as torna mais cruéis. Aprendendo a ter compaixão, a separar seus medos antigos dos atuais. 

O tempo molda as pessoas de formas diferentes, e alguns endurecerão ainda mais com o passar dos anos. Nem todo mundo aprende, não importa quantos tombos leve. E você não pode basear sua vida por essas pessoas. 

A vida é muito curta e o roteiro só depende de você. É assim que você se mantém vivo. Decidindo ser melhor a cada dia, se permitindo chorar, se autorizando ter raiva, se justificando por estar sem forças. Mas ainda assim acreditando que uma hora, de alguma maneira que seria impossível, você não se sentirá assim. Não vai doer tanto… 

[Por]: Fabíola Simões 

21 de dez. de 2018

"Eu gosto de pessoas que, sem pedir permissão, tocam minha alma"

As pessoas que eu admiro mal cabem nos dedos de uma mão. São elas a quem eu observo e escuto em silêncio. As pessoas que eu admiro, ainda que não se deem conta, fazem de mim uma pessoa melhor, tornam o meu mundo um lugar melhor. As pessoas que eu admiro são apenas humanas, cometem falhas como todo mundo, mas possuem um dom muito especial, que é o de saber tocar a minha alma. 

Existem milhares dessas pessoas no mundo, talvez você seja uma delas, talvez seja você essa referência a outros, não por ser perfeito, mas por saber oferecer o refúgio, a proteção, a compreensão que o outro procura. Esse tipo de pessoa sabe o valor de cada ação, são especialistas em agasalhar almas e sabem perfeitamente quando é a vez das palavras e o quanto o silêncio pode ser curador. 

Quem tem em seu círculo de convivência um ser desses, sabe muito bem o que é receber afago na alma, sabe o que é ter em alguém o abrigo para as horas em que o mundo se torna mais hostil do que já é. Sabe aqueles momentos em que você deseja que um buraco se abra para que você se enfie lá e se esconda do mundo? Nunca irá se abrir esse buraco, mas quem tem um especialista em almas como amigo, sabe onde buscar essa sensação de amparo. 

Não importa se essa criatura mora ao lado, more conosco ou até mesmo viva em um lugar muito distante. Acredite, eles sempre conseguem uma forma de invadir você, de ultrapassar qualquer barreira para chegar até a sua alma ferida e regatá- la. Nelas temos total confiança e, ainda que nos trancamos, ainda que criemos uma armadura onde escondemos nossos sentimentos, seja de tristeza ou de felicidade, esse invasor do bem chegará até nosso mais profundo interior para nos confortar se estivermos tristes ou para festejar se estivermos felizes. 

Quando pedimos um afago e recebemos é muito bom, mas não há como negar que receber-lo sem pedir, que ser surpreendido docemente por mãos mágicas a acariciar nossa alma, é algo extraordinário. Esse gesto que nos faz sentir menos sozinhos, nos faz perceber que temos valor sim para alguém e reaviva nossas esperanças na humanidade. 

Mas é bom lembrar que essas pessoas também possuem almas, e, se doam tanto carinho, tanta atenção, é porque também gostam de receber-los. Seja você hoje o invasor, estique seu braço e toque a alma daquele que nunca se negou a acariciar a sua. Faça um afago, um elogio sincero, um agrado para demonstrar sua gratidão. 


[Texto via]: Pensar Contemporâneo

5 de dez. de 2018

Felicidade Clandestina — por Clarice Lispector

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". 

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. 

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

22 de nov. de 2018

A menina Paixão

Fica-se louco quando ela se abeira. 

Essa menina Paixão é de uma insanidade! Má companhia, inconsequente, faz circunvoluções na rotina e não deixa ninguém dormir, produzir, comer, serenar. Companhia indesejável, vá para longe de mim! 

Ela é amiga da dor, parente bem próxima da falta de sentido e só sabe agir em escala exponencial, tudo é superestimado quando a menina Paixão se aproxima, e ela não permite nem que a gente pertença a si mesmo. 

Deixa em cacos, aos milhares deles. 

Com um método de inserção moderno e altamente eficaz, eis que ela transforma o pensamento: deixa uma única imagem emoldurando todas as paredes da mente, imensamente, seja imenso o espaço que houver, sem hora para terminar, sem limites para demarcar, como uma decoração monotemática, monótona e insubstituível, e não há fuga de si que a desconecte. 

Perde-se o domínio quando a menina chega. 

Então você está comendo, dormindo, servindo, vivendo e de repente ela aparece e cria uma desordem de pensar, de cobiçar, de não saber silenciar. Faz arder quando há distância, queimar quando presença há. 

Cria cegos, por fim. 

E diante de tal cegueira, a menina Paixão te faz inteiro abandonar-se dentro de um par de olhos, como que mergulhado em duas esferas, em viagem interplanetária. Vai e volta de um orbe a outro, mas não escorrega, não se perde pela tangente, segue o plano, mas perde um pouco a linha, pois viagem assim termina mal, quando termina… 

Porque a menina Paixão não vem em goles suaves, quietinha, sendo anunciada com discrição. Ela já aparece gritando do telhado, com velocidade de som, de passos, tirando qualquer um da sua ocupação, para que ela reine absoluta. E daí que há tanto o que fazer? Ela se espalha sem pressa de ir, mas com urgência de permanecer, de ocupar as superfícies, os poros; de amplificar os sons, de prensar todos os odores na ponta do nariz, para que fiquem eles aglutinados na memória e não possam ser expulsos nem sob medidas brutas. 

Tenta-se ser esperto, burlar, mas a menina Paixão é sorrateira, sabe todos os seus planos e não se deixa enganar; de propósito, cria alguns embustes, e quando se vê, as mãos estão amarradas com corda e nó de marinheiro, os pés só andam no mesmo sentido e direção, e então, não é possível escapar, nada há para fazer. 

A não ser se entregar a essa menina. 

[Texto via]: Papo de Fran

2 de nov. de 2018

Sobre a singeleza das coisas...


Choveu na singeleza das coisas. A vida, tão minúscula ficou úmida de acasos. A esperança veste a oração de fé. Alguém pega em minha mão para além das indiferenças. O esquecimento vem dos séculos apagados. Às vezes, a memória pede um tempo na dimensão do nada. O desassossego vem de uma voz que se calou. Pode a ausência não ser tão distante da presença? 
[Por]: Mariana Gouveia

23 de out. de 2018

"Romance para a vida"


“Amar a si mesmo é o começo de um romance para toda a vida.” (Oscar Wilde) 




Então eu a avistei com seus limites imprecisos. 

De vez em quando, dou uma espiada aqui dentro, a fim de não me esquecer de mim e avaliar a quantas anda a minha baderna interna. Mentira. Olho o tempo todo. É que, em grande parte do tempo, não gosto do que vejo. Assim, busco algo mais concertado na periferia, já que o centro em si não me desperta orgulho. Mas sem magnetismo, desisto. 

Olho para fora. 

Toda a população ao redor é mais interessante. Todo o mundo tem luz própria, todos andam com passadas largas, com direcionamento. Mentira. Talvez estejam igualmente perdidos e ilhados em suas questões, mas parece que sinto suas dores, seus fantasmas e suas deserções. Tudo isso é mais chamativo, mais real. Tenho sede das pessoas e fome de sentir o que elas carregam. 

Retorno a mim. 

Dentro aqui enxergo escuridão em uma mente lúgubre, que habita um corpo incrédulo. Não vai a lugar nenhum, pois suas raízes estão fincadas profundamente na terra. Mas não há vazio, só que me vejo disforme, irreal, desconectada. O que me leva a ficar com a boca seca, mas não busco água. As entranhas estão ocas, mas o alimento já não nutre. Aqui há medos e gritos querendo ser expulsos em jatos, entretanto não é bonito o que tenho a expelir. 

Amo o outro e isso me basta. 

Caí. Estaquei. Adormeci. Silenciei. Resfriei. Anestesiei. Vedei. Enganei. Menti. Menti. Menti. Findei. Resisti. Levantei. Ousei. Berrei. Senti. Abri. Revelei. Articulei. Pari. Revivi. 

Então a avistei, já com os limites bem definidos. Não entendi se era bonita, e sim autêntica. Não avaliei sua profundidade, mas parecia não acabar mais. Se estava certa, nem pensei, pois ela estava inteira. Nem bem legível ela era, mas me ocorreu estudá-la. Não me perguntei sobre o nível de sua força, pois meu intuito era carregá-la. Tampouco interroguei se aguentaria, pois eu a via drapejando em minha direção. 

Era mais uma. Era o outro. Mas o maior disparate foi entender que era eu. 

E assim pude começar minha história de amor.

[Via]: Papo de Fran

10 de out. de 2018

Meu Conto de Falhas — por Simone Pesci

Era para ser o meu conto de fadas, mas tornou-se o meu conto de falhas. Deixe-me explicar... Os anos nos prega algumas peças, tornando o enredo de nossas vidas em uma comédia... ou um drama... ou até mesmo um terror. 

Diz a lenda que só se ama uma vez, mas deixa eu te contar uma coisa... A verdade é que se pode amar diversas vezes, de diversas formas e, claro, na dosagem que o coração ordenar. 

Há ainda quem diga que príncipe encantado não existe, mas deixa eu falar outra coisa... EXISTE SIM! Às vezes nem tão encantado quanto imaginamos, mas na medida que faça o seu coração descompassar. 

O meu conto de fadas tornou-se uma sucessão de falhas, tentando, a todo custo, extrapolar na manipulação de uma alteza  diga-se de passagem  inexistente, fazendo-me empenhar-me em recordações do passado.  À propósito, foram poucos acertos e muitos erros, o que, tristemente, não me deixou ciente que o lado avesso pode ser o nosso lado certo.

E pensar que o relógio era a minha menor preocupação, sempre sonhando com os segundos arrastados que minha esperança fazia-me sentir. Mas aprendi que com os anos, em vez de clamar por um conto de fadas, temos que agradecer ao conto de falhas, pois são eles que nos faz crescer.

Ó destino cruel, que me prega essa peça: onde não há amor, que não se demore. E assim sigo, sonhando com uma dura realidade e atrevendo-me a dizer: "E que faça de mim a sua morada!!!"

1 de out. de 2018

"Para quem voa é permitido o infinito..."

“Todo mundo gostaria de se mudar para um lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar.” (Rubem Alves)  


Ouço a melodia das asas no meu quintal e transporto-me para a dimensão das lembranças.

Vou te contar como aconteceu esse amor alado e talvez só depois, entenderá que sou feita de asas.

O dia, era qualquer coisa entre 30 de um friorento junho e o dia primeiro de julho. A água no fogão de lenha sempre aquecida na espera de um nascimento rompante. Todos a postos na cozinha, na sala e o pai, entre a agonia de ouvir o choro ou o grito da Dona Fulô, dizendo nasceu – foi assim com todos os três primeiros filhos.

Lá fora, uma garoa fina os mantinham ali, próximos do fogão a lenha e na atividade de picar a galinha para o caldo.

O olhar da parteira era preocupado. Levava muito tempo entre dores, contrações e quietude. A cidade ficava um pouco longe. E foi ali, entre a espera e a busca de ervas para um banho ‘apressador’ de nascimento que ela viu as asas. Um movimento frenético de quem se afogava e tentava sair da poça.

Invocou os santos todos que conhecia e salvou a borboleta que debatia desesperada para voar.

Um voo meio desequilibrado e sem jeito e um pouso forçado na dobradiça da janela.

E ali, entre o espiar da borboleta colorida, depois de uma manhã inteira de esforços, eu nasci.

As mãos de Dona Fulô me trouxe ao mundo e como era costume presentear quem nascia com uma evocação ao universo, me foi oferecido o poder alado – como ela dizia – e que o espaço me recebesse com o dom divino de comandar as asas.

“Que ela tenha o poder sobre o que voa, sempre em favor do bem e do acolhimento. Que ela seja acolhida pelo que voa, entre o pouso e a dimensão do vento. Que sobre ela venha a atitude de emanar coragem. Rogo a todos os deuses, declaro, oro e ofereço à ela a escolha de querer ou não quando assim tiver o discernimento para escolher, se prefere a asa ou o chão. E assim será! Oxalá!”

Ouvi essas palavras minha infância toda e com o tempo fui me acostumando a ser a menina borboleta, porque incrivelmente onde quer que estivesse, surgia uma. Entre voos mirabolantes e crisálidas perfeitas. Eu amava o movimento das asas. E um dia, quando pude escolher, já nem precisava mais.

O nome já era ativo entre meus irmãos. E fizesse sol, ou chovesse, havia qualquer coisa de asa onde eu passasse.

Primeiro as borboletas e suas espécies mil.

Depois, vieram os pássaros e suas variantes. Depois, o sonho de voar com as palavras.

Muitos achavam estranho. Outros, admiravam. E eu cresci, entre a magia de uma fada que me deu poder de voar e um lugar que tinha um portal para a imaginação.

De repente, elas vieram para minha mão. Entre a confiança da espera e o encanto que me proporcionava e assim, mesmo depois de anos, continuei a ser a menina borboleta, onde as palavras voam em direção ao universo.

Relembrando tudo isso com meu pai, ele diz, entre um saudosismo quase infantil, na doce instância dos seus 81 anos que meus pés são fictícios, que na verdade, tenho asas. E para quem voa, é permitido o infinito.

E você, se permite voar?

[Texto de]: Mariana Gouveia 
[Via]: O Outro Lado

25 de set. de 2018

"Cosmopolita"

Sou cosmopolita, de parágrafos concisos. Apenas sensíveis captam a minha alma estranha, porque não tenho "explicantes atitudes" e nem esforços muito óbvios. 

Sou a interrogativa de uma moralidade social que me pondera. 

Sou a intransigência daqueles que tentam me revelar. 

E quando me visto de tango e de minhas vaidades cabíveis, intrigo ainda mais! Porque sei dançar um rock ao som de qualquer orquestra sinfônica. 

Convém adaptar-se em minhas linhas estreitas somente aqueles que perpetuam em meus paralelos confusos, talvez nem tanto, porque minha trilogia não é abstinente num ego cheio de ramificações. 

Minha banda toca sem maestro e segue com ritmos de conceitos libertos e, só serei relevante àquele que me tornar explicitamente penetrante. 

Porque sou de interrogações exclamadas, (ponto em seguida!). Equilibra-se sobre a minha poesia tremida, aquele que me toca antes de ouvir meus sons esquisitos, antes de saber que não sou desvendável. 


[Texto via]: Papo de Loba