21 de fev de 2018

[Falando em]: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA — de Sarah J. Maas

Eu ganhei essa série de presente da minha amiga/blogueira, Josy Borges (P.S.: Obrigada, more!). 💘💘💘 A propósito, o primeiro livro da série resenhei dias atrás (para conferir a resenha, clique AQUI), tentando não passar spoilers preciosos, mas que, agora, com a sinopse do segundo livro, serão revelados. Confira a sinopse e o que achei de "CORTE DE NÉVOA E FÚRIA", o segundo livro da série CORTE DE ESPINHOS E ROSASobra da autora Sarah J. Maas, uma publicação do grupo editorial Galera Record


Sinopse: O aguardado segundo volume da saga iniciada em Corte de espinhos e rosas, da mesma autora da série Trono de vidro Nessa continuação, a jovem humana que morreu nas garras de Amarantha, Feyre, assume seu lugar como Quebradora da Maldição e dona dos poderes de sete Grão-Feéricos. Seu coração, no entanto, permanece humano. Incapaz de esquecer o que sofreu para libertar o povo de Tamlin e o pacto firmado com Rhys, senhor da Corte Noturna. Mas, mesmo assim, ela se esforça para reconstruir o lar que criou na Corte Primaveril. Então por que é ao lado de Rhys que se sente mais plena? Peça-chave num jogo que desconhece, Feyre deve aprender rapidamente do que é capaz. Pois um antigo mal, muito pior que Amarantha, se agita no horizonte e ameaça o mundo de humanos e feéricos. 


A SEGUIR, SPOILERS...


"Porque a melhor liberdade é a que nos dá asas..." 

UMA SEQUÊNCIA MARAVILHOSA! 💘💘💘

Feyre descumpriu uma das regras entre humanos e feéricos e, como castigo, passou a morar na Corte Primaveril, ficando aos cuidados de Tamlin, o Grão-Senhor Feérico. Com o tempo eles se apaixonam, mas Feyre é devolvida para a família por correr risco de vida. A paixão fala mais alto, fazendo com que ela retorne para a Corte Primaveril, a fim de salvar Tamlin e tantos outros feéricos e humanos. Por um tempo ela fica aprisionada por Amarantha, tendo que passar por três provas, tornando-se, por fim, uma feérica de extremo poder. 

Queria que meu coração humano tivesse mudado com o restante, se transformado em mármore imortal. Em vez do pedaço de escuridão em frangalhos que agora era, vazando pus para dentro de mim. (Livro: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA, Pág.15)

(clique na imagem para maior resolução

Agora Feyre se vê trancafiada em casa, cumprindo ordens de seu noivo, Tamlin. E um tanto infeliz, no dia do seu casamento, implora mentalmente para que não aconteça o enlace matrimonial e que possa desfrutar de sua liberdade. Seu pedido é atendido minutos antes de se casar, pois Rhysand (ou Rhys), o Senhor-Grão Feérico da Corte Noturna com quem Feyre aceitou um acordo para sobreviver, a resgata do altar, unindo o útil ao agradável: concretizando o acordo e atendendo ao seu clamor.  
 Acha que não sei como as histórias são escritas, como esta história será escrita?  Rhys levou as mãos ao peito, o rosto mais aberto, mais angustiado do que eu já vira.  Sou o senhor sombrio que roubou a noiva da primavera. Sou um demônio e um pesadelo, e terei um final triste. Ele é o príncipe de ouro, o herói que poderá ficar com você como recompensa por não morrer de burrice ou arrogância. (Livro: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA, Páginas 443 e 444)
Feyre acaba optando em ficar na Corte Noturna, onde pode desfrutar de sua liberdade, descobrindo a verdade oculta, e sendo treinada para lutar uma grande batalha. Ela recebeu magia de todos os Senhores-Grão Feéricos, o que a tornou uma arma de extremo poder. E no meio de toda confusão, a fim de lutar pela sobrevivência dos feéricos e humanos, descobre-se amando Rhysand, tendo tal sentimento correspondido em verdade. 
Amor; amor era um bálsamo, tanto quanto um veneno. Mas era amor que queimava em meu peito. Ao lado do laço que o rei de Hybern sequer tocara, porque não sabia quão profundamente precisaria cavar para parti-lo. Para separar Rhysand e eu. (Livro: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA, Pág. 652)
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers

Será difícil me expressar sobre esse enredo: seu eu já havia gostado do primeiro livro, posso afirmar que essa sequência foi muito além das minhas expectativas, deixando-me totalmente apaixonada. 💘💘💘

CORTE DE NÉVOA E FÚRIA é um enredo que aborda liberdade e força, uma trama adornada em alianças improváveis, onde nem tudo que foi ouvido é preciso. E esse ponto 'x da questão' torna-se a cereja do bolo, mostrando uma corte sombria que, na verdade, perdura na ânsia de viver em paz. Desta forma, indubitavelmente, nasce um amor que terá de ser forte para lutar contra aqueles que querem destruí-lo. Nessa sequência pouco vemos da Corte Primaveril, pois ela aborda a tão temida Corte Noturna, apresentando diversos personagens secundários que são tão importantes quanto os protagonistas. Eu fiquei perdidamente apaixonada por Rhys e Feyre, e já desconfiava da ligação entre os dois, desde o no final do primeiro livro. Apesar de ser um livro com mais de 600 páginas, em momento algum me senti entendiada. Minha paixão foi tanta por essa sequência que já iniciei a leitura do terceiro e último livro da série. E pra finalizar, afirmo: "Eu leio até mesmo a lista de compras da Sarah J. Maas." o/

O livro é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, com fontes e espaçamentos na medida, adornada em papel off-white (o amarelinho claro); e a capa segue o padrão das outras, linda de viver, estampando arabescos e o título da obra. Por fim, para você que curte o gênero fantasia, eis essa maravilhosa pedida.



Livro: CORTE DE NÉVOA E FÚRIA (Livro 2)
Série: CORTE DE ESPINHOS E ROSAS
Autora: Sarah J. Maas
Gênero: Fantasia
Editora: Grupo Record
Ano: 2016
Páginas: 658

19 de fev de 2018

[CONTO]: CORAÇÃO NA CAIXA

CORAÇÃO NA CAIXA é um dos 10 contos inspirados em canções da antologia "CONTANDO A CANÇÃO". Ele nasceu a partir da música Heart-Shaped Box, da banda NIRVANA. Confira os outros contos adquirindo o e-book. Bem-vindos ao universo da vívida partitura!!! 💘 🎶 📖


P.S.: Vídeo editado por Simone Pesci

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DEZESSEIS - A ESTRADA DA MORTE, clicando AQUI.

17 de fev de 2018

[DRUMMONIZE-SE]: QUADRILHA

Eu me deparei com essas artes feitas pelo amigo/escritor/ilustrador Davidson Ricksilva (sou fã do cara o/) e, claro, não deixaria de postar aqui. Trata-se de um poema de Carlos Drummond de Andrade  diga-se de passagem  um tanto trágico, escrito em 1930 e que leva como título "QUADRILHA". Confira abaixo se você se encaixa em alguma parte dessa estrofe. Vem junto! 💘💘💘



PORQUE HÁ TANTO ÓDIO NO MUNDO?

Não consigo acreditar no que meus olhos veem, 
Não vejo mais razão no que as religiões creem, 
Tenho que deixar de lado minha situação de mero expectador, 
Tenho que tomar atitudes diante de mais um fato aterrador, 
Era quase tangível seu descaso com a piedade, 
Você matou humanos como vermes, com muita crueldade. 
Porque há tanto ódio no mundo? 
Quando o fim do mundo chegar nada mais vai assustar, 
Mas e se ele nunca mais chegar, 
E se eu não estiver mais aqui pra testemunhar, 
Levante as mãos pro céu e comece a orar para o seu Deus de crença, 
Porque ele é diferente do meu e causador de toda esta desavença, 
O instinto fez sua mente doentia superar seu coração, 
E eu vi você deixar crianças mortas pelo chão. 
Porque há tanto ódio no mundo? 
Triste mesmo é ver tanta solidão espalhada por aí, 
Insano mesmo é a armadilha em que eu cai. 
O que fazemos de verdade pela paz? 
Olhamos sempre para um mesmo lado e o resto tanto faz, 
O que fazemos de verdade pra que as ideias se invertam a favor da paz? 
Nada, nada, em nossa alma em frangalhos a covardia jaz. 

[Texto de]: Altino Manoel 

15 de fev de 2018

[REFLEXÃO]: UMA CASA DE CHÁ

Com tantas pessoas no mundo, estou à procura de um abrigo especial. Vem-me à cabeça uma casinha pequena cuja função é abrigar uma cerimônia de chá. Essa casa escolhe o próprio lugar e se ergue sem diretrizes. Ela vai se fazendo com autonomia, usando a força de vontade de seu futuro dono, e fica onde escolheu ficar. Não há pressa de chegar ao fim, pois se houvesse se perderia a preciosidade da construção. Esse processo é impreciso, uma vez que para se chegar até a casa o caminho é irregular. E é também invisível, pois só se sabe que ela existe quando a buscamos, com um olhar livre de lembranças antigas, entre as árvores que despontam no chão.

Citei o chá porque se trata de uma bebida diferente. Tomar chá nessa casinha é mais do que beber uma infusão de ervas. É poder saborear, por meio de um ritual cuja raízes estão na cultura ocidental, os prazeres e delícia de uma vida. É fazer da sua simplicidade uma cerimônia.

Vou me explicar: quando paramos um momento, por menor que seja, para tomar chá, saímos de nossa vida diária, aquela que não mostra o seu significado e fica eternamente na superfície. Mergulhamos na fumaça quente que sai da xícara e revemos todos os processos pelos quais passamos naquela vida íntima, peregrina, guardada com cuidado.  Adentramos em uma busca pelo silêncio interior. Nossas sensações se regulam com o farfalhar das folhas e vamos apreendendo todas as etapas pelas quais passamos até chegar ali, àquela casinha, tomando aquele gole de chá especial.

Os passos foram tortuosos, cheios de altos e baixos, mas descobrimos que eles estavam reservados para servir de material de construção àquela casinha de chá  que todos temos, mesmo que não a conheçamos. Em nossa peregrinação, ela é preciosa por nos proteger do resto do mundo enquanto estamos ocupados com outras coisas. Ainda que sua construção esteja no início, já oferece abrigo. Essa proteção é, claramente, diferente daquelas que os adultos dão às crianças enquanto brincam, porque foi descoberta por nós e suas raízes se firmam na proteção que nós mesmos podemos dar a ela. Assim, essa casa tem força e se faz por vontade própria, e diversos elementos podem ser utilizados em sua construção.

E, enquanto se constrói  algo que nunca deixa de acontecer , a casinha propicia momentos de encontro. Encontro com a própria simplicidade de viver, com as próprias festas internas e com os próprios rituais. Ela nos acolhe e nos diz que estamos vivendo bem  seja lá qual for o modo como dirigimos nossa vida  e continuaremos nos construindo  onde quer que estejamos enraizados. Então, aquele amor incondicional que tanto buscamos é sentido como uma brisa ligeira que passa pela janela. Ali percebemos que temos um belo jardim interno, que necessita ser respeitado e cuidado com dedicação.

Esse espaço pode ser construído com a ajuda de muitas ou de poucas pessoas. Ele nunca se faz sozinho, nem está dado assim que nascemos. Ele é como uma bolha de sabão que, quando soprada, ganha vida e forma.

Uma das pessoas que podem nos ajudar a encontrar o lugar da casa, a firmar suas raízes e a deixá-la se construir é um homem ou uma mulher especial. Essa pessoa pode ser uma vizinha anciã, um moço na feira que escolhe maçãs ou uma fiandeira. Refiro-me a todos aqueles seres intuitivos que passam por nossa vida, que caminham e conversam conosco pelo jardim e descobrem com a gente onde a casa vai emergir. Para chegar até ela temos muito trabalho, pois há um caminho certo, livre, que nos conduza ao local. Quase sempre as trilhas para o mundo interno são tortuosas e difíceis de ser ensinadas, porque não vêm prontas. É com a intuição, iluminada como uma tocha, que podemos caminhar por ali.

Aos poucos, um encantamento surge desse processo e a casa de cada um vai tomando forma própria. Para finalizar, gostaria de descrever ao leitor a minha casa de chá, para que também ele possa sair à procura da sua. Eu a vejo no alto de um morro, num jardim desvendado por ela mesma. Foi preciso passar por diversos obstáculos para chegar até ela, e lá encontramos um silêncio absoluto. A sala é simples, toda feita de madeira, com almofadas que permitem a qualquer um sentar-se para tomar chá e meditar. Quem entra em contato com essa casa é invadido por uma sensação de paz que aquieta todo o torvelinho de imagens mobilizadoras que nos assaltam de vez em quando. E ali se fica parado por um tempo, escutando apenas um movimento de um inseto que, quando pousa em nós, nos instiga a sair voando mundo afora...