O cérebro é o meu segundo órgão favorito.” (Woody Allen)
— Fique quieto!
— Você precisa me escutar…
— Não. Não quero ouvir.
— Não me deixe aqui sentindo tudo sozinho…
— Chega! Você não manda mais aqui.
E virou as costas, desviando seu caminho. O parceiro de tantas paixões, amigo Coração, ficou ressabiado dentro do seu recanto. Foi designado a ele que não saísse de lá, que não exercesse mais função afetiva e continuasse seu trabalho habitual de tocar o sangue para frente, bombear sem titubeios, definir o fluxo, deixar passar, sendo somente motor, apesar de seu potencial eminente.
Cabreiro e abandonado, foi posto de lado pela primeira vez na vida. Sempre fora o Conselheiro-mor., o primeiro a ser inquirido, o autor da palavra final. Ela seguia o que o Coração mandava.
No entanto… alguém chegou para assumir o posto.
— Sim, sim, a casa é sua agora.
— Sempre foi, minha querida, sempre foi. Mas deixei você se iludir um pouco, pois sabia que no tempo certo voltaria para mim.
— Nossa, fui tão imatura que me envergonho disso.
— Sim, é hora de se envergonhar mesmo. Mas vou cuidar de tudo.
E foi assim que o Cérebro, aquela figura amedrontadora por ser tão dono de si, altivo e colossal mesmo com sua pouca estatura, pisoteou fortemente nos vestígios de amor jogados ao chão a fim de não os deixar mais tomar vida.
— O resto é só apêndice.
— Você precisa me escutar…
— Não. Não quero ouvir.
— Não me deixe aqui sentindo tudo sozinho…
— Chega! Você não manda mais aqui.
E virou as costas, desviando seu caminho. O parceiro de tantas paixões, amigo Coração, ficou ressabiado dentro do seu recanto. Foi designado a ele que não saísse de lá, que não exercesse mais função afetiva e continuasse seu trabalho habitual de tocar o sangue para frente, bombear sem titubeios, definir o fluxo, deixar passar, sendo somente motor, apesar de seu potencial eminente.
“Quando se amarra bem o próprio coração e se faz dele um prisioneiro, pode-se permitir ao próprio espírito muitas liberdades.” (Nietzsche)Se era o espírito ou razão que a controlariam, ainda não sabíamos nesse momento da história. O que ficou bem claro, fato consumado em sua totalidade, foi que apesar de cheio de água vermelha, o Coração ficou oco, dolorido em sua umidade. Fora deixado em paz, mas paz mesmo não encontrou. Esse golpe não esperava.
Cabreiro e abandonado, foi posto de lado pela primeira vez na vida. Sempre fora o Conselheiro-mor., o primeiro a ser inquirido, o autor da palavra final. Ela seguia o que o Coração mandava.
O que você sabe, Coração?Ele sempre sabia, mesmo não entendendo. Acertava até quando só palpitava, de palpite mesmo e, às vezes, de palpitação, quando a adrenalina o subjugava. Queria só dizer a ela que não se esquecesse do amor, mas teve as portas trancadas.
No entanto… alguém chegou para assumir o posto.
“Ninguém se mexe! Meu cérebro caiu” (frase de Jack Sparrow, em Piratas do Caribe)— Deixe eu colocar ordem no recinto.
— Sim, sim, a casa é sua agora.
— Sempre foi, minha querida, sempre foi. Mas deixei você se iludir um pouco, pois sabia que no tempo certo voltaria para mim.
— Nossa, fui tão imatura que me envergonho disso.
— Sim, é hora de se envergonhar mesmo. Mas vou cuidar de tudo.
E foi assim que o Cérebro, aquela figura amedrontadora por ser tão dono de si, altivo e colossal mesmo com sua pouca estatura, pisoteou fortemente nos vestígios de amor jogados ao chão a fim de não os deixar mais tomar vida.
— O resto é só apêndice.





