22 de jun de 2017

[Falando em]: Veneno — de Mia Sheridan

Eu recebi esse livro como parceria do blog "Uma leitura a mais", o qual contribuo como colaboradora (P.S: Obrigada, Re!). Trata-se de uma série que consiste nas características de um signo do Zodíaco. Essa trama, por sinal, se baseia na mitologia de Escorpião. Tempos atrás eu li outro enredo dessa série que me deixou numa baita ressaca literária, chamado "A voz do Arqueiro", este baseado na mitologia de Sagitário (para conferir a resenha, clique AQUI). Agora confira a sinopse e o meu parecer de "Veneno", obra da autora Mia Sheridan, uma publicação da editora Arqueiro.


Sinopse: Grace Hamilton tem 23 anos e é estudante de direito. Após as dificuldades enfrentadas na infância, ela faz de tudo para não decepcionar o pai, segue todas as regras, é dedicada e cheia de planos. Porém, após viajar para uma conferência de direito em Las Vegas e conhecer Carson Stinger, ela começa a repensar a vida. Sexy e impulsivo, Carson é um ator que gosta de curtir o momento e nunca se apegou a ninguém. Mas isso muda quando seu caminho cruza com o de Grace, uma universitária certinha e diferente de todas as mulheres que ele já conheceu. Ao longo de um fim de semana inesquecível, eles superam os próprios preconceitos e se entregam ao desejo. Pela primeira vez na vida, Grace se permite quebrar as regras e Carson se deixa envolver de verdade. Quando se despedem, nenhum dos dois é mais o mesmo, mas ambos têm certeza de que jamais voltarão a se ver. Contudo, anos depois eles estão de novo frente a frente: ele, apoiando o amigo acusado de homicídio; ela, sendo a promotora encarregada do caso. Mais uma vez a chama da paixão se acende em Carson e Grace e as circunstâncias parecem afastá-los. Se a vida nem sempre pode ser planejada, será que o acaso conseguirá ajudá-los a ficar juntos? 


"Porque o veneno pode ser a cura..."





(clique em cima da imagem para maior resolução)


Um enredo envolvente!

Grace Hamilton passou a ter uma responsabilidade maior, desde que seu irmão caçula falecera, cuidando da casa, do pai e também das irmãs mais novas, Audrey e Julia, pois sua mãe, não suportando a perda do filho, abandonara a família. Agora, com vinte e três anos, ela divide apartamento com sua melhor amiga, Abby, em Whashington, onde cursa direito. E devido ao curso, está num luxuoso hotel em Las Vegas, para participar de uma "Conferência de Direito".
 Ah, você veio para a conferência!  exclamei.  Achei que talvez...
Foi então que li: "Carson Stinger, ator heterossexual, Expo Entretenimento Adulto". Encarei as palavras por alguns instantes, digerindo-as, e voltei a olhar para ele. O homem agora forçava um sorriso e sua expressão já não portava a mesma suavidade de antes. (Livro: Veneno, Pág.11)

Carson Stinger é um conhecido ator pornô de vinte e três anos. Ele está no mesmo hotel em que Grace hospedou-se, para participar de um evento em que muitos o aguardam. Inicialmente eles se estranham, pois Grace é toda certinha, enquanto ele é um fanfarrão que não tem intenção de apegar-se a ninguém. Contudo, devido a um contratempo, quando ficam presos dentro de um elevador por algumas horas, passam a se conhecer melhor. A atração vem a tona, e Carson faz uma proposta à Grace: que eles passem o final de semana juntos, sem compromisso e apenas curtindo o momento. Massssss...
Carson me contaminara, era verdade, mas talvez a aparência dele não fosse seu único veneno. Talvez seu espírito também fosse contagioso. E quem sabe, no que dizia respeito a Carson, assim como no caso das vacinas, um pouco de veneno fosse a cura, não a doença. (Livro: Veneno, Pág.103)
Mesmo apaixonados, devido as tribulações que passariam pelo ofício dele, ambos se separam. É quando Carson toma uma decisão: ele larga a vida de ator pornô e entra para a força de operações da Marinha, tornando-se um condecorado SEAL. Grace, por outro lado, deixando de lado os anseios do pai, muda de área, tornando-se promotora. Cinco anos se passam, e o destino se incube de os colocarem frente a frente, quando um dos amigos de combate de Carson é acusado de homicídio  e Grace é ninguém menos que a promotora do caso. E há um outro contratempo: Grace está noiva de Alex Klein, um promotor que trabalha ao seu lado.
 Desmanchar?  repetiu.
 Sim, seu noivado, desmanche  repeti, chegando mais perto.
Segurei-a pela nuca e puxei seu rosto na direção do meu. Grace olhou para os meus lábios. (Livro: Veneno, Pág.231)

Até mesmo com o passar dos anos o sentimento está vivo, deixando Grace numa sinuca de bico. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers.

Falar sobre esse livro será um pouco complicado: apesar de envolvente e instigante, Veneno não me trouxe a gama de emoções que eu tanto esperava. SIM, os personagens são apaixonantes, pois a autora tem o dom de dar vida a personagens que grudam na gente. Mas confesso que a história tornou-se cansativa, deixando de relatar com mais ênfase fatos que, a meu ver, eram mais importantes, tais como Grace ser promotora de um homicídio, onde o acusado é amigo do homem que ama, travando uma luta maior para que pudesse desfrutar de tal amor, além das memórias que Carson trouxe da guerra no Afeganistão, entre tantas outras coisas...  

Os personagens secundários aparecem pouco, mas são tão envolventes quanto os protagonistas. As cenas de amor são sensuais, mas eu esperava aquilo que li em "A Voz do Arqueiro", ou seja, tudo mais lindo e intenso. De qualquer forma, foi uma leitura prazerosa: eu realmente me apaixonei por Grace e Carson, além de muitos trechos da trama... 💘💘💘

O enredo é narrado em primeira pessoa, aos olhos de Grace e Carson, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está excelente, com fontes e espaçamentos em bom tamanho, adornada em papel pólen soft (o amarelinho mais claro); e a capa é bem bonita, estampando o casal protagonista de forma íntima. 



Livro: Veneno, Signos do Amor (Livro 3)
Autora: Mia Sheridan
Gênero: Romance/Hot
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Páginas: 352

21 de jun de 2017

💘 NÃO NAMORE UMA ESCRITORA 💘

Não se aproxime, não insista, não invista e nunca, nunca mesmo, namore uma escritora se não irá compreender o drama, a trama, o enredo em que ela se envolve, quase sempre, em busca de inspiração e emoção para seus causos textuais.

Não corteje uma escritora se não for capaz de entender seus contos e crônicas, se não souber ler nas entrelinhas, se não consegue encontrar as pistas soltas em cada palavra.

Não queira uma escritora pra chamar de sua, se não entender que ela é de lua e às vezes precisa de solidão e silêncio para poder, enfim, respirar.

Não procure uma mulher que escreve, se não for um tanto esperto e souber separar a verdade da ilusão.

Não, não se enlace na confusão de uma escritora se não entender seus surtos poéticos e também sua morbidade casual. Não se encante por uma escritora se não quiser ver sua vida rasgada em versos que muitos irão ler. 

Se não puder ler sua pele, não toque na escritora.

Se não quer ser assassinado em um texto ou outro  sim, ela vai matá-lo quando você pisar na bola, não se relacione com uma escritora.

Não namore uma escritora se não suportar sua inconstância constante e sua inquietude quieta. 

Não namore essa mulher incomum que vira e mexe é tachada de louca, porque mulher que escreve é um poço de águas limpidíssimas e grita sem emitir som.

Não namore uma escritora se não for capaz de digerir todas as suas mil faces, se tiver medo de ousar.

Não namore, leia bem o que digo, porque se uma escritora te namorar, você será eternizado e ela vai te fazer provar que namorar uma escritora foi a coisa mais louca e deliciosamente incrível que você já fez na vida.

E de uma forma ou de outra essa escritora irá te marcar.

E não será com marca texto.

[Texto de]: J. Oliveira

19 de jun de 2017

"Gente obesa de inveja"


Eu sempre soube que gente obesa de inveja é anoréxica de capacidade, isso é "farto". Mas existe um outro tipo de gente, um tipo esfomeado por falhas alheias. Quero falar exatamente desse tipo, pois bem, esse tipo de gente amargada pela vida, mendiga erros para saciar a sua fome pelos pratos não servidos pela vida. Gente que busca se temperar dos outros, tem enjoo da sua própria vida. Que a minha indiferença seja servida como um banquete, porque gente estragada não me destempera, não me salga e muito menos me amarga. Não tenho estômago pra gente que se farta de minhas migalhas, não engulo gente que sofre de indigestão com a minha felicidade e não degusto venenos oferecidos de bandeja. Estou de dieta, ou melhor, aprendi a me reeducar, de gente ruim não quero nem sentir o cheiro! 

[Texto de]: Keila Sacavem 
[Via]: Papo de Loba

18 de jun de 2017

Pais e Filhos — por Simone Pesci

O dia estava ensolarado. Em seu quarto haviam estátuas, cofres e todas as paredes estavam pintadas, uma arte particular, feita por uma garota aparentemente feliz. 
Ninguém sabia o motivo que a levou cometer tal desatino, jogando-se da janela do quinto andar. Aquilo, aos olhos alheios, não era fácil de se entender.  
 Dorme agora! É só um vento lá fora  a mãe sussurrava ao lado do caixão. 
Ela só queria colo, às vezes pensava em fugir de casa, e sempre perguntava aos mais próximos:
 Ei, posso dormir aqui com você?
Ela tinha medo e muitos pesadelos, e por tais motivos permitia-se dormir depois das três, empenhando-se num tempo mais curto de sonhos ruins. 
 Um dia, quando tiver um filho, darei a ele nome de santo  perdeu-se em um de seus anseios.  Escolherei o nome mais bonito...  seu espírito a encarava dentro do caixão.  
Tristeza.
Desesperança.
Loucura.
Sentimentos intensos que a deixaram espiritualmente desvairada.
Ela sabia que era preciso amar as pessoas de forma diferente, ou seja, como se não houvesse o amanhã. E que se parasse pra pensar, continuaria transloucada. 
Ela queria saber por que o céu era azul. 
Ela queria explicações sobre a fúria do mundo.
Ela queria saber por que tivera como missão fazer o papel dos pais, quando deveria ser a filha. 
Ela morava com a mãe.
Ela morava com o pai.
Ela pedia a todos para que a visitassem.
Ela se cansou e passou a morar na rua.
Ela não tinha ninguém.
Ela passou a morar em qualquer lugar.
Como uma andarilha, morou em tanta casa que nem se lembrava mais. E, em alguns momentos insanos, pensava morar novamente com os pais.
Ela era a gota d'água.
Ela era o grão de areia.
Ela vivia repetindo que os pais não a entendiam, mas era ela que não entendia os pais.
Ela culpava os pais por tudo, e sempre achava um absurdo.
"Eles são crianças como eu!", perdia-se em devaneios.
Já ciente de sua condição espiritual, permitiu-se questionar-se:
"O que seremos quando crescer?"
Já não era tempo de pensar no futuro.
Ela não era mais a gota d'água e nem mesmo o grão de areia. 
E ainda culpava a si e aos pais.
 Dorme agora! É só um vento lá fora  agora era o pai quem dizia as palavras.
O caixão se fechou.
E ela continuou a questionar-se sobre o céu azul e a fúria do mundo.  

[Texto inspirado na letra da canção]: Pais e Filhos, da banda Legião Urbana.