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2 de nov. de 2018

Sobre a singeleza das coisas...


Choveu na singeleza das coisas. A vida, tão minúscula ficou úmida de acasos. A esperança veste a oração de fé. Alguém pega em minha mão para além das indiferenças. O esquecimento vem dos séculos apagados. Às vezes, a memória pede um tempo na dimensão do nada. O desassossego vem de uma voz que se calou. Pode a ausência não ser tão distante da presença? 
[Por]: Mariana Gouveia

5 de ago. de 2018

PNEUMÁTICA — por Virgínia Finzetto


"Outro dia eu engoli um espelho 
Queria que minha dor se visse ali, cara a cara 
Para que depois pudesse se traduzir 
ao mundo guiado pelas aparências 
No íntimo, nós nos entendemos 
Pneumática, ora alojada na boca do estômago, 
ora agarrada às minhas costelas flutuantes 
Vez ou outra, ela desaparece na troca com o ambiente, disfarçada de alegria em alguma distração..."


[Via]: Blog do Menalton

2 de ago. de 2018

[Lidos]: Julho de 2018

Olá, lovers!
Como vocês foram de leituras?! Pois bem, eu me encontrei em cinco leituras de parceria. 💘💘💘 Agora convido a todos para conferir as minhas leituras de Julho. Vem junto! o/


[clique no título da obra para conferir a resenha]:

13 de mai. de 2018

"Se todas as coisas fossem mãe..."

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas, o céu seria sua casa, casa das estrelas belas. 

Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos, o mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.  

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas, conversaria com a lua sobre as crianças-estrelas, falaria de receitas, pastéis de vento, quindins. Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins! 

Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes, pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente. 

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria. Toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria. 

Se uma bruxa fosse mãe, seria mamãe gozada: Seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada! 

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida, faria chá e remédio para as doenças da vida.  

Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras, sentariam comportadas, teriam “boas maneiras”. 

Cada mãe é diferente: Mãe verdadeira, ou postiça, mãe-vovó ou mãe-titia. Maria, Filó, Francisca, Gertrudes, Malvina, Alice.

Toda mãe é como eu disse!

Dona Mamãe ralha e beija, erra, acerta, arruma a mesa, cozinha, escreve, trabalha fora, ri, esquece, lembra e chora, traz remédio e sobremesa. Tem até pai que é “tipo-mãe”... Esse, então, é uma beleza!!!

FELIZ DIA DAS MÃES!!! [em 13/05/2018]

[Texto de]: Sylvia Orthof

31 de mar. de 2018

"O Grande Inquisidor"

Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o voo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. 

[Texto de]: Rubem Alves, numa livre interpretação de 'O Grande Inquisidor poema idealizado pelo personagem Ivan Karamázov em 'Os Irmãos Karamazov' de Fiódor Dostoiévski.

1 de mar. de 2018

SONETO DE UM DIA — POR JORGE STARK

Ainda que a correnteza venha contrária, 
serão mansos os arrebóis 
com amarelos, laranjas, vermelhos sóis 
a colorir nascimentos e partidas. 

Faz de conta que um sorriso tudo resume 
e que o eterno é guardado em tonéis 
como se fossem valores, como anéis 
deixados de herança aos nossos filhos. 

Deixa a janela aberta pois entram 
pássaros, naus e sonhos através dela, 
pelos ares, pelos mares, por amores. 

Mostra um santinho impresso e o tamanho da fé 
nascida da intestina prece daqueles que foram 
amantes, amigos, pecadores incrédulos e fiéis. 


[Postagem via]: Miltextos e muitas palavras...

17 de fev. de 2018

[DRUMMONIZE-SE]: QUADRILHA

Eu me deparei com essas artes feitas pelo amigo/escritor/ilustrador Davidson Ricksilva (sou fã do cara o/) e, claro, não deixaria de postar aqui. Trata-se de um poema de Carlos Drummond de Andrade  diga-se de passagem  um tanto trágico, escrito em 1930 e que leva como título "QUADRILHA". Confira abaixo se você se encaixa em alguma parte dessa estrofe. Vem junto! 💘💘💘



PORQUE HÁ TANTO ÓDIO NO MUNDO?

Não consigo acreditar no que meus olhos veem, 
Não vejo mais razão no que as religiões creem, 
Tenho que deixar de lado minha situação de mero expectador, 
Tenho que tomar atitudes diante de mais um fato aterrador, 
Era quase tangível seu descaso com a piedade, 
Você matou humanos como vermes, com muita crueldade. 
Porque há tanto ódio no mundo? 
Quando o fim do mundo chegar nada mais vai assustar, 
Mas e se ele nunca mais chegar, 
E se eu não estiver mais aqui pra testemunhar, 
Levante as mãos pro céu e comece a orar para o seu Deus de crença, 
Porque ele é diferente do meu e causador de toda esta desavença, 
O instinto fez sua mente doentia superar seu coração, 
E eu vi você deixar crianças mortas pelo chão. 
Porque há tanto ódio no mundo? 
Triste mesmo é ver tanta solidão espalhada por aí, 
Insano mesmo é a armadilha em que eu cai. 
O que fazemos de verdade pela paz? 
Olhamos sempre para um mesmo lado e o resto tanto faz, 
O que fazemos de verdade pra que as ideias se invertam a favor da paz? 
Nada, nada, em nossa alma em frangalhos a covardia jaz. 

[Texto de]: Altino Manoel 

24 de jan. de 2018

🌷 Uma dose de Lispector... 🌷

 
Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer. Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca." 

🌷 Clarice Lispector 🌷

3 de jan. de 2018

Evoemos — de Gael Enrick Oliver


E aí poeta, vai aceitar a morte assim? 
Em silêncio, sem um texto expressivo? 
Sem o som do clarim? 
Levante-se, Cate seus pedaços e desça pra arena, 
Ainda há muito exército a ser derrotado, 

Suas glórias e decepções do ontem já se fizeram poente, 
As que virão, é futuro 
O agora só depende de você 
Viva o hoje, viva o agora... 
Sempre em frente. 

Morra lutando com a espada desembainhada, 
Não se acovarde, 
Respire fundo e vá. 
Seja qual for o resultado, 
Esteja guerreando. 

Morro no campo de batalha, 
Mas não escondo minha honra embaixo do tapete. 

Se precisar de uma mão? 
Tenho duas para somar, uma espada e um escudo, 
Mas se for correr? 
Não me espere, não olhe pra trás. 
Saiba que eu lutarei por dois, três, mas não fujo. 

Então... 
Não fuja!

[Poema]: Evoemos
[Por]: Gael Enrick Oliver

29 de dez. de 2017

[Falando em]: Gótico, Impassível e Picante — de Alec Silva e Samuel Cardeal

Sabe aquela capa e título que logo de cara te pega?! Então, foi isso que aconteceu quando dei de cara com "Gótico, Impassível e Picante", obra de Alec Silva e Samuel Cardeal. Em verdade, ao vê-lo gratuito em formato digital, eu não hesitei em baixá-lo. Afinal, algo me dizia que eu me enveredaria num admirável conglomerado de palavras. Agora convido a todos para conferir o que achei da obra, uma publicação da EX! EDITORA.



Sinopse: Miguel Renner, vice-presidente de uma multinacional brasileira. Após a queda da Presidente Vilma Dusseldorf, toma seu lugar e passa a controlar a corporação. Composto de cartas formais, poemas escritos por Miguel em suas muitas viagens, em guardanapos de restaurantes de hotéis e aeroportos, e bilhetes de amor trocados com sua pequena. Ascensão e queda de um homem contada por suas próprias palavras, em verso e prosa. Parte romance epistolar, parte coletânea de poemas, "Gótico, Impassível e Picante" é uma sátira da atual situação política do Brasil. 


"Porque há de se rir para não chorar..." 

Uma sátira pra lá de original!

Lendo a sinopse já dá pra ter ideia do que se trata, não é mesmo? Ok, antes de dar o meu parecer, deixarei alguns quotes abaixo.
A multidão nos ovaciona
Nossa manipulação funciona
Sorrimos, avançamos
Mal sabem eles
Nos odiamos


(clique na imagem para maior resolução)

Desde logo, digo que não há motivo para todo alarde que a prezada senhora tem feito, colocando em cheque minha dedicação à sua administração e minha lealdade para com seus objetivos, tenho revelado a verdade de ambras em todos esses anos e é notório que não há o que questionar em minha conduta. 
Mostro as mãos
As mangas
As cartas
Na mesa
Virada
Avessa
Rasteira
Passada


GÓTICO, IMPASSÍVEL E PICANTE é uma historieta parte esboçada como um romance epistolar, parte redigida como poemas. O diferencial é o pano de fundo, com dois personagens fictícios indigeríveis. Trata-se de uma compilação de ironia poética, tendo como cereja do bolo uma libertinagem que nós, brasileiros, bem conhecemos. Gozando do nosso atual cenário político, os autores conduziram com humor e realismo às circunstâncias que o nosso governamental nos expõem. Se decidir se aventurar nesse livro, tem que estar ciente que não há primacial entre esquerda ou direita, pois é apenas uma ficção. Se eu não tivesse fechado a leitura com os "melhores de 2017" e já postado aqui, definitivamente essa obra entraria na lista. Agora, mais do que nunca, estou louca para conferir outros textos dessa dupla dinâmica. E para finalizar, deixo o trecho final do prefácio:
Aprecie com moderação, seja você coxinha, comuna ou noibista. Estamos aqui para trazer o caos, mas sem discussões. (Livro: Gótico, Impassível e Picante, Prólogo)

Livro: Gótico, Impassível e Picante
Autores: Alec Silva e Samuel Cardeal
Gênero: Ficção/Epistolar/Poemas
Editora: EX! 
Ano: 2017
Páginas: 50

9 de nov. de 2017

↓↓↓ Sobre a intensidade ↓↓↓

Ser intenso é ser mais do que inteiro. Mais que completo. É ser transbordante. Abundante. 

Eu acho lindo quem não admite ser raso. Quem se entrega, se doa, quem faz e acontece. Quem encara um desafio só pelo gostinho, quem sai da platéia e vai ser jogador. 

Quem se joga e quem joga, até descalço. Não importando que faltem 10 minutos pra acabar a partida. Gosto de gente que enfrenta, que luta, que argumenta, que esgota até dizer chega. 

Admiro quem não se cala, quem tem palavras de sobra, quem inventa moda e não sossega. Gosto da bravura, da luta, da lágrima. Me encanto com pessoas e verdades inteiras, sem vírgulas, sem traços, sem “se”. 

Adoro surra de like, surra de áudio, surra de beijo. 

Gosto de firmeza. Nas promessas, palavras e apertos de mão. 

Os abraços, gosto mesmo daqueles de verdade, os generosos, os de faltar o ar, os quebra-costela. Rir até doer a barriga. 

Dançar até doer o pé. 

Experimentar, ousar, explorar, movimentar, mergulhar. Adoro. Adoro quem faz questão, quem tenta até o último suspiro e quem suspira de tanto tentar. 

Adoro corações transbordantes e mesas fartas. 

Não é o simples exagerar, desperdiçar, esbanjar. Mas é além do completar, sustentar, abastecer. Algo que flutua entre esses dois universos, onde jamais se passa fome nem vontade. 

Tom pastel, monotonia, tofu e meias porções nunca me serviram bem. Intensidade aqui meu caro, é prato cheio.

[Texto de]: Estela Meyer

25 de out. de 2017

"Falando em saudade..."

Esta saudade tem juros abusivos 
Que cada dia só aumenta sem parar 
Esta saudade é mais que um sonho ruim 
É um vazio que só faz acumular 

É um sentimento que paira no momento 
E a cada instante tá aqui pra me lembrar 
Do teu perfume que me dava ciúmes 
De no teu corpo poder impregnar 

Os dias passam de um jeito que disfarçam 
A noite vem trazer o amanhecer 
Espero as tardes e fico até tarde 
Sentado à porta na esperança de te ver 


[Poema de]: Rutênio Félix

14 de out. de 2017

"Fragmento do conto MPB"

Chora, rapaz, faz uma faxina no coração, baldes de saponáceo pra quando mentiste pra ela, rodo pra quando ficaste com a cantora, creolina pra quando cheiraste pó, DDT pra tua consciência em geral. Chora pra caralho, rapaz." 
(Fragmento do conto MPB  por Edson Coelho)

1 de out. de 2017

[Lidos]: Setembro de 2017

Olá, amores!
Como foram de leituras?! Bom, eu me enveredei em poucas leituras, pois estou finalizando um projeto, além de estar tendo algumas aulas sobre editoração de um livro. Mas, já de antemão, digo: "As minhas leituras de setembro foram show de bola". Agora convido a todos para conferir. Bem-vindos! 💘💘💘


(clique na imagem para maior resolução)

[Clique no título abaixo para conferir a resenha]:

29 de set. de 2017

HOMEM DE PLÁSTICO


Vire à direita!   gritou o bêbado.
Suba a ladeira!   falou a velha.
Vire à esquerda!   disseram já cedo.
Desça do mundo, evite a queda.
Andou por muito tempo e nada encontrou.
Homem de plástico.
Virou à direita e se perdeu. 
Subiu a ladeira e se vendeu.
Virou à esquerda e adormeceu.
Pobre homem de plástico.
Andou pelo mundo e viveu o sonho que não era seu.


[Texto via]:  Poetizando

24 de set. de 2017

Por onde for...

(...) que seja flor.

13 de set. de 2017

Rede de Sonhos — por Fábio Pacheco


"Diariamente, costuro uma rede, 
Ela não é feita de substância palpável, 
Não possuem fibras ou linhas de algodão, 
Ela é morada de desejos e lamentos, 
É domicílio das esperanças e enigmas, 
Com ela, cubro o tempo e o espaço, 
A desejar que durmam como crianças, 
E a almejar deles qualquer afeto, 
Mas não sou eu que costuro a rede, 
É ela mesma que se costura em mim, 
Envolvendo-me com as suas malhas, 
Fazendo-me fluir lirismo, 
Induzindo-me a cantar o sol, 
E delegando-me a matéria 
Do que é invisível."

4 de set. de 2017

↓↓↓ TEMPO PERDIDO ↓↓↓


Havia um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro da casa era um grande personagem. E também o relógio da parede! Ele não media o tempo simplesmente: ele meditava o tempo. 
[Mário Quintana]

28 de ago. de 2017

↓↓↓ Falando em regras... ↓↓↓


Regras não servem pra mim. Não tenho vocação pra bailarina, tenho fobia de linha reta, tenho o corpo livre, o espírito solto, sou do mundo, das pessoas, das conquistas, das novidades, vou construindo fatos e lembranças nas esquinas. A vida que tem lá fora gritou e eu não ouvi. Agora me movo a passos curtos, ziguezagueando por entre mudas de flores recentes que querem ser botão. Eu quero ser flor: quero terra viva que se mova e me faça mover." 

[Por: Verônica Heiss]