9 de mai. de 2018

"A vida espera pela janela"

A janela não era espaçosa em demasia, mas dava a ela uma visão bastante clara de tudo que interessasse aos seus olhos bisbilhoteiros. Toda envidraçada, ocultada, por vezes, pela cortina a tornar segredo o exterior em alguns momentos, essa abertura era somente sua. 

Nasceu naquela casa, após longas horas de um trabalho de parto exaustivo; rebentou para aquela residência, não para o mundo, como se conta sobre uma nova criança recém-chegada. E, a partir de então, foi lá mesmo que permaneceu. 

Tomava banho de sol pelo reflexo da janela; ouvia o choro e gritos de outras crianças da cadeirinha na sala e as visitas médicas aconteciam sempre nesse mesmo endereço. O próprio doutor havia proferido a sentença, segundo contava o pai. E também a tia, a vizinha, o farmacêutico e a governanta que dela cuidava desde que sua mãe partiu sem despedida, todos pensavam da mesma forma e estava dado o veredicto: ela jamais poderia sair de casa. 

De maneira que nunca ultrapassou a fronteira da porta de entrada. Quando menina, até esforçou-se, esboçou planos de fuga, driblou visitantes que deixavam lacunas à entrada, tentou mesmo convencer os professores que a assistiam, ensinando sobre as artes, matemática, letras e generalidades. Mas nada conseguiu. 

E dezessete anos voaram, como voam números perdidos. A menina curiosa tornou-se, assim, a menina desbotada. 

Da vida lá fora muito conhecia através do que a vista lhe entregava: sabia que as flores cheiravam a alegria; que, além de estrondos, os carros alardeavam os homens, com sua urgência e egotismo; sabia que o vento sacudia diferente os cabelos das meninas que passavam extasiadas com sorvetes nas mãos, provando os sabores uma da outra; sabia que os pássaros cumpriam sua missão religiosamente ao gorjearem seu ‘bom dia’ pela manhã. Tudo isso a fazia sentir-se ora meditativa, ora satisfeita, ora acomodada. 

Mas a menina estreita também não sabia de muitas coisas: não sabia que a chuva podia lavar todas as dúvidas do corpo numa tarde de verão; não sabia que as pessoas corriam e, nem sempre, estavam apressadas, pois muitas vezes o faziam sem olhar para trás, pelo prazer de serem livres; não sabia que se trocavam olhares nos bancos das praças, nas matinês, nas festas comemorativas e que isso poderia fazer o coração acelerar como numa febre; não sabia que não se encontrava a paz somente ouvindo as músicas favoritas, trancada no quarto e que ela podia estar ali num bar, num cemitério, na floricultura, na loja de sapatos, ou quando alguém estava sentado à calçada, fazendo bolhas de sabão. 

Pouco reclamava, pois nada lhe faltava. Se visse nos comerciais à televisão algo que desejasse, no dia seguinte, feito mágica, aquilo caia em suas mãos. 

– Pai. 

– Sim… 

E a menina acanhada disse uma hora qualquer, novamente, sem rodeios: 

– Será que um dia eu poderei frequentar uma faculdade? 

E ele a fitou com os olhos moídos: 

– Claro, minha pequena, um dia poderá… 

– Quando? 

E, dessa vez, foi o telefone que tocou. Outra vez foi a campainha, ou foram interrompidos pela hora do jantar ou do noticiário. 

Só que um dia ela não quis saber da televisão. Ficou ali na sua brecha, paisagem do mundo, olhando o vendedor que trespassava a rua. E, como de costume, escondeu-se quando percebeu que ela a havia notado. Ficou à espreita durante minutos, enquanto também ele expectava para reconhecer quem, à distância, estava a observá-lo. E o mesmo aconteceu no dia seguinte e nos outros. No quinto dia, ela não se ocultou mais e ambos, o andante zeloso e a menina não mais insípida, ficaram dividindo uma conversa sem palavras, baseada num dicionário que somente eles consultaram. 

Naquela noite, a menina arrebatada decidiu que o brilho das estrelas reluziria em seu corpo e seria seu. Juntou roupas em um lençol, carregou de salgadinhos uma sacola e deixou para o pai um bilhete afobado. Preparou-se, dessa forma, para a fuga, lutando contra os anos que deixaria para trás. 

Ele, o seu noivo de olhares, estava lá fora, aguardando sua chegada. De lá, jogou contra a janela aquela que tinha sido a maior pedra que encontrou, a fim de estilhaçar o vidro, pondo fim à barreira que os desunia. 

O barulho despertou a vizinhança. Na casa, acorreram a tentar entender o que acontecia, em meio à desorientação da madrugada. Mas, com exceção do susto, nada aconteceu, o vidro continuou íntegro e o aspirante a raptor correu, sem nem olhar para trás. A menina esmorecida explicou, com a voz escassa: 

– Ladrão. Era um ladrão! 

Enquanto o pai recobrava-se do assombro e telefonava para a polícia, só a governanta reparou no lençol e na sacola, mas nada revelou. Nem comentou sobre o bilhete à mesa de centro, tratou logo de enfiá-lo por dentro da camisola e guardar somente para si a confidência das palavras que não deveriam ser proferidas jamais. 
Através da janela, vejo as horas voando e nunca poderei alcançá-las. Peço desculpas se aqui vivi tempo demais. É hora de não olhar para trás. ” 
[Texto via]: Papo de Fran

[Dezesseis, A Estada da Morte]: Ana Cláudia

Ei, você ainda não conferiu DEZESSEIS - A ESTRADA DA MORTE?! Então dá uma conferida no vídeo abaixo, lembrando que a história foi inspirada na canção Dezesseis, da banda brasileira Legião Urbana. Bem-vindos à estrada da Morte! 📚📚📚


P.S.: Vídeo editado por Simone Pesci

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6 de mai. de 2018

E vamos que vamos...

[Falando em]: Amei Te ver — de Michael Josh

Eu recebi o pdf deste conto antes mesmo de ser lançado em formato digital, direto do amigo/autor Michael Josh. 💘💘💘 Sinto-me honrada por lê-lo antes de todos. Agora te convido a conferir a sinopse e o que eu achei de "Amei Te Ver", um conto que estará disponibilizado gratuitamente (como divulgação do autor), uma publicação independente. Vem junto! 


Sinopse: Você tem uma amizade que nunca mudou... Indiferente do tempo que se passe ou das coisas que acontecem em sua vida? Essa é a amizade de Renata e Felipe. Mesmo com todas as dificuldades que a vida colocou entre os dois, o que ambos sentiam um pelo outro sempre foi inabalável. Até que a vida lhes pregou uma peça. Renata e Felipe irão aprender o significado de um sentimento que preferiram não rotular. “Amei te ver” é uma história sobre amadurecimento e de altos e baixos, tal como a vida deve ser. Será que a amizade será suficiente para suportar todas as dificuldades que a vida colocar em seus caminhos?


"Porque, às vezes, reviver é viver..."






Um lindo conto! 💘💘💘

Felipe é um garoto que sempre tira notas baixas. Renata é uma garota esforçada, mas parece que nada entra na sua cabeça. Ele detesta tabuada. Ela tem dificuldade com as sílabas. Eis que ambos se tornam amigos.

— Você deu uma lição neles... — Renata comentou quando os dois desistiram ou se cansaram da briga. (Conto: Amei Te Ver, de Michael Josh)
(clique na imagem para maior resolução)

A amizade continuou com o passar do tempo, porém Felipe fez uma confissão...
— Eu beijei a Suelen! (Conto: Amei Te Ver, de Michael Josh)
Apesar de triste com tal confissão, o que realmente a deixou devastada foi saber que os pais do amigo estavam se separando e, com isso, Felipe se mudaria com a mãe para outro estado.
— Ótimo... Eu suportaria qualquer coisa nessa vida, menos perder meu melhor amigo. (Conto: Amei Te Ver, de Michael Josh) 
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

AMEI TE VER é nada menos que um conto marcado por despedidas e reencontros. Um sentimento vigente e, ao mesmo tempo, oculto. A mais linda forma de se amar. O desfecho tamborila no peito como uma triste anedota, contudo deixa nas entrelinhas uma linda mensagem. EU AMEI O CONTO! Em verdade, queria que o autor o torna-se um livro.

O conto é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação (em pdf) está boa; e a capa é linda de viver, estampando o casal protagonista. Por fim, para quem curte uma leitura rápido e que toca o coração, eis essa belíssima pedida. Logo menos o conto estará disponível na Amazon.


Conto: Amei Te Ver
Autor: Michael Josh
Gênero: Drama/Romance
Publicação Independente
Páginas: Aproximadamente 25
Ano: 2018

[ENTRE O CÉU E O INFERNO]: Max, Alex e Juan

Já faz um tempão que não posto nada sobre ENTRE O CÉU E O INFERNO, o meu primogênito publicado em 2014 e que, agora, está sendo repaginado para ser novamente publicado. Portanto, deixarei abaixo o parecer de uma das pessoas que conferiu sua versão passada. Logo menos teremos #EOCEOI muito mais lindo e emocionante. 🌷🌷🌷Fiquem atentos!



ALEX (protagonista): Como já disse ela é uma protagonista sem rótulos, por conta de ter tido uma história bem difícil é possível entender seu egoísmo inicial e sua carência no meio do enredo. O lado B de Alex é bem visível quando ela está com Max, o que deixa a história com um lado romântico lindo de se ler, dá a impressão de que ele ativa o que há de bom nela. #perfect

MAX: Bem, o mocinho da história é o típico sujeito que leva Alex ao céu. Só que Max não é o garotinho virgem esperando pela mulher certa aparecer em um vestido branco. O que eu gostei demais é que assim como Alex ele tem um lado B, porém inverso. Esse Lado B é mostrado quando ele próprio conta sobre a adolescência conturbada com Alex e revela que agiria da mesma forma se passasse pelo que ela passou.

JUAN: O típico vilão que eu gosto. Que te surpreende, que aparece quando tudo parece uma maravilha. Talvez o que eu tenha sentido falta foi uma justificativa de sua personalidade, mas é compreensível, por que podia ser que com isso a aura negra dele esmaecesse um pouco.

DONA ELIZA: Linda, linda e linda! Simplesmente amo ela e sei o por quê... Ela me recorda uma pessoa muito querida. Como ela aparece pouco na narrativa não dá pra falar muito dela sem spoliar, mas já adianto... Ela me fez chorar.

HUGO BRANDÃO: A personagem é plenamente justificável em todo o enredo, por suas escolhas e consequências ele é nada menos que um dos responsáveis por Alex ter se tornado a garota que é no começo do livro. Eu gostei muito da trajetória dele e fiquei com um pouco de agonia também.

Não falarei de TITO, CACÁ, TONY por que o que têm a falar deles é spoiler, eles têm uma participação muito curta no enredo.

P.S.: Palavras do amigo e autor, Michael Josh.