2 de mar. de 2016

[Falando em]: Dois Mundos — de Simone O. Marques

Eu sempre tive curiosidade de ler um texto da Simone O. Marques. A propósito, tenho costume de ficar em off', apenas observado o que existe no mundo literário, foi quando me deparei com algumas resenhas e quotes de seus trabalhos, o que de fato instigou-me. Portanto,  confiram a sinopse e resenha de "Dois Mundos", uma publicação da editora Butterfly.



Sinopse: Num futuro distópico, Marina é uma jovem brasileira que carrega a força e os poderes de três grandes deusas celtas. Ela é aquela que cria, acolhe e mata. Protegida por guerreiros, perseguida por mortais e desejada por deuses, precisa encontrar os míticos tesouros da Tribo de Dana se quiser salvar o que restou do mundo... Ano de 2021. A Terra está devastada e poucos são os sobreviventes. No Brasil, grupos se reúnem em pequenas vilas em torno da água potável. O oásis neste caos fica na Chapada dos Veadeiros, na Fazenda Tribo de Dana, onde vive um povo guerreiro que acredita tudo ser parte dos planos da Grande Mãe. Neste paraíso vive Marina. Considerada o avatar de três grandes deusas celtas, precisa lidar com poderes diversos de cura, vida e morte. Ao abrir o véu que separa o mundo de mortais e deuses, a jovem liberta antigas divindades. E dois domínios distintos estão prestes a colidir quando ela descobre que detém nas mãos o destino da humanidade. 




"Porque ser o receptáculo pode ser assustador..."






Mágico! 
Encantador! 
Sensacional!

Não sei se vou me expressar direito, pois sou acostumada a ler outro gênero, mais especificamente drama/romance. No entanto, eis a afirmativa: sair da zona de conforto pode ser muito prazeroso. Pois bem, agora terei outros olhos para enredos do gênero fantasia.  

Trata-se de uma distopia fantástica, onde o personagem central é Marina (um avatar/deusa), que foi destinada a salvar o mundo... Ela tem que ser treinada para ser o receptáculo que receberá três deusas. Contudo, aos treze anos, quando descobre isso, não aceita o seu destino, deixando de receber o devido treinamento. Ela mora em uma reserva particular com o pai, as irmãs, os druidas e também com os 'guerreiros de Dana' (esse é o seu nome como deusa), que são guerreiros destinados à protegê-la.

Mas, então, aconteceu o que acredito ser o pior momento da minha vida até hoje; O chão estremeceu quando aquele exército se aproximou da fazenda. Era formado por pessoas que acreditavam que sua fé estava por um fio, que seu deus estava sendo desafiado e que Marina era a reapresentação do anticristo e por isso precisava ser destruída. Eles vieram para matá-la, talvez queimá-la, como a Inquisição fez por tantos séculos. Eram tantos... E eu cheguei a pensar que estaria tudo perdido, para todos nós. (Livro: Dois Mundos, Pág.11)
O mundo está destruído e todos vivem de forma reclusa, deparando-se com coisas estranhas. Porém, todos já estão habituados com tamanha estranheza, e passam o dia reclusa e atentamente tentando sobreviver. As pessoas que conseguem ter um pouco mais de conforto e segurança são aquelas que têm algum poder, digo financeiramente ou com ofícios importantes, mesmo que isso não faça mais sentido, afinal, eis um mundo destruído.

Marina agora tem dezessete anos e vive em lugar chamado "Fazenda Tribo de Dana", onde é rodeada e respeitada por todos, especialmente pela proteção de Brian, que é nada menos que o seu "Sombra" (o guardião particular), que fica o tempo todo vigiando-a, o que a deixa furiosa, pois até os treze anos, quando tudo aconteceu, ela desfrutara de uma vida normal e com liberdade. Muitas vezes ela bate de frente com ele, que por sua vez, a observa com outros olhos. Afinal, ela é a deusa Dana e todos (até mesmo ele), deve enxergá-la com respeito e sequer pode cogitar qualquer outro tipo de sentimento que não seja proteção, respeito e reverência. Eis que com sua teimosia, ela discorda das orientações de Brian, e ambos caem em um outro mundo, levando ao lado dos dois outro guardião (amigo de Brian), chamado Artur.
— Acho que nossa prioridade é procurar o caminho de casa. — Brian falou determinado.
Marina não disse nada, mas, para ela, a prioridade agora era encontrar o tal tesouro e não correr o risco de que seu sonho tornasse realidade.


Os três ficaram em silêncio por um tempo, só ouvindo o som forte da chuva e observando o gotejar nas poças que se formavam no chão de terra, que agora era um verdadeiro lamaçal.


— Brian... — Marina o olhou com os olhos brilhando. — Obrigada por retirar o veneno... — falou e encostou a cabeça no ombro dele, segurando em seu braço. Brian ficou vermelho e sorriu, mas viu o olhar de Artur o alertando mais uma vez para o perigo daquela aproximação, o que não conseguiu acalmar seu coração disparado. (Livro: Dois Mundos, Páginas 115 e 116)


Ela teve um sonho onde foi revelado o terrível futuro de todos, inclusive parte de sua família que sobreviveu, o que guarda para si e acaba não revelando aos dois guardiões que a acompanha. Neste sonho, ainda no outro mundo, ela tem que procurar por um tesouro que será a salvação de todos. Desta forma, segue contra as orientações de Brian. No entanto, durante as tantas aventuras que os três passam para sobreviver e mesmo destreinada, ela passa a seguir com sua intuição, descobrindo coisas e alertando tantas outras. O tempo passa e cada vez mais ela fica íntima dos seus dois acompanhantes, é claro que com Brian de forma mais intensa, pois se sente atraída por ele, o que faz com que eles tenham uma conexão mais verdadeira e proibida.

— A jovem é apenas um casulo. E não vai impedir que a Deusa se manifeste quando precisar. Espero que entenda isso quando o casulo tiver que se romper de vez, Brian. Não coloque em risco sua lealdade a Dana por causa de uma garota bonita e quebradiça — o deus ferreiro disse e se virou saindo do salão. (Livro: Dois Mundos, Pág.194)
Além de tudo que Marina está passando, há outro contratempo... Ela tem constantes sonhos intercalados onde fala com Pedro, que transparece ser um humano qualquer, mas na verdade Ele é um oráculo. Aliás, por uma vez (anos atrás), no meio de toda conturbação, ambos estiveram frente a frente. Paulo, que assim como todos, vive de forma reclusa é avisado em um dos sonhos que Marina está em grande risco. Desta forma, sai às pressas e a procura dela. E nessa procura ele se depara com Liban, que é uma garota/mulher tão especial e importante quanto ele. Agora cesso os comentários para não soltar spoilers.

Eu realmente vou tentar me expressar da melhor forma, pois fiquei deveras entorpecida. Foi uma leitura que me prendeu do início ao fim, me teletransportando para dentro do enredo, e por vezes peguei-me afoita para saber como seguiria o enredo, com uma trama envolvente e bem amarrada, além de adornada com muitas aventuras. A autora soube conduzir a história de forma magistral, o que me fez ter certeza do quão entendedora do assunto és, pois só uma pessoa que entende do assunto conduziria o enredo da forma que foi conduzida. Eu torci para que os três (Marina, Brian e Artur), conseguissem escapar dos contratempos, e por todo tempo me encantei com a relação de proteção entre Brian e Marina. Os capítulos finais foram de perder o fôlego e deixou-me ainda mais conectada com a história. E o fim, pelo amor dos deuses... Fez-me questionar como a autora fez aquilo, deixando-me numa baita expectativa para sua continuação. Eu simplesmente AMEI! E desde já, afirmo: — Eu leio até mesmo a lista de compras da Simone... Sou sua mais nova fã. \o 

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, com espaçamentos e fontes na medida certa, envolta em papel pólen (o amarelinho), levando a cada início de capítulo a imagem de uma floresta sombria, além do lindo mapa que encontramos antes mesmo de iniciar a leitura; sua capa é divina, estampando Marina defronte àquele mundo que tanto insisti se distanciar. Por fim, para quem curte uma trama muito bem escrita e desenvolvida, entorpecedoramente deliciosa de ser ler, eis uma magnífica pedida. \o/\o/\o/ 


Livro: Dois Mundos, Tesouros da Tribo de Dana #Livro1
Autora: Simone O. Marques
Gênero: Fantasia/Romance
Editora: Butterfly
Ano: 2016
Páginas: 256

[Texto]: Eu sou um mito, por Joyce Xavier

Eu sou o conteúdo salvo da embalagem danificada e sou a configuração de uma vida complicada. Eu sou a destruição de uma história mal contada e sou o fogo do meu próprio incêndio. Eu sou a ilusão para os meus próprios sonhos, eu sou vista como um engano e quase fui morta num aborto. Eu sou o azul mais lindo do céu e com ao cair de noite eu sou a estrela que mais brilha no escuro. Eu sou uma realidade inventada e sou uma fantasia com várias asas. Eu sou o mundo e não tenho existência. Eu sou a carência de uma mulher e a fortaleza de um homem. Eu sou tenho uma doença na alma e encontro à cura na escrita. Eu sou a procura do meu próprio esclarecimento, eu tenho dias de tormentos e muita culpa em meus sentimentos. Eu sou um rio de lágrimas feridas e sou o sol que contagia os dias. Eu fui tudo o que eu não queria ser, me junto nos escombros ao tentar me fortalecer. Eu sou os passos alcoolizados, eu sou o sangue da minha própria dor. Eu sou as folhas que caem com o vento e sou o fruto de um belo crescimento. Eu não sou ninguém, eu sou uma carta sem remetente, extraviei-me e viajei para o destinatário errado. Eu não existo, eu sou única, eu sou estranha, eu não me entendo... Eu sou um mito.

Por: Joyce Xavier

29 de fev. de 2016

[Falando em]: O Príncipe dos Canalhas — de Loretta Chase

Há tempos eu ansiava ler essa obra. E, posso dizer, eu me enveredei num texto divinamente escrito, de encher os olhos e que me fez rir horrores. Aliás, eu comprei este livro online, num preço super em conta e iniciei a leitura no mesmo dia que chegou — e sendo o enredo tão encantador e entorpecente, finalizei a leitura em apenas dois dias. S2 Agora confira a sinopse e resenha de "O Príncipe dos Canalhas", obra de Loretta Chase, uma publicação da editora Arqueiro.


Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent... Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu. Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade — muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho. Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.


"Porque até o pior dos canalhas pode tornar-se encantador..."





Envolvente! 
Divertido! 
Sensacional!


Sebastian Ballister, mais conhecido como Lord Dain ou Belzebu, é um homem rude e que não leva as mulheres a sério, pois desde a infância passou por um mal bocado. Aos 8 anos foi largado pela mãe e deixado aos cuidados do pai, que, por sua vez, nunca gostou do filho e o destratava a todo instante, não dando a devida atenção e também castigando-o. Ele é uma criança aparentemente muito feia, o que todos ressaltam com veemência, passando assim pelas piores situações na adolescência e juventude, principalmente na instituição em que foi largado pelo pai.

Não apenas agia como um monstro — embora nunca o fizesse de maneira tão crassa diante das autoridades que podiam expulsá-lo da instituição —, como também se tornara um, fisicamente: já tinha bem mais de 1,80m de altura, e cada centímetro seu exalava uma brutalidade sombria. 
Passou a maior parte do tempo em Eton certificando-se de que seria lembrado como um monstro. Orgulhava-se de pessoas decentes terem-no apelidado de "o flagelo e a perdição dos Ballisters". (Livro: O Príncipe dos Canalhas, Pág.15)

Quando completou 25 anos, retornou para casa, pois o pai havia falecido. No entanto, se deparou com uma pedra em seu caminho. O pai já havia falido com a herança e o deixou às ruínas, e apesar de não ser provido de beleza externa (e também interna), era provido de inteligência, o que conseguiu reverter toda a conturbante e caótica situação financeira, tornando-se um homem rico, de respeito e temido por todos.

Agora, aos 33 anos, é um homem que sente repulsa por mulheres e as enxerga apenas como objeto sexual, achando que todas são fadadas a burrice e, principalmente, mulheres da vida, o que sempre o fez pagar exorbitantes quantias em dinheiro para ter prazeres sexuais e também para sua diversão com bebidas, ostentando sua excelente condição financeira e desdenhando todos que o acompanhava. Ao seu lado segue Sir. Bertram (ou Bertie), um admirador de pouca inteligência e influenciado pelos encantos da boa vida, pois é um homem de poucos atributos financeiros. E é neste momento que entra Jéssica, que é nada mais que a irmã de Bertie. Ela vai ao encontro do irmão, na tentativa de salvá-lo, pois ele está gastando o pouco que tem, colocando em jogo até mesmo o dinheiro que ela juntou com tanto esforço para conseguir montar sua loja.
Por um momento desconcertante, lorde Dain teve a impressão de que alguém havia acabado de enfiar sua cabeça na latrina. Seu coração começou a bater mais forte e sua pele ficou arrepiada, levemente suada, como ocorrera naquele dia inesquecível em Eton, 25 anos antes.
Ele disse a si mesmo que seu café da manhã não devia ter lhe feito bem. Talvez a manteiga estivesse rançosa.


Era impensável que aquela desprezível réplica feminina o tivesse afetado. Não havia a menor possibilidade de ele se sentir desconcertado por essa mulher de língua afiada que devia ser, como presumiu inicialmente, uma vagabunda desmazelada com quem Bertie estivera na noite anterior. (Livro: O Príncipe dos Canalhas, Pág.24)


Com seu jeito grosseiro e machista, Dain acredita que Jess é uma mulher da vida. Porém, instantes depois, é apresentado a ela pelo irmão, Bertie, aquele que ele sente repulsa e o segue sempre, gastando o que tem e o que não tem. O Belzebu Dain descobre que Jess foi ao encontro do irmão para salvá-lo, pois teme por ele, gastando todo seu dinheiro, devendo à todos e ficando ao léu, correndo até mesmo risco de vida. Ela tem uma língua afiadíssima, além de culta e muito inteligente, e já dispensou diversos pretendentes para um promissor casório, pois acha que nenhum está a sua altura. Contudo, logo de cara, se encanta por aquele que ela deveria estar sentindo repulsa, e de certa forma, se afastar. E o interesse vem de forma intensa por ambos os lados, colocando frente a frente duas pessoas geniosas, em situações hilárias e divertidas e preocupante. Desta forma, o jogo vira, deixando-os ainda mais ligados, fazendo com que se casem, seguindo os dias em uma luta diária entre a "Bela e a Fera".
— Ah, não faça isso — sussurrou ela.
Dain se aproximou, ainda falando aquela língua que parecia hipnotizá-la.


— Você não devia usar esse charme masculino — disse ela, com a voz sufocada. E tocou a manga da camisa dele. — O que eu fiz de tão imperdoável? 


Você me fez desejá-la, disse ele na língua de sua mãe. Você fez com que eu me sentisse solitário, apaixonado. Você me fez desejar o que eu jurei que nunca precisaria, que nuca procuraria. (Livro: O Príncipe dos Canalhas, Pág.92)



Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers.


Eu nem sei como falar sobre este livro, pois ele me levou muito além. Afinal, pelo tumulto que vi por todos os cantos, pensei que fosse me deparar com um enredo onde o sexual fosse a base da trama, o que de fato acontece. Porém, de uma forma sutil e linda. E falando em lindezas, em uma das orelhas do livro, há uma referência de um dos críticos dizendo que "A Bela e a Fera não poderiam ter sido mais bem representados".  E isso faz todo o sentido. S2

Eu me apaixonei por Dain & Jess, dois personagens de personalidades fortes, o que de fato foi o diferencial, pois estou acostumada a ler aquele protagonista masculino lindo e de personalidade dominadora, que sempre tem a mocinha linda e insossa ao lado. E, nesta trama, o protagonista é muito feio aos olhos de todos. Contudo, aos olhos de Jessica, é o homem mais charmoso e másculo do mundo.

Onde há desentendimentos há de se ter envolvimento.

Com um contexto mais que envolvente, onde tanto a narrativa quanto os diálogos me teletransportaram para dentro da trama, e por muitas vezes queria estar na pele da Jess, porque vou dizer, apesar do Belzebu chegar a ser assustador com seus pensamentos, linguajares e atitudes, ele é muito (mas muito mesmo) atraente. Sabe aquele ditado: "é dos canalhas que elas gostam mais". Pois bem, é mais ou menos isso. hahaha

A trama é muito bem amarrada, com cenas quentes e de encher os olhos e a libido, com uma um linguajar bonito de se enveredar. As discussões entre o casal são superdivertidas, com diálogos bem elaborados — e, em uma parte da história, acontece algo que dá uma nova perspectiva para a trama, principalmente para a vida de Dain, onde ele pode encontrar sua verdadeira redenção. O final é o que eu já esperava, e mesmo assim fiquei muito satisfeita. Vocês querem saber se eu gostei? NÃO! Eu AMEI! S2 ... E leria até mesmo a lista de compras da Loretta Chase. \o

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão. No entanto, em alguns trechos, estão de forma mais rebuscada; a diagramação é simples e singela, com letras e espaçamentos na medida certa, adornados em papel pólen (o amarelinho); a revisão está impecável e a capa foi uma das coisas que mais me chamou atenção, pois é linda de viver, estampando Dain e Jess fazendo um de seus passeios. Por fim, para você que curte um enredo de época, divinamente escrito e superenvolvente, eis essa MAGNÍFICA pedida. P.S: Agora vou ficar aqui, em frangalhos, querendo ler todos os livros da Loretta. S2


Livro: O Príncipe dos Canalhas
Autora: Loretta Chase
Gênero: Ficção/Americana
Editora: Arqueiro
Ano: 2015 
Páginas: 288

28 de fev. de 2016

[Poesia] : Melodia dos Ventos — por Maria Catherine Rabello


Perco-me em escuros labirintos 
as flores que encontrei pelos caminhos 
eram pedras que roubaram os meus segredos 
e o meu sorriso! 

Deitada nos braços da solidão 
muito além de mim ... 
no silêncio que perpetua esta distância de ti 
palavras mudas nos versos desfeitos... 

Vejo o passar do tempo 
nada é como sonhei 
— implacável destino — 
perguntas ficaram sem respostas 
nas andanças apenas sombras de mim! 

O vento entre as folhagens parece-se 
com notas de uma melodia assoviada 
eterna música dos anjos 
qual sussurros de uma paixão 
canções harmônicas 
espalhadas pelas ondas do mar... 

Os sonhos levados pela brisa suave... 
Leva-me também ó vento 
inebria-me com tua canção mais linda 
Devolve-me àquele a quem sempre amei
e que se foi... 

...deixando-me apenas 
lembranças desse amor 
que ultrapassa distâncias e 
na sua essência 
soltar a voz exprimindo 
nossos sentimentos! 

Por: Maria Catherine Rabello 

[Falando em]: Pequenos Escritos, Sinistras Histórias — Editora Illuminare

Eu ganhei essa coletânea de uma pessoa 'mais que especial', ou seja, um amigo querido e sem igual, chamado Rick Spitaleti. Afinal de contas, ele participa deste projeto com dois contos. \o/ P.S: Obrigada, Rick! S2

Bom, eu não sou tão fã de coletâneas de contos, pois não me sinto tão íntima dos personagens/enredo — e por sinal, minhas últimas experiências com coletâneas não foram tão agradáveis. Contudo, há de se ter esperança. Sendo assim, afirmo: desta vez, curti. \o Agora confiram a sinopse de "Pequenos Escritos, Sinistras Histórias", uma publicação de editora Illuminare.


Sinopse: Uma coletânea de contos sinistros, sobrenaturais, onde o suspense e o inacreditável andam de mãos dadas. Personagens com uma dose de sinistro em inesquecíveis histórias que não te deixarão dormir. Melhores contos e minicontos do I CONCURSO INTERNACIONAL DE CONTOS E MINICONTOS

"Porque o sinistro pode ser verdadeiro... ou não"






Eis uma coletânea que curti. \o Nela há diversos contos (e minicontos) em que sua temática é marcada pelo sinistro, alguns enveredados pelo sobrenatural, outros pelo mistério, e há também aqueles que são adornados por suspense e drama.

Os contos foram enquadrados perfeitamente no que foi proposto, o que pra mim foi um alívio, pois tempos atrás tive péssimas experiências com algumas coletâneas que li, fugindo até mesmo do propósito real. Este foi o grande diferencial de ter apreciado essa leitura, pois alguns contos achei bem envolventes e escritos — e, claro, me teletransportaram para dentro das páginas. Aliás, eu li o livro em poucas horas, pois ele é breve e de conteúdo fruível. E por tratar-se de contos, não tem como fazer uma resenha específica, pois cada conto é uma nova história. Agora deixarei três trechos dos contos que eu mais curti. \o Sendo um destes do meu amigo Rick Spitaleti.
Eu, parada no meio, curtia a plena sensação da liberdade dentro de cada nota que vinha do palco, da voz gritante que me mandava esquecer de tudo, me desprender. Os braços pendiam no alto da cabeça, soltos, sem um aparente fim, mas congelaram com o que meus olhos viram. "Ele" — pensei. "Com outra?".  — indaguei em silêncio. Seus olhos se mantinham frente a frente, seus lábios pronunciando palavras inaudíveis e os corpos em perfeita sincronia, prontos para se atracar, ou pior. Os lábios se aproximaram à medida  que as minhas lágrimas desciam das glândulas lacrimais até os olhos, enchendo-os de ódio e dor. (Pequenos Escritos, Sinistras Histórias — por Aryane Teixeira)
 Ektor ainda não chegara a esse ponto, porém era um  número dentre tantos covardes que se escondiam em realidades adversas, onde eles "tinham controle" da situação, mesmo que por alguns momentos. E o mundo paralelo criado por ele, como uma válvula de escape para a realidade cruel, veio através do uso cada vez mais contínuo de drogas ilícitas. Quando estava entorpecido, seus problemas eram apagados momentaneamente de seu cérebro, qualquer coisa soava engraçado, era uma ilusão de felicidade suprema. Sentia um bem-estar e uma paz que dificilmente conseguia em sua vidinha miserável de trabalhador assalariado em um depósito onde fazia a separação de materiais recicláveis. (Pequenos Escritos, Sinistras Histórias — por Rick Spitaleti)
Por vezes nutri uma débil esperança de que isto fosse o purgatório, que em algum lugar neste vasto desterro encontraria a montanha espiralada onde são purificadas as almas de seus pecados em vida. Nestes momentos ansiava não tanto pelo arrependimento que levaria ao paraíso, mas sim por alguma forma de transição deste lugar. Porém, percebi que a expectativa não passava de uma ilusão, uma ferramenta para lidar com a nossa incapacidade de encarar a eternidade. Somos limitados em nossa natureza finita, mancos cognitivos impossibilitados de conceber o real sentido da atemporalidade. Constatação que tornou o meu desespero ainda mais presente, reduzindo minha indiferença. (Pequenos Escritos, Sinistras Histórias — por Rodrigo Wolffenbuttel)
Os contos são narrados em primeira e terceira pessoa, com narrativas e diálogos de fácil compreensão; sua diagramação é simples e está com fontes num bom tamanho, porém, achei os espaçamentos bem rentes as laterais, o que dificultou um pouco a leitura; gostei bastante da capa que estampa uma máquina de escrever, fazendo com que o leitor imagine-o como quiser... No meu caso imaginei os amigos-contadores-de-histórias em uma madrugada fria, enveredando-se nos textos que aqui estão, junto desta lindeza de máquina. Para você que curte este gênero terror/suspense, eis uma boa pedida. \o


Coletânea: Pequenos Escritos, Sinistras Histórias
Gênero: Contos/Minicontos
Editora: Illuminare
Ano: 2015
Páginas: 104