26 de abr de 2019

Sobre gentilezas e afins...

Fui ao mercado hoje pela manhã e fiquei espantado com o preço do bom dia. Faz um tempo que tenho notado a sua escassez e, por sinal, ouvi na rádio dia desses que há uma procura bem maior do que a atual produção mundial, alavancando o índice da má educação. Não sabia; porém, que o impacto seria tão grande para o consumidor final. 

Percebi também uma grande alta nos preços dos obrigados. Conversando com o gentil rapaz que cuida dessa seção, ele explicou que grandes intempéries de orgulho têm atingido as mudas de gratidão, influenciando diretamente nas baixas safras dos últimos tempos. Com isso, a maioria das pessoas está optando por deixar de lado o seu uso. 

Além dos altos preços dos produtos acima, verifiquei a falta nas prateleiras do como vai original. E olha que tenho procurado faz tempo. Em contrapartida, constatei o aumento de algumas marcas similares, com um preço até inferior, mas são daqueles como vai que não esperam resposta sincera, que só aceitam um tudo bem, já que o interesse é falsificado. Pior, esses como vai apresentam na sua casca uma cara de tédio quando a resposta é um desabafo sincero. Para aumentar as vendas, alguns deles vêm até com promoção: Na compra de um como vai similar, você ganha um abraço com nojo, um tapinha nas costas e um "assim mesmo é a vida, fazer o quê?" 

Só que prefiro o como vai original, aquele com abraço apertado, sem tapinhas. Ele vem de fábrica com olho no olho, com um sorriso cordial, acompanha também um ouvido atento e, mesmo que a boca nada diga, os olhos tagarelam frases de carinho, de atenção e de empatia. Infelizmente, como dito, está difícil encontrá-lo por aí. 

Até procurei conversar com a dona do mercado sobre a falta de tais produtos. Ela falou dos tempos, da correria, dos problemas, da tecnologia e um monte de coisas mais. Agradeci a sua explicação, mesmo que consternado. Daí fui ao caixa, passei minhas compras, gastei ali mesmo mais um bom dia e mais um obrigado e paguei com um sorriso. 

[Texto de]: José Escrevente

21 de abr de 2019

[Falando em]: O Anjo e a Fera — de Elissande Tenebrarh

Já faz algum tempo que tenho esse e-book no meu Kindle, porém só agora resolvi me aventurar nessa leitura. Já conferi outros textos da autora (em parceria com outra autora), e gostei muito, o que só me empolgou mais com essa obra. Trata-se de uma nova versão de A Bela e a Fera, que, em verdade, faz parte de uma série chamada "Novos Contos de Fadas". Agora convido a todos para conferir a sinopse, book trailer e o que eu achei de "O Anjo e a Fera", obra da autora Elissande Tenebrarh, uma publicação independente. 


Sinopse: “Ela o amou mesmo conhecendo seu pior lado." França, 1820. Stephen tem marcas na pele e na alma. O belo lorde que lutou bravamente durante a guerra é agora motivo de pavor entre a sociedade francesa. É por esse motivo que vive há anos enclausurado em sua própria casa, longe das pessoas que um dia fizeram parte de sua vida, vivendo sob a sombra de seus próprios demônios. Isso, porém, muda quando ele encontra uma jovem machucada e corrompida, jogada em frente a sua porta. Seu único instinto é salvá-la. E ele o faz. Ao acordar em uma cama de lençóis macios e quentes, Rosaleen percebe que não foi um sonho. Tudo, todo aquele terror, realmente aconteceu. Desorientada, a jovem sabe que não pode ficar lamentando-se, mas, mesmo estando protegida naquela imensa casa, não está a salvo. Sabe que deve partir, mas seu salvador, o homem que lhe acolheu, não concorda exatamente com esse pensamento. Misterioso e sedutor, o homem que tem o rosto coberto por uma máscara revela a Rosaleen quais são seus planos para ela, que, assim que os compreende, percebe que está em grandes problemas. Quando a consequência de uma noite terrível se evidencia, os dois se veem envolvidos em uma situação incomum, a qual testa os limites de ambos, colocando-os em prova, assim como a chama de desejo e paixão que surge entre eles. Com sua docilidade e bom humor, Rosaleen fará de tudo para provar a Stephen que está disposta a salvá-lo, se ele aceitar entregar seu coração a ela. 




"Porque há de se amar até mesmo uma fera..." 

Uma trama apaixonante! 💘💘💘

França, 1820

Stephen tem trinta e um anos. No passado ele tivera na guerra e, em uma das circunstâncias, fora atingido na face, onde ficara uma terrível cicatriz. Tal intempérie o fez conhecido como A Fera de Bordeaux, além de torná-lo um homem com terríveis cicatrizes na alma.  
Mas ele não era mais humano. Sua alma não lhe pertencia mais, havia ficado perdida naquele campo de batalha. (Livro: O Anjo e a Fera, Cap.1)
(clique na imagem para maior resolução)

Em uma noite em que ele está à mercê de seus tormentos, abaixo de sua janela, Stephen escuta alguns pedidos de socorro. Na manhã seguinte, em sua porta, ele dá de cara com Rosaleen desacordada e machucada. Sem pestanejar, ele a socorre, e quando a mesma está melhor, é informada que terá de pagar sua dívida, prestando serviços para ele como sua criada. 
 Você trabalhará para mim, senhorita Wickford  ele começou a falar, com a voz mais branda.  Sua dívida será paga com trabalho. (Livro: O Anjo e a Fera, Cap.4)
O improvável se torna presente, quando ambos (mesmo com suas alarmantes diferenças), se apaixonam. E devido a um suposto contratempo, eles decidem se casar. A bela, enfim, começa a amolecer o coração da fera. 
Fora esse anjo, sua Rosaleen, quem o ensinara, da forma mais doce, que nenhum ser humano deve ser julgado por sua aparência e que todos são dignos de amor. O amor é capaz de curar qualquer ferida, é capaz de abrandar os corações mais empedernidos e fazer florescer a vida onde há somente tristeza, rancor e dor. (Livro: O Anjo e a Fera, Final)
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

Sabe aquela história recheada de carinho?! Então, foi assim que me senti ao me aventurar nessa obra, rodeada de carinho, em uma nova e entorpecente versão de A Bela e a Fera.

O ANJO E A FERA é uma trama que aborda a cumplicidade entre duas pessoas; uma cumplicidade que cresce aos poucos, em doses homeopáticas, mostrando que até mesmo o improvável pode tornar-se provável. Trata-se de um romance de época, onde cada qual carrega suas feridas, onde cicatrizes são expostas. Stephen é o famoso durão com uma impetuosidade alarmante, mas, no fundo, és um homem de bom coração. Rosaleen, por outro lado, mesmo com suas feridas, é a ponta de escape que falta na vida desta fera. Ela é doce e ingênua: ela é o antídoto para todo o mal que Stephen vive. A trama é bem escrita e leva consigo algumas cenas hot e de humor. O final, apesar de previsível, é bonito. Senti falta de um dos personagens que me cativaram durante a leitura, ou seja, Lord Matthew Cheeven, contador e amigo de Stephen (eu queria ler a história dele o/). Por fim, para você que curte um apaixonante romance de época, ou melhor dizendo, uma nova e ousada versão de um conto de fadas, eis essa excelente pedida. 

A trama é narrada em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, no formato digital; e a capa é uma lindeza sem tamanho, estampando ninguém menos que Rosaleen. 


Livro: O ANJO E A FERA (NOVOS CONTOS DE FADAS #2)
Autora: Elissande Tenebrarh
Gênero: Romance de Época
Publicação  Independente
Ano: 2017
Páginas: 433

19 de abr de 2019

"Ache o que quiser de mim, isso não muda quem eu sou"

Viver querendo agradar, desejando nunca desapontar ninguém, aspirando a perfeição, buscando corresponder a todas as expectativas, almejando jamais ser criticado… tudo isso cansa e provoca um desgaste enorme, uma perda de energia e um desrespeito tremendo por nós mesmos. 

Leva tempo até que a gente aprenda que nosso valor não está nos elogios que recebemos ou nas decepções que não causamos, mas sim naquilo que a gente é realmente, independente das opiniões a nosso respeito. 

É claro que não podemos viver isolados em nossas bolhas, centrados no próprio umbigo, desprezando todo o resto, mas de vez em quando é necessária uma boa dose de autoconfiança para dar um fod#-se a toda e qualquer exigência a nosso respeito e adquirirmos uma fé enorme em nosso jeito único de ser e de escolher, independente do que esperam de nós. 

Certa vez li uma frase que dizia mais ou menos assim: “Autoestima não significa “eles vão gostar de mim”. Autoestima significa “tudo bem se eles não gostarem””. E é exatamente isso. Às vezes a gente foca tanto no desejo de agradar, na vontade de ser aceito, na expectativa de ser amado, que se afasta do mais importante: nós mesmos. Quando nosso desejo de ser amado pelo outro supera o respeito que temos por nós mesmos, perdemos a capacidade de impor limites, de dizer “não”, de nos resguardar, de nos reservar o direito de seguir nosso coração. 

Viver preocupado com o que as pessoas pensam a meu respeito, com o que as pessoas esperam de mim, com o que as pessoas desejam que eu seja… é uma das formas mais cruéis de se viver e se posicionar na vida. As pessoas podem achar o que quiserem, podem me amar ou me odiar, isso não muda quem eu sou. 

Zele por aqueles que ama, respeite os que te cercam, honre sua família. Mas não se afaste de si mesmo só pelo desejo de agradar ou por não suportar as críticas. 

Viver querendo agradar nos torna marionetes na mão de quem se vale da boa vontade alheia para satisfazer os próprios caprichos. Frustrações fazem parte da vida, e vez ou outra você irá frustrar ou decepcionar alguém, mas isso não coloca por água abaixo todo o valor que você tem. Aprenda a suportar a ideia de que você não é infalível. Você também erra, também tem limites, também é imperfeito, e está tudo bem. 

Faça o seu possível e peça a Deus que cuide do impossível. Você não controla tudo, não dá conta de tudo, não é infalível. Absolva seus erros, perdoe suas limitações, respeite seu tempo. Aprenda a dar limites, a dizer “não” àquela solicitação, à andar no seu ritmo. Você irá descobrir que aqueles que te amam e te respeitam não deixam de estar ao seu lado quando algo não sai conforme o combinado. Ame-se o bastante para entender que nem sempre será aceito como gostaria, e está tudo bem. E, finalmente, não se cobre tanto. Entenda que mais importante que fazer tudo certo é conseguir se perdoar quando algo dá errado, pois como diz o ditado: “Seja uma boa pessoa. Mas não perca seu tempo provando isso”. 

[Por]: Fabíola Simões 

[Falando em]: Desolada — de Agatha de Assis

Eu baixei esse e-book gratuitamente e, novamente, tive uma grata surpresa. Já conferi outros textos da autora, que, por sinal, curti  e por isso não hesitei ao me aventurar nesse livro. Agora confira a sinopse, book trailer e o que eu achei de "Desolada", o primeiro de uma duologia, obra da autora Agatha de Assis, uma publicação do selo Escrevendo Para Renascer


Sinopse: Após acordar de um pesadelo da qual uma garota é assassinada por um anjo caído na Primeira Guerra Mundial, Dakota, uma adolescente problemática, começa a sofrer uma perseguição demoníaca. Tudo no início parece apenas delírio, até que ela começa a ir em busca de respostas; respostas que talvez nunca quisesse saber, e quanto mais busca, mais fica presa na armadilha de seu inimigo. Como algo fora de controle envolvendo laços familiares profundos, uma visão do passado, coisas apagadas de sua memória, experiências com o Divino e uma única certeza: a de não conseguir sobreviver.




"Porque há de se destruir o mal..." 





Uma grata surpresa!

São Paulo, Abril de 2014

Dakota Swarty tem dezessete anos e está no último ano do ensino médio. Ela é uma linda garota, porém um tanto arrogante. Em meio aos caos que é sua vida, entre fortes crises de depressão, ela passa a sonhar com uma garota que fora seduzida por um anjo caído, em plena Primeira Guerra Mundial.
Enquanto Dakota tomava o seu banho, viajou em pensamentos, no sonho que teve. Perguntou a si mesma o motivo dela estar preocupada com aquela garota que nem conhecia. (Livro: Desolada, de Agatha de Assis)
(clique na imagem para maior resolução)

Uma noite, ao voltar de uma festa, Dakota sofre um acidente e entra em coma. E durante essa terrível letargia, ela viaja no tempo, indo para o cenário da Primeira Guerra Mundial e ficando de frente com a garota de seus sonhos, que se chama Paola e, em verdade, é sua avó.
Como vim parar aqui? Por que isso está acontecendo? O que é essa maldição? Quem é esse anjo, ou seja lá o que for que tem me atormentando? Por que ele me induziu a cair na profunda tristeza, renegando minha própria vida? (Livro: Desolada, de Agatha de Assis)
Ainda em coma, ela é informada que sua linhagem é parte de uma maldição; uma maldição que a persegue em vida, entristecendo-a e deixando-a desvairada. Ao acordar do coma, com ajuda da sua melhor amiga, Aline, tenta descobrir os mistérios que envolve sua vida. 
E Dakota era um fantoche, mas daqueles que sua energia vital, seu sangue, seu fôlego, sua vida era indispensável ao anjo possuidor de seus pesadelos. (Livro: Desolada, de Agatha de Assis)
 Agora cesso os comentários para não soltar spoilers

Bom, antes de qualquer coisa, quero dizer que em certo ponto me identifiquei com Dakota, afinal, sofro com depressão e ansiedade, e creio, indubitavelmente, que somos influenciados pelo mal, por isso nos tornamos fantoches de tais intempéries. 

DESOLADA é um pedido de socorro, onde uma garota influenciada pelo mal, descobre-se capaz de vencê-lo. Mas, ainda assim, é persuadida por tal sombriedade, testando o seu limite entre o que é real e loucura. Trata-se de uma leitura rápida e que leva consigo alguns questionamentos/ensinamentos, abordando a amizade e quão o mal pode influenciar em nossas vidas. Algumas pontas ficaram soltas, mas creio que tenha sido intencional para a sua sequência, que levará como título Redimida. A escrita da autora é singela e envolvente, eu senti falta de aprofundamento em algumas situações e personagens, mas nada disso atrapalhou a leitura. O final é cheio de reviravoltas e bem legal, fiquei imaginando toda a cena como se fosse um filme. Há um final alternativo, e foi dele que gostei. A propósito, fiquei com um gostinho de "quero mais". Por fim, para quem curte um romance sobrenatural, eis essa boa pedida. 

A trama é narrada em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, no formato digital; e a capa é bonita (amo capa com rosto), estampando ninguém menos do que Dakota. 


Livro: Desolada #1
Autora: Agatha de Assis
Gênero: Romance/Sobrenatural
Selo: Escrevendo Para Renascer
Ano: 2014
Páginas: 125

8 de abr de 2019

[Falando em]: Se eu fosse um anjo, cairia por você — de B. Pellizer

Eu baixei esse e-book gratuitamente. A propósito, já tive uma boa experiência com um dos textos da autora (para conferir a resenha, clique AQUI). E por tal motivo, não hesitei ao ingressar nessa aventura. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei de "Se eu fosse um anjo, cairia por você", obra da autora B. Pellizer, uma publicação da editora Raredes


Sinopse: Condenado a passar mil anos sobre a Terra por ter traficado Sangue Santo dentro do Inferno, o demônio Remoir tenta vencer a fome de seus últimos anos de exílio, quando vê, diante de uma igreja, uma moça miúda cujos cabelos tinham a mesma cor dos olhos. Encantado com a visão da moça chamada Geórgia, Remoir foge daquele lugar do planeta a fim de conter seus pensamentos embaraçosamente românticos e deixa seu Supervisor tomar conhecimento de seus pensamentos inadequados. Assim Remoir foi apresentado ao seu segundo inferno: o inferno pessoal nascido de seu desejo pessoal e incontrolável de ficar perto daquela humana, e de sua necessidade de protegê-la do diabo ou de Deus, ao mesmo tempo que disputa a posse de sua alma.


"Porque há males que vem para o mal..." 

Uma trama instigante!

Remoir é um demônio que se alimenta do sangue dos condenados. Dentre a hierarquia do inferno, ele é renascido na Classe B, podendo, assim, ganhar uma nova e terrível forma. Em sua existência se atenta para não consumir Sangue Santo, pois com isso pode tornar-se um ser "do bem".
Eu nunca provara Sangue Santo, mas ao me ver encantado pelos olhos daquela menina perdida à entrada de uma igreja, perguntei-me se, por acaso, eu não teria me intoxicado involuntariamente por um pouco dele. (Livro: Se eu fosse um anjo, cairia por você - de B. Pellizer)

O que Remoir não contava é que ficaria de frente com Geórgia, a menina por quem se interessou e que estava no inferno, pedindo por danação, afinal, ela fora influenciada a fazer coisas terríveis por outro demônio, chamado Natuel. 
Poderia ser o melhor momento da minha vida, eu poderia estar me descobrindo em todo meu esplendor demoníaco, ao invés disso, estava sem qualquer controle sobre meu ser, temendo de desejo e amor por uma humana amarga. (Livro: Se eu fosse um anjo, cairia por você - de B. Pellizer)
A fim de se proteger de tal sentimento, Remoir passa um século e meio na terra, alimentando-se dos condenados e tentando distanciar-se daquela que lhe despertou o interesse. Contudo, ele teve que retornar ao inferno.
— Se eu fosse um anjo, Geórgia, eu cairia só para poder ficar perto de ti, mas assim, como sou, não sei como te ajudar, não sei como te tirar daqui, não sei como arrancar a culpa de dentro de teu coração. — Segurei o rosto pequeno de meu grande amor. — Por enquanto, só o que posso fazer, é garantir que ninguém tocará em ti. (Livro: Se eu fosse um anjo, cairia por você - de B. Pellizer)
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

Antes de qualquer coisa, digo: "Perdoe-me, senhor!... Eu tenho um fraco por vilões!!!" E com esse livro não foi diferente, pois caí de amores por Remoir. Trata-se de um romance sobrenatural que, para alguns, pode parecer uma blasfêmia, mas que, em verdade, é uma história contagiante (P.S.: Mantenham a cabeça aberta para a leitura, amores - hahaha).

SE EU FOSSE UM ANJO, CAIRIA POR VOCÊ carrega consigo um tom hilário, apresentando ao leitor as faces de um demônio e seu  digamos assim  amor proibido. O improvável se torna provável, e isso faz da história ainda mais interessante. O bem e o mal nos envolve aos poucos, em doses homeopáticas. Não há como dizer mais sem soltar spoilers, o que posso afirmar é que a criatividade e escrita da autora é entorpecente e diferente do livro DUAS VIDAS, o texto está mais enxuto, e por isso, a meu ver, mais deleitoso. Os capítulos finais, em especial, tecem uma atratividade maior, em uma das cenas lembrei-me de um filme que amo muito, ou seja, Cidade dos Anjos  e o final é perfeito, deixando um gostinho de quero "bem mais" (espero que a autora faça isso). Por fim, para quem curte uma pegada sobrenatural, com um quê de romance, és uma excelente pedida.

A trama é narrada em primeira pessoa, com narrativa um pouco rebuscada, porém de fácil compreensão; a diagramação está boa, no padrão digital; e a capa, tal quanto o título, é atrativa e sedutora, mostrando o mal, ou melhor, Remoir, em sua mais pura essência.


Livro: Se eu fosse um anjo, cairia por você
Autora: B. Pellizer
Gênero: Romance/Sobrenatural
Editora: Raredes
Ano: 2017
Páginas: 185

[Falando em]: SE EU NÃO TIVESSE TE CONHECIDO - Série

Deixa eu respirar antes de falar sobre essa lindeza de série, mais uma produção da Netflix, inspirada na obra de Sergi Bebel, com o título original de SI NO THAGUÉS CONEGUT. A propósito, maratonei ela em menos de vinte e quatro horas... E achei a produção de uma sensibilidade sem igual, com personagens que grudam na pele e um roteiro cativante. Agora vem junto conferir a sinopse, trailer, ficha técnica e o que eu achei de "SE EU NÃO TIVESSE TE CONHECIDO". 💘💘💘



Sinopse: Após perder a família em um trágico acidente, Eduard entra em profunda depressão. E ao tentar o suicídio, é impedido por uma senhora chamada Dra. Everest, uma astrofísica que propõe a ele viajar no tempo (em universos paralelos), o que ele aceita de prontidão, a fim de mudar a trágica história que partira o seu coração, tentando trazer de volta a sua mulher, Elisa, e os seus dois filhos.





FICHA TÉCNICA 
Título Original: Si no t'hagués conegut
Título no Brasil: SE EU NÃO TIVESSE TE CONHECIDO
Ano produção: 2018
Dirigido por: Joan Noguera
Estreia no Brasil: 15 de Março de 2019
Classificação: Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Drama / Ficção Científica / Romance
Países de Origem: Espanha
Roteiro: Cristina Clemente, Sergi Belbel
Produtores: Jaume Banacolocha, Sergi Belbel
Elenco: Andrea Ros (Elisa Pablo),  Pablo Derqui (Eduard), Abel Folk (Joan), David Vert (Pere), Eli Iranzo (Roser), Javier Beltrán (Òscar), Mercedes Sampietro (Liz Everest), Miquel García Borda (Lluís Antich), Montse Guallar (Maria), Olalla Escribano (Míriam), Paula Malia (Clara), Sergi López (Manel).



Trata-se de uma mistura de drama com ficção científica, abordando as escolhas que tomamos em nossas vidas, levando-nos a questionar o famoso "E SE..." e suas possíveis vertentes, nivelando-as, às vezes, para propósitos não tão acalentantes. E isso se dá na vida de Eduard, ao perder a família em um acidente de carro do qual ele — de certo modo — carrega culpa. Quando o mesmo se vê em uma nova chance, ou seja, em universo paralelo, ele tenta (de todas as formas), mudar o destino trágico que teve sua família. Mas o destino não pode ser persuadido pelos seus anseios e, cada vez mais, ele se encontra numa sinuca de bico, sendo guiado para situações mais improváveis e — chego a dizer — de cortar o coração.


MINHAS CONSIDERAÇÕES:

Sabe aquele roteiro cheio de sentimentos e que te faz pensar na vida e suas escolhas?! Foi assim que senti ao assistir essa produção: fui, aos poucos, jogada para dentro da trama. Confesso que no início achei ela um pouco arrastada, mas conforme seguia os episódios, tudo se encaixava na mais perfeita harmonia, mesmo que os acontecimentos não fossem como eu (e o coitado do Eduard) desejava. Cada viagem feita pelo protagonista me deixava mais íntima dele, e cada perda me emocionou em demasia. 

Este é um enredo para se sentir e, claro, refletir... Um drama para lá de dilacerante e surpreendente, uma especulação de como seria se pudéssemos mudar as coisas em um universo paralelo?! O que de fato escolheríamos: se estar ou não na vida daqueles que amamos?... Pois bem, essa trama mexeu tanto comigo que fica difícil dizer o turbilhão de emoções que senti ao assisti-la: cada episódio eu ansiava por mais, mesmo ficando de coração partido. E mesmo sacando a mensagem final, ainda assim não deixei de deleitar-me com esse conglomerado de sentimentos adversos. Eu me apeguei aos personagens, tão quanto ao enredo. E o final, mesmo sendo redondinho, deixou um gostinho de quero mais. Tenho que parabenizar aos envolvidos, principalmente na caracterização dos personagens nos anos noventa: é tudo tão perfeito que me fez querer voltar no tempo. O roteiro é assinado pelo criador da obra, Serj Bebel. Por fim, para quem curte um dramão daqueles, com uma magia que transcende o universo, eis essa belíssima pedida. 💘💘💘 

5 de abr de 2019

[Lidos]: Março de 2019

Olá, amores!

Aqui estou, para/como de costume falar sobre as minhas leituras do mês que passou. Desta vez li quatro livros, sendo uma antologia de fantasia e três romances/new adult. A propósito, um destes foi uma releitura, pois trata-se de uma das autoras que eu mais amo. 💘💘💘 Agora convido a todos para conferir as minhas leituras de Março. Vem junto! o/


[clique nos títulos para conferir as resenhas]:

P.S.: E vocês, como foram de leituras?!

"Ria seu riso"

Livrai-me de tudo que me trava o riso.” (Caio Fernando Abreu)

Por onde andava, ninguém sabia ao certo, havia muito que não concedia o ar de sua graça, graça mesmo, por inteiro. Atrás das responsabilidades, boletos, relações enganosas e eclipses do dia, o Riso se perdera. Não se mostrava na rotina, não aparecia nas horas escuras, nem no calor das piadas, já que era mais fácil ser sério, era mais fácil ser brando, era mais simples ser vazio. 

Mas havia sede, desespero pelo contentamento, a tristeza não tem fim, o Riso sim, tem hora para começar e limite para acabar, então não poderia entrar com calma, sem ocupar muito espaço, tinha que preencher todos os poros, abrir bem os pulmões, aerar a garganta, hipersalivar os dentes, arregaçar a alma para esse soco de liberdade. 

O Riso tem sim a sua hora, no entanto, eterniza um simples instante. 

Para quem segue muito armado de si, o Riso nem sempre engana, pois fica difícil sair, mas se pego desprevenido, ele chega para transbordar. Chega para se atirar mesmo, é um interruptor da loucura, uma pausa nobre e bem encaixada para a dor, um energizante para quem vem se arrastando pelas pedras de seus caminhos. 

Uma boa risada deveria ser transmitida em rede nacional, tocar na rádio, ter zilhões de visualizações no Youtube, com direito a close no céu da boca, zoom na lágrima espremida no canto do olho, foco na melancolia que foi empurrada contra a parede nesse momento de magia e insensatez. 

O Riso não quer saber de rsrs ou hehe, ele quer muito kkkkkkkkkkkkkkkkkkk, muito hahahahahaha… bem comprido, com reticências, que é para o Riso fingir que não termina nunca, que o dia não termina. O Riso quer saber do áudio com explosão, risada vívida, em tempo real. 

Tudo bem que não precisa ser histérica, mas também risada contida é muito pobre, desmerecida. O Riso prefere aquelas caras que ficam abertas, sem ocultar as rugas, aquela gargalhada de quem tem beleza no íntimo e é essa que importa ser exibida. 

Enfim, ela sucumbiu, permitiu ao Riso sair, e todo o mundo ao redor riu sua risada, gargalhou junto. Também fez chorar, porque o Riso lambuza o rosto de euforia e a lágrima maximiza o prazer, além de lavar e levar o que é ultrapassado consigo. 

E que muitos risos se abeirem, desçam ladeira abaixo, viajem sem fronteira e se joguem no abismo, que isso mal não faz e sim enternece. E que, dessa forma, o novo surja, freie o simples, o brando, o vazio e que o peito se infle e os olhos se fechem para que o Riso seja longo e seja todo dele, todo nosso, completo em si. 

[Texto via]: Papo de Fran