16 de dez de 2018

[Falando em]: Muito Além dos Teus Olhos — de Janaina Soares

Hoje trago o meu parecer de um enredo lindo, uma trama recheada de coração. Eu baixei esse e-book gratuitamente, e afirmo que me deparei com uma bela surpresa. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei de "Muito Além dos Teus Olhos", obra da autora Janaina Soares, uma publicação independente. 


Sinopse: Bento e Olívia são apaixonados desde a adolescência, mas impedidos de ficarem juntos. Em uma tentativa de fuga frustrada, são pegos e separados por um oceano quando ela é forçada a se mudar para Milão. Treze anos depois, Olívia é uma mulher adulta e precisa retornar a sua cidade natal para lidar com mais uma mudança inesperada em sua vida. Ela reencontra sua família, inclusive Bento, um homem que não se parece mais com o adolescente rebelde que ela deixou para trás, por carregar cicatrizes profundas. O que são treze anos e um oceano para quem se ama de verdade? 


"Porque amar vai muito além do olhar..." 

Uma linda surpresa! 💘💘💘

Na infância, os primos Olívia e Bento se casam de brincadeirinha. Na adolescência, envoltos por um sentimento vigente, tentam uma fuga, que é interrompida por Marisa, mãe de Olívia. Aos quinze anos Olívia é enviada para Milão, para ficar aos cuidados de seu avô e, claro, longe de Bento. 
Não ligo a mínima para o fato de sermos primos nem para os olhares reprovadores das pessoas da cidade, que encaram nossa relação como um incesto, um ultraje à ética e caráter da família Perrone. Tudo o que quero é ele. Ele é o garoto mais incrível que já conheci, o mais divertido, alegre, apaixonado pela vida, cheio de confiança, e lindo de morrer. Que menina não iria se apaixonar? (Livro: Muito Além dos Teus Olhos, Cap.1)
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O que era pra ser uma viagem de um ano torna-se uma estadia de anos; Olívia retorna após treze anos, agora como uma estilista famosa e noiva de Francesco. O motivo do retorno é a morte de sua amada avó, Teresa.
Treze anos e não estava preparada para isso. Em que momento da sua vida alguém te prepara para reencontrar a única pessoa que foi capaz de fazer seu coração saltitar dentro do peito? Onde a gente aprende a controlar as emoções quando a vontade é esquecer os bons modos e deixar que tudo venha à tona, de novo? (Livro: Muito Além dos Teus Olhos, Cap.3)
Bento, que sofria de glaucoma, hoje encontra-se cego; Olívia, que antes era corajosa, tornara-se fraca, vivendo à mercê de crises de pânico e depressão. A avó, Teresa, deixa em testamento para os netos a sua casa. E assim inicia-se um emaranhado de conflitos internos e querer. 
— Eu sempre fui seu, pequena. Quando nos casamos de mentirinha — ele relembra, lambendo minha boca com malícia. — Quando tentamos fugir. — Mais uma lambida, e meu corpo estremece com suas carícias. — E quando jurei te esperar, há treze anos. — Bento encosta a testa na minha, suspirando pesado. — Eu te esperei, pequena. Aqui estou, pronto para você — ele encerra, e sorrio também, colando meus lábios aos dele. (Livro: Muito Além dos Teus Olhos, Cap.14) 
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

MUITO ALÉM DOS TEUS OLHOS é uma linda história de amor, daquelas que enternece o coração. Olívia e Bento é muito mais que dois primos apaixonados, eles simbolizam o que de mais verdadeiro possa existir. Eu, particularmente, me apaixonei pelo casal, cada qual com seus sabores e dissabores: no caso de Olívia, compreendi perfeitamente o seu impasse, pois sofro com os mesmos transtornos. A propósito, a escritora disse ter passado pelo mesmo, talvez por isso tenha se expressado tão bem. Da mesma forma, fomos conduzidos às limitações de Bento. Contudo, o que predomina é o amor, que nunca se apagara e que com o tempo e as dificuldades mostra-se mais forte. Os personagens secundários são de importância, dando um tempero especial na trama. O final revela alguns segredos, além de superações e ser fofo. O enredo, por si, traz uma bela mensagem. A escrita da autora é deliciosa, singela e entorpecente. Por fim, para quem curte um lindo drama/romance, eis essa excelente pedida. Eu me tornei fã e digo mais: "Leio até mesmo a lista de compras da Janaina!" o/

A trama é narrada em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está perfeita, no formato digital; e a capa é belíssima, condizendo com o enredo, estampando o casal protagonista e a casa herdada por eles. 


Livro: MUITO ALÉM DOS TEUS OLHOS
Autora: Janaina Soares
Gênero: Drama/Romance
Publicação  Independente
Ano: 2018
Páginas: 356

10 de dez de 2018

[Falando em]: Que sorte a minha — de Gisele Souza

Hoje apresento-lhes uma divertida surpresa. Trata-se de um enredo baseado no conto "A sorte no azar" (NÃO, eu não li o conto!), da autora Gisele Souza. Eu baixei esse e-book gratuitamente e afirmo que já no prólogo ele me ganhou. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei de "Que sorte a minha", uma publicação independente. 


Sinopse: Ter sorte na vida é algo bem relativo, para cada pessoa funciona de uma forma diferente. Você pode ser considerado alguém sortudo se tiver muito dinheiro, uma carreira brilhante e sair esbanjando mundo afora. Ou você pode ter sorte no amor; formar uma família feliz e perfeita... E pode acreditar que por simplesmente estar vivo já é alguém de sorte. No geral, é aquilo, cada pessoa é diferente e vê o mundo de uma maneira singular. Só que para Leo e Jully não é bem assim que funciona não. Se existe mesmo essa coisa de azar, esses dois pegaram todo o estoque ao nascer! E imagina qual seria o resultado de dois azarados se apaixonarem? Qual a chance de isso correr bem? Duas pessoas com sorte no azar vão tentar lutar contra as leis da física e até as conspirações do universo para viver um romance que tem tudo para dar errado, mas que a gente vai torcer para que dê certo. Embarque nessa história e se divirta com trapalhadas, que tenho certeza, irá se identificar. 


"Porque, à vezes, o sinônimo de azar é sorte..." 

Uma grata surpresa!

Leandro (ou Leo) tem uma loja de autopeças e namora alguns meses com Antonella. Em uma noite, num jantar romântico (em um restaurante), prestes a pedir a namorada em casamento, leva um baita fora. 
Mas, vamos lá, deixa eu me apresentar antes de começar as lamentações; meu nome é Leandro, mas pode me chamar de Leo. E eu vim contar a minha história; sou um cara azarado que teve um momento de sorte na vida. (Livro: Que sorte a minha, de Gisele Souza) 
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Jullyana (ou Jully) é uma jovem taxista, solteira e a fim de dar um up em sua vida. Após marcar um encontro pelo Tinder, decepciona-se, e começa a fazer um detox de relacionamentos.
Meu nome é Jullyana, mas todo mundo me chama de Jully. Sou taxista, solteira, vinte e sete anos e sou do signo de Áries. Nunca tive muita sorte no âmbito amoroso, na verdade, não sou uma pessoa muito sortuda em tudo que se resume a vida. Mas claro que tive meus momentos raros. (Livro: Que sorte a minha, de Gisele Souza) 
Depois de uma noite de porre pelo fora que recebeu, bêbado, Leo é colocado em um táxi para voltar para casa. Em meio as intempéries, Jully é a taxista que o atende.  
— Acho que somos mais parecidos do que pensa. Eu sei onde você mora, quem sabe não apareço por lá para chorarmos as pitangas juntos? — Piscou um olho e sorriu, arrancando com o carro. (Livro: Que sorte a minha, de Gisele Souza) 
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

Sabe aquela história de que os dispostos se distraem?! Então... Em meio ao caos que é a vida de Leo e Jully, azarados ao extremo, quando ambos tinham tudo para dar errado, surge uma fagulha de sorte, unindo-os. É desta forma que a  história é apresentada.

QUE SORTE A MINHA é nada menos que uma trapalhada de amor, um romance improvável que, por fim, torna-se provável. Com uma escrita simples e entorpecente somos introduzidos ao contexto, divertindo-se com os pensamentos e a maré de azar dos protagonistas, além de torcer muito por eles.  Os personagens secundários aparecem pouco, porém têm suas pitadas de humor sarcástico que dá um tempero especial. O final é fofo... EU ADOREI! Eu li o livro num tapa, pois é uma breve trama. Por fim, para quem é fã de uma leitura leve e divertida, eis essa ótima dica.

A história é narrada em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está excelente, no formato digital; e a capa é muito fofa, estampando Leo e Jully.


Livro: QUE SORTE A MINHA
Autora: Gisele Souza
Gênero: Comédia-Romântica
Publicação  Independente
Ano: 2018
Páginas: 146

5 de dez de 2018

Felicidade Clandestina — por Clarice Lispector

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". 

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. 

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. 

Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo.

E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

1 de dez de 2018

[Adquira]: Dezesseis - A Estrada da Morte e Contando a Canção

Fim de semana chegou! Que tal se encontrar em duas leituras entorpecentes: DEZESSEIS - A ESTRADA DA MORTE, um enredo inspirado na canção Dezesseis, da banda Legião Urbana; e CONTANDO A CANÇÃO, 10 breves contos inspirados em canções. Lembrando que ambos estão à venda em formato digital, além de, claro, no Kindle Unlimited. Vem junto! 📖📖📖



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26 de nov de 2018

[Falando em]: Kurt Seyit ve Şura — Série

Eu comecei assistir Kurt Seyit ve Şura de forma despretensiosa. Envolvi-me de tal forma que, enquanto não finalizei os 46 episódios, não sosseguei. 💘💘💘 Trata-se de um drama televisivo turco baseado em uma série de romances de mesmo nome, da autora Nermin Bezmen, no Brasil (o primeiro volume) publicado pela editora Pedra Azul. Antes de falar o que achei da série, confira a sinopse, trailer (legendado em inglês) e a ficha técnica. 


Sinopse: Kurt Seyit é um tenente mulherengo e bonito, filho mais velho de um rico proprietário de terras da Criméia Turca. Seyit participa de um baile em São Petersburgo e faz uma aposta com seus amigos: beijará a primeira menina que entrar na sala. Şura é a filha caçula de uma família nobre russa e vêm antes da alta sociedade no baile. Quando Şura entra no salão de baile, eles se apaixonam à primeira vista e logo começam um caso cheio de obstáculos. O pai de Seyit, Mirza Eminof, quer que o seu filho case com uma mulher turca muçulmana para garantir a prole. Por outro lado, a família de Şura quer que ela se case com homem rico e nobre da Rússia. O amor de ambos é testado pela guerra, mas também comprometido devido às intrigas de Petro Borinsky e Baronesa Lola.





"Porque amar é admirar com o coração..."





FICHA TÉCNICA
Título Original: Kurt Seyit ve Şura 
Ano de produção: 2014
Dirigido por: Hilal Saral
Roteiro: Shahzeb Shaikh
Produtor: Kerem Çatay
Estreia: 4 de Março de 2014 (Mundial)
Duração: Aproximadamente 46 minutos
Episódios: 46
Gênero: Drama/Guerra/Romance
País de Origem: Turquia 
Elenco: Farah Zeynep Abdullah (Şura), Kivanç Tatlitug (Kurt Seyit Eminof), Aslı Orcan (Baronesa Lola), Barış, Birkan Sokullu (Petro Borinsky), Ushan Çakır (Celil Kamilof), Eva Dedova (Tatya), Elçin Sangu (Güzide) e outros. 




MINHAS CONSIDERAÇÕES:

O que era para ser uma simples aposta torna-se um amor que ultrapassa as dificuldades e as barreiras do tempo. Já faz alguns dias que finalizei essa série, mas ela ainda está impregnada em mim. Eu me senti num turbilhão de emoções, torci, sorri, chorei e... MINHA NOSSA! 💘💘💘 Só Deus sabe como eu fiquei com aquele final. Antes de tudo tenho que dizer que a série é baseada em fatos verídicos, e por se tratar da realidade, o conto de fadas fora obstruído pelas intempéries da vida. Fiquei por intermináveis vezes imaginando aquilo realmente acontecendo, e tão forte quanto o amor veio, à minha mente, as barreiras que o tenente Kurt Seyit e a jovem Şura vivenciaram. 

Com a guerra como pano de fundo fui conduzida a uma linda história de amor, uma história que ganha grande proporção e que, com o tempo, torna-se amarga, entre o querer e o orgulho. Ahhh, como esses enredos me enternecem. Em ritmo novelesco o espectador fica de frente a um roteiro de encher os olhos, com personagens que grudam na pele e situações transponíveis. Além de tudo, somos presenteados com figurinos lindos e uma fotografia magnífica. Eu fiquei perdidamente apaixonada pelo ator Kivanç Tatlitug, que interpreta Seyit (Que homem é aquele? suspiros). Não há muito mais o que dizer, sem revelar as reviravoltas da trama, como eu disse, em ritmo de novela, somos sugados na vida dos protagonistas tão quanto os dos personagens secundários. O que de fato me desapontou foi algumas coisas no final, mas, como mencionei, trata-se de uma história verídica, portanto nem tudo termina como um conto de fadas. Não posso dizer mais, só posso afirmar que para quem é fã de um lindo romance de época, eis essa maravilhosa pedida. EU MEGA, ULTRA, MAX, HIPER AMEI!!! E, agora, estou numa baita ressaca, sem direção.