6 de ago. de 2017

[Quote]: Entre o Céu e o Inferno

Notei seu semblante de decepção, seguido de uma fúria contida. Era como se eu estivesse arrancando suas asas, deixando-o sem rumo. Ele colocou sua bermuda, e com as mãos na cabeça, também começou a cuspir as palavras: 

— Você está fazendo isso de novo! Quando vai aprender que o mundo não gira ao seu redor e que as pessoas, no geral, também têm suas dores? Você acha que eu não me recordo do meu pai morto ou de minha mãe, daquela forma assustadora? O que a faz pensar que sua vida foi pior que a minha? 

Fiquei desconcertada ao escutar tamanha verdade, tendo um lapso de realidade, ficando cabisbaixa e escutando o que ele ainda tinha a dizer. 

— Garota mimada e egoísta! Eu sempre sofri ao presenciar seu sofrimento. E vê-la vendendo o corpo foi como a morte pra mim. Sempre lhe desejei como mulher, enquanto você sempre me teve como um suporte. Arrancou minhas asas sem piedade e sequer as colocou no lugar — desabafou segurando o meu braço direito com força. 

Eu notei seu mal-estar ao dizer tais verdades. 

— Aprenda, nós só temos esta vida. Coloca sua cabeça no lugar e pensa, se não fosse por Hugo, aquele maldito do Juan ainda estaria solto, e tanto eu quanto você poderíamos estar mortos. Ele arriscou a vida por você e sonha com o seu perdão. Deixe de ser infantil e vá visitá-lo — cuspiu as palavras sem pudor algum. 

Max notou meu semblante perturbado, e sem pestanejar, continuou: 

— Eu até compreendo sua revolta em não querer vê-lo, pois acho que também me sentiria assim. Mas, ao menos, tente pensar de outra forma. Ele sequer deve estar lúcido naquela UTI. Atenda ao pedido de um homem que está prestes a partir desta vida. Essa será sua última chance — soltou o meu braço e seguiu para outro canto do quarto. 

“Cria ó DEUS em mim um coração puro e renova em mim um espírito reto.” (Apóstolo Paulo — carta aos Filipenses 4.13 — Bíblia Sagrada) 

E lembrando-me deste trecho bíblico que não saiu da minha memória, disse: 

— Vamos! Não podemos perder mais tempo.

[Livro: Entre o Céu e o Inferno, Capítulo 24]

2 de ago. de 2017

[Lidos]: Julho de 2017

Olá, lovers! 
Como foram de leituras?! Eu, particularmente, segui um ritmo mais lento. E continuarei assim, ou seja, lendo no meu tempo. A propósito, me enveredei em cinco leituras, sendo três de parcerias que AMO, além de um lindo presente e um e-book que baixei gratuitamente. 💘💘💘 Agora convido a todos para conferir as minhas leituras de Julho. Vem junto! \o/\o/\o/



[clique no título abaixo para conferir a resenha]:

[Conto]: Uma vida a dois — de Júlio Damásio

Comprou-lhe uma mala nova para o velho sonho. Uma viagem de dez dias para uma cidadezinha qualquer do interior. O casal esperou a aposentadoria, os filhos crescerem e formarem suas famílias. 

Ele era razão, casamento perfeito, ela era emoção. Um não se via caminhando pela vida sem o outro. Na semana que antecedia o desejado programa, no momento do café da manhã, quando comia a fatia de pão caseiro que a esposa fizera, antes do elogio de sempre, sentiu fortes dores de cabeça, algumas poucas palavras e se foi… 

Depois do tempo da dor aguda do luto, ficou a dor crônica. Mas ela teve que reaprender a andar sem as mãos dadas com seu amado, a sorrir sem achar graça na vida, a se maquiar sem os elogios do companheiro. Aceitou o convite e foi morar com a filha, genro e netos. Com o dia a dia, distraia sua tristeza, encontrando no sorriso das crianças o motivo para os seus. Porém todas as noites, durante anos, depois de passar pelos quartos dos netos e beijá-los, despedia-se, simbolizando sua partida. Arrumava sua mala com algumas roupas, colocava debaixo da cama, pensando que aquela viagem curta das noites em que encontrava seu amor, poderia ser a viagem longa e definitiva ao encontro tão esperado. Rotineiramente pela manhã, ao abrir os olhos e identificar o seu quarto, ainda que desapontada, sorria. Não era atendida ainda daquela vez. Mas tinha como consolo que passara mais um dia que, no seu entender, era mais um passo na caminhada até seu companheiro. Levantava antes dos demais, fazia café, colocava o pão na mesa, acordava os netos, ia até o jardim e molhava as plantas. Duas vezes por semana, visitava um asilo com um livro de contos debaixo do braço, onde ia contar histórias para igualmente distrair a tristeza daqueles que não tinham netinhos para arrancar-lhes o sorriso. 

Em uma noite, fez o de sempre, beijou e se despediu dos netos antes de dormirem. Arrumou sua mala, deitou, sentia dores no peito, dormiu. Pela manhã, abriu os olhos, decepcionada, viu-se no seu quarto, chamou pelos netos, fez o café, colocou o pão na mesa, foi até o jardim, molhou as plantas, viu sua mala no carreirinho entre as flores, estranhou… Foi aí que ele apareceu e lhe falou: “Vamos embora, minha linda!” De mãos dadas, no sentido oposto da solidão, viajaram pelo caminho de luz até o estado da real felicidade. Júlio Damásio e esposa É minha homenagem a você, meu amor, Júlia Lopes. Foi um dos últimos que narrei, não estava rascunhado ainda. Queria escrever uma poesia, mas não sou poeta, amor. Então receba esse continho que você, como sempre, achou lindo. Entenda que de certa forma, sou a velhinha que a cada dia que passa dou um passo ao seu encontro. Não sei a distância, o tempo, mas um dia eu chego aí.


P.S: Conto escrito pelo autor/poeta Júlio Damásio, 
dedicado para sua eterna amada, Júlia Lopez. 


[Texto de]: Júlio Damásio
[Via]: Paraná Imprensa

"Sobre honrar pai e mãe..."

Hoje o dia amanheceu estranho, um presságio de que algo errado estava por vir. E isso não me abalou, pois eu já esperava. O triste é constatar o quão mesquinho e ingrato é o ser humano, levando ao Tribunal um inquérito injusto, e tendo como veredito final uma sentença ordinária. Seria tão mais fácil se o ser humano seguisse o 4º mandamento da Bíblia, ou seja, honrar ao pai e a mãe. Mas a vida é assim: uma estrada insana a ser percorrida. E ainda que o invólucro intratável continue andando sobre espinhos, desejo que seus dias sejam prolongados na terra, transformados em sabedoria, respeito e, principalmente, GRATIDÃO!" 

[Pensamento da vez]: Simone Pesci

1 de ago. de 2017

[Falando em]: Por Um Amor Como Dos Livros — de Paula Toyneti Benalia

Essa foi a minha última leitura de Julho, e não postei o meu parecer antes, pois estava na correria. Eu baixei o livro — gratuitamente — em formato digital. Confesso que essa capa divina despertou meu interesse. Depois fui dar uma conferida no título, e, claro, na sinopse, e me interessei ainda mais. Até então eu desconhecia a autora/obra. Confira a sinopse e o meu parecer de "Por Um Amor Como Dos Livros", obra da autora Paula Toyneti Benalia, uma publicação independente. 


Sinopse: Nicolle é uma daquelas garotas que sempre tem um sorriso no rosto, mesmo sofrendo as crueldades da vida. Filha de um alcoólatra e de uma mãe negligente, ela pouco conheceu do amor. Em um fatídico dia, recebe a notícia de que está com uma grave doença e com os dias contados. Ela resolve então se jogar em uma busca por seu sonho: ter um amor como dos seus livros de romances preferidos. Ela só não esperava se apaixonar pelo homem mais cheio de defeitos que já tinha conhecido. Kauã é um delegado frio. Marcado por perdas do passado, jurou nunca mais amar alguém. Ele só não imaginava que seu coração tinha outros planos. Um romance profundo e envolvente que vai te levar das risos as lágrimas. "Ela queria tanto as coisas dessem certo. Sonhava com um mundo onde todas as coisas se encaixassem. então começou a colocar amor em tudo e por fim.....encontrou sentido até na dor." 


"Porque há de se viver um amor como dos livros..."






Um clichê leve de se ler! 

Aos dezesseis anos, Nicolle descobre estar com leucemia. Agora, com vinte e um, é informada que está com os dias contados. Filha de um pai alcoólatra e violento, além de uma mãe inadimplente, ela segue os dias sobrevivendo com um sorriso na face. 


(clique na imagem para maior resolução)

Continuei minha caminhada rumo para casa, com uma sentença de morte nas mãos, uma caveira desenhada na sacola e o pé sangrando. (Livro: Por Um Amor Como Dos Livros, Cap.1)
Retornando de uma consulta médica é confundida com uma assaltante, acabando sendo presa por engano. O que ela não contava é que o troglodita (e lindo) delegado Kauã Marques despertasse sua atenção. Depois de toda confusão, ele mostra-se interessado em cuidar dela, levando e buscando-a no trabalho, iniciando um envolvimento.
Era algo tão simples. Um toque no meu rosto. Porém, tinha um efeito tão avassalador que parecia que ele tocava meu coração. (Livro: Por Um Amor Como Dos Livros, Cap.5)
E mesmo com inúmeras tribulações, ela continua seguindo os dias de um jeito peculiar, com seu humor sarcástico e envolvendo-se com o delegado. Nicolle sonha — como nos livros que lê — viver um grande amor, e faz uma lista de como deve ser esse amor. No entanto, o improvável torna-se provável, e tanto ela quanto Kauã passam da ficção para um amor real. 
— Não sei o que fizeram com você. Nem quero imaginar para não enlouquecer. Não sei que formas de amor você conhece ou desconhece — seus olhos atravessaram a minha alma —, não quero só sexo. Eu nem sei o que eu quero, mas sei que você é importante pra mim. Sei que quero cuidar de você e tem sido insuportável te ver machucada. (Livro: Por Um Amor Como Dos Livros, Cap.12)
Agora cesso os comentários para não soltar spoilers.

Quando me deparei com essa linda capa, feita por uma das capistas que mais gosto — Marina Avila — enlouqueci. Eu iniciei a leitura com o pé atrás, pois desconhecia a autora, e ainda nos primeiros capítulos, fiquei perdidamente apaixonada pelo conteúdo. Eu sempre curti enredos clichês, se ele tiver um toque de Chick-Lit, melhor ainda. No entanto, na metade da história, muitas coisas começaram a me desanimar: o fato de ter dois adultos tão imaturos é um das coisas, afinal, as ações dos personagens se encaixaria melhor com protagonistas adolescentes.

A autora perdeu o fio da meada: em certos trechos mostrava um conteúdo intenso e verossímil; no parágrafo seguinte apresentava furos e faltou profundidade. Apesar dos contras houve os prós: e isso se encaixa na leve e deliciosa escrita da autora, e na personalidade de Nicolle, que mesmo passando por muitas tribulações, sempre leva consigo um sorriso estampado no rosto. Essa é a minha opinião, o que não interfere em totalidade, pois o que não foi bom pra mim, pode ser maravilhoso para você. E SIM, pretendo ler outros livros da autora. o/

O enredo é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, levando consigo (a cada início de capítulo), flores; e a capa nem preciso dizer, né? Simplesmente linda de viver.



Livro: Por Um Amor Como Dos Livros
Autora: Paula Toyneti Benalia
Gênero: Romance/Chick-Lit
Publicação Independente
Ano:2017
Páginas: 298