13 de mar. de 2019

[Conto]: O VASO — de Olavo Bilac

Oh! o lindo, o lindo vaso que Celina possuía! e com que carinho, com que meiguice tratava ela as flores daquele vaso, o mais belo de toda a aldeia! Levava-o a toda a parte: e, no seu ciúme, na sua avareza, não queria confiá-lo a ninguém, com medo de que mãos profanas estragassem as raras flores que nele viçavam. Ela mesma as regava, de manhã e à noite: ela mesma as catava cuidadosamente todos os dias, para que nenhum inseto as roesse ou lhes poluísse o acetinado das pétalas. E em toda a aldeia só se falava do vaso de Celina. Mas, a rapariga, cada vez mais ciosa do seu tesouro, escondia-o, furtava-o às vistas de todo o mundo. Oh! o lindo, o lindo vaso que Celina possuía! 

Certa vez, (era por ocasião das colheitas) Celina acompanhou as outras raparigas ao campo. A manhã era esplêndida. O sol inundava de alegria e de luz a paisagem. E as raparigas iam cantando, cantando; e as aves nas árvores, gorjeando, e as águas do riacho nos seixos da estrada, murmurando, faziam coro com elas. E Celina levava escondido seu vaso. Não quisera deixá-lo em casa, exposto à cobiça de algum gatuno. E os rapazes diziam: “Aquela que ali vai é Celina, que possui o mais belo vaso da aldeia…” 

Por toda a manhã, por toda a tarde, a faina da colheita durou. E, quando a noite desceu, cantando e rindo as raparigas desfilaram, de volta à aldeia. Celina, sempre retraída, sempre afastada do convívio das outras, deixou-se ficar atrasada. E, sozinha, pela noite escura e fechada, veio trazendo o seu vaso precioso… 

Dizem na aldeia que aqueles caminhos são perigosos: há por ali, rodando nas trevas, gênios maus que fazem mal às raparigas… 

Não se sabe o que houve: sabe-se que Celina, chegando à casa, tinha os olhos cheios de lágrimas, e queixava-se, soluçando, de que haviam roubado as flores do seu vaso. E não houve consolação que lhe valesse, não houve carinho que lhe acalmasse o desespero. E os dias correram, e correram as semanas, e correram os meses, e Celina, desesperada, chorava e sofria: “Oh! as flores! as flores do meu vaso que me roubaram!…” 

Mas, no fim do nono mês, Celina consolou-se. Não tinha recuperado as flores perdidas… mas tinha nos braços um pimpolho. E o João das Dornas, um rapagão que era o terror dos pais e dos maridos, dizia à noite, na taverna, aos amigos, diante dos canecos de vinho: 

— Ninguém roubou as flores da rapariga, ó homens! eu é que lhes fiz uma rega abundante, por que não admito flores que estejam toda a vida sem dar frutos… 

[Falando em]: Romance Proibido — de Clara de Assis

Eu baixei esse e-book gratuitamente, devido a indicação de uma amiga. Trata-se de uma  noveleta, e por tal motivo, somos conduzidos a uma breve história. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei de "ROMANCE PROIBIDO", uma história do gênero LGBT, escrito pela autora Clara de Assis, uma publicação independente. 


Sinopse: Após mudar mais uma vez de cidade, o estudante e gamer, Brice Lockhart, está se adaptando aos novos desafios. Com seu talento em cativar amigos, parece saber exatamente quem é e do que gosta. Até que o novo professor de literatura mostra a ele que suas convicções são frágeis, e Brice começa a questionar sobre quem realmente é e do que realmente gosta. 


"Porque, às vezes, querer é poder..." 

Uma noveleta gostosa de se ler!

Brice Lockhart é um jovem estudante do ensino médio (e gamer), filho de um pai militar. Ele se mudara para uma nova cidade e começara a se relacionar com Amber, a garota mais sexy do colégio. 
Ele ficou calado. Calado tempo demais. Analisando-me, estava certo disso. Manteve seus olhos sobre os meus. Ele era do tipo que encarava, que apreciava uma briga. Mas adivinha? Eu também. (Livro: Romance Proibido, Cap.4)


O que Brice não contava é que teria um novo professor de literatura, Alexander Knnox (mais conhecido como Sr. Knnox), um homem intimidador e atraente. 
Queria afastá-lo. Precisava afastá-lo, porque eu queria que ele me tocasse. Aquilo era errado. Toda a minha vida eu estive com garotas, pensei em garotas, aprendi o que deveria fazer. Mas o que estava acontecendo dentro de mim, ninguém me ensinou, ninguém me explicou a confusão. (Livro: Romance Proibido, Cap.8) 
Knnox também é um gamer, o que é descoberto por Brice. E  nesse impasse, entre meio a descobertas, os opostos se atraem. E mesmo entre a diferença e convicções díspar, acabam, por fim, unindo-os intimamente, fazendo Brice se questionar sobre sua atual condição.
— Você precisa sair dos meus pensamentos! Eu preciso sair dos seus. Deixa eu te beijar direito e então vá embora. Isso nunca terá acontecido. Vamos viver nossas vidas como... não sei... amigos? (Livro: Romance Proibido, Cap.8)
Agora cesso os comentários para não soltar mais spoilers.

ROMANCE PROIBIDO faz jus ao título, apresentando as intempéries e o caos interno de dois personagens bem diferentes: Brice é um rapaz descobrindo-se, em uma nova condição sexual; Knnox já é certo de sua condição sexual, porém se camufla para — digamos assim — aos olhos dele, um bem maior. O querer fala mais alto, o que implica questionamentos por parte de ambos (especialmente Brice), fazendo com que ele se afaste de sua namorada, Amber. E nesse ínterim somos conduzidos aos sabores e dissabores de uma nova paixão. A autora tem uma escrita singela e deliciosa de se enveredar. O que eu senti falta foi um pouco de aprofundamento na trama, mas, como já foi dito, trata-se de uma noveleta e, por tal motivo, é uma leitura rápida. 

A trama é narrada em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão, a diagramação está boa, no padrão digital; e a capa estampa um dos protagonistas que, a meu ver, é Brice.


Livro: ROMANCE PROIBIDO
Autora: Clara de Assis
Gênero: LGBT
Publicação — Independente
Ano: 2019
Páginas: 66

7 de mar. de 2019

[Falando em]: IMAGINARIUM/ANTOLOGIA — de Susana Silva e outros

Eu baixei essa antologia gratuitamente depois de ser avisada pela amiga/escritora portuguesa e organizadora Susana Silva.💘💘💘Trata-se de contos de fantasia, onde alguns autores nos presenteiam com seu imaginário. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o que eu achei de IMAGINARIUM, uma publicação independente. 


Sinopse: A busca por novas histórias pode levar-te a um universo totalmente único, onde você descobrirá um mundo paralelo em que princesas são verdadeiras guerreiras, piratas se tornam os mocinhos e sereias não são sereias. Aqui o leitor é convidado a entrar em momentos fantásticos onde a imaginação não tem limites. Vem, encare essa aventura. A fantasia pode te surpreender. 


"Porque em cada mente, um novo mundo se cria..." 

Uma grata surpresa!

Por tratar-se de uma antologia, antes de dar o meu parecer, deixarei abaixo três quotes.
E então tudo tremeu. Um estrondo no céu fez os corvos alinharam-se como um exército quando o comandante dá uma ordem. Um vulto passou por mim fazendo a minha pele arrepiar-se. Fechei os olhos. O vulto não tinha me causado medo. (Conto: Noiva do Demônio, de Nanda Guzo)
Não podia acreditar no que descobrira em um único dia: a existência de trolls, fadas, uma bruxa e sereias, uma perfeita criatura das águas. Uma perfeição que poderia ser dele. Estava apaixonado, disso tinha certeza absoluta, não poderia apenas ir embora e deixá-la lá para sofrer pela eternidade. (Conto: O Canto da Sereia, de Ge Benjamim)
— Não é seu treinamento que importa, é seu coração. — Abaixou sua cabeça e encostou seu focinho em meu peito. — Esse foi o erro dos humanos no passado, por isso viraram bestas ferozes, muito mais até que os dragões que montavam. Não tinham corações puros, a ligação não era completa e nós sofríamos pela ignorância daqueles que deveriam ser nossos companheiros. (Conto: Do Outro Lado da Porta, de Tatiane Durães) 


Quem me conhece sabe que esse não é um dos meus gêneros prediletos. Contudo, às vezes, vale a pena sair da zona de conforto. E foi o que aconteceu.

IMAGINARIUM é uma odisseia fantástica, onde o leitor se verá entre bruxas, sereias, dragões, piratas e tantos outros seres mágicos. A criatividade é ampliada, nos conduzindo ao irreal, tornando de cada conto um grato entretenimento. É óbvio que cada qual tem sua particularidade, e, ainda assim, embarcamos em diversas aventuras, algumas assustadoras e outras um tanto utópicas, o que condiz com o que fora proposto. Por fim, para você que curte contos de fantasia, eis essa boa pedida. o/

Os contos são narrados em primeira e terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação está boa, no padrão digital; e a capa é bonita, estampando seres mágicos. 


Antologia: IMAGINARIUM
Organizadora: Susana Silva
Autores: Susana Silva, Nanda Cuzo, Gê Benjamim, 
Tatiane Durães, Graci Rocha, Leanderson Silva,
Carla de Sá, Estefany Cavalcanti, S.S Days e Mirian Fidelis Guimarães
Gênero: Contos/Fantasia
Publicação — Independente
Ano: 2018
Páginas: 216

[Lidos]: Fevereiro de 2019

Olá, lovers!
Me diga, como foram de leituras??? Bom, eu fui um pouco devagar: reli um livro que amo muito e li outro que me deixou impactada (e que também amei). 💘💘💘 Mas o motivo de ter poucas leituras na minha lista é porque estou maratonando duas séries, ou seja, Vikings e Game Of Thrones. De qualquer forma, arranjei um tempinho para me perder nas páginas destes dois livros incríveis. Agora vem junto conferir as resenhas de A Voz do Arqueiro e TARDE DEMAIS. o/


[clique no título para conferir a resenha]:

16 de fev. de 2019

[Conto]: INVÍDIA, DO DESEJO AO CASTIGO — de Simone Pesci

Eu escrevi esse conto para participar de uma antologia inspirada nos sete pecados capitais, mas, infelizmente, não rolou o projeto. Desde então o conto está engavetado, pensei em colocá-lo na Amazon, mas, por fim, estou disponibilizando ele aqui no blog. Agora convido a todos para conferir a sinopse e o conto INVÍDIA, DO DESEJO AO CASTIGO. Vem junto! o/ 


Sinopse: Patrick perdera a mãe aos oito anos e ficara aos cuidados do pai, um inclemente comandante da tropa inglesa. Ainda na infância conheceu Henry, que passou a ser o seu único amigo — e, juntos, foram treinados para se tornarem combatentes inclementes. Com o passar dos anos, Patrick passou a ser o comandante, tendo Henry como o seu braço direito. Contudo, no momento que soube que o seu melhor amigo estava noivo de uma bela jovem, a inveja apoderou-se de si, conduzindo-o a caminhos obscuros, ansiando pela felicidade do amigo. Será que Patrick conseguirá deixar de cobiçar a felicidade alheia?! Venha descobrir com INVÍDIA. 





INVÍDIA, DO DESEJO AO CASTIGO
Copyright © 2019 Simone Pesci 



Aos oito anos Patrick ficara aos cuidados do pai, Thomas Carter, um comandante inclemente da tropa inglesa. Sua mãe, Mary Carter, veio a óbito repentinamente, de algo que ninguém soube dizer. As lembranças foram sucumbindo o que de bom havia em seu coração, fazendo com que uma triste anedota tamborilasse em seus ouvidos.


“A coragem está em seu sangue, da mesma forma que a inveja inflama sua essência. Seja merecedor de suas conquistas, e que a inveja não o envolva em ebriedade...”, foram as últimas palavras da mãe. 


Os anos passaram e as palavras deixaram de ter importância. Patrick fora treinado para tornar-se um combatente inclemente. Ele conhecera ainda na infância, Henry, filho de Hugh Swayze, braço direito do seu pai. E teve como refúgio aquela única e verdadeira amizade.

Patrick era brindado com um porte físico mediano, além de uma beleza deslumbrante, com seus olhos cristalinos de tom azul, além de cabelos pretos lisos e abaixo dos ombros. Henry, por sua vez, era de porte físico gigantesco e uma beleza rústica, com olhos escuros e penetrantes, salvo seus cabelos castanhos encaracolados, também abaixo dos ombros. Entre os dois havia um diferencial: um era o desfastio humanitário; já o outro era a afecção humanitarista. E o falecimento de Thomas Carter sobrechegou, fazendo de Patrick o comandante da tropa inglesa.




— O que escondes atrás de ti? — Patrick questionou Henry.

Eles estavam em uma das aldeias que, de tempo em tempo, passavam para cobrar impostos.

— Nada importante! — respondeu Henry.

Ambos se colocaram numa análise intensa.

— Interessante! — disse Patrick, ao se aproximar e avistar uma bela jovem.

— Patrick... — Proferiu Henry, estufando o peito. — Apresento-lhe Hester Evans, minha noiva.

Um terrífico silêncio se fez presente.

Patrick intercalou o olhar entre Henry e Hester.

— Noiva? — Patrick emitiu, incrédulo.

E mesmo demonstrando-se seguro, Henry sabia do risco que corria. Ter um amigo ególatra e cobiçoso o assustava. Hester empertigou-se em cumprimento, recebendo como retribuição o mesmo gesto. Patrick passou a observar o pequeno local que a jovem vivia, um casebre aconchegante, uma discrepância para uma jovem sem recursos.

— Até mais, Srta. Hester! — Patrick despediu-se.

Henry também despediu-se, apenas com um aceno de cabeça, a fim de não despertar o interesse do amigo. O dia transcorreu sem alardes, mas, ao final da jornada, Patrick indagou Henry.

— Estou curioso... Como uma jovem sem qualquer recurso consegue se manter?

Henry respirou fundo, e já se dando conta de que viriam mais perguntas, replicou:

— Ela morava com a mãe, que adoeceu e veio a óbito tempos atrás — Henry foi direto com as palavras. — Acho melhor cessarmos esse inquérito.

A fim de consumir alguns copos de cerveja e preencher o estômago vazio, Henry deus às costas e seguiu até a taverna. Por tempo indeterminado conversou com outros combatentes, além de saciar a fome. Patrick, por outro lado, passava dia e noite vislumbrando Hester como sua. E mesmo sendo disputado por belas damas, fez da noiva de Henry sua obsessão. Relembrou de vários instantes em que o amigo esteve ausente, provavelmente desfrutando de ínfimos momentos ao lado da amada. E mais terrível foi constatar que Henry a mantinha, oferecendo-lhe conforto e amor.

A ambição de tê-la para si chegou em alta voltagem, desconsiderando o sentimento vigente que o amigo sentia. Patrick passou a observar o casal às escondidas. O tempo passava e ele não aceitava tamanha felicidade, o que o fez se envolver com mulheres da vida e, ainda assim, não deixar de invejar o combatente amigo.