1 de jan. de 2017

[Falando em]: A gente ama, a gente sonha — de Fabiane Ribeiro

primeira resenha de 2017 foi a minha última leitura de 2016. Aliás, uma grata surpresa que minha irmã trouxe emprestado e que, por este motivo, decidi passar a leitura na frente. Trata-se de uma distopia futurista, escrita pela autora Fabiane Ribeiro. Agora confira a sinopse e resenha de "A gente ama, a gente sonha", uma publicação da Universo dos Livros.


Sinopse: Num futuro distante, em que a humanidade é completamente diferente daquela que conhecemos, Vanessa depara-se com situações para as quais foi treinada a não se importar: morte, fé, família, amor. Uma mensagem vinda do ano de 2012 é apenas o começo das mudanças em sua vida, que se intensificam quando ela começa a sonhar livremente, o que também era proibido. Em uma narrativa sobre a reinvenção do homem do futuro, dos valores e do mundo, A gente ama, a gente sonha, é um misto de ficção futurista com os dramas atuais da humanidade, que, apesar dos esforços, nunca mudam. As perdas e os sonhos vão levar Vanessa a descobrir um mundo novo e a resgatar sentimentos escondidos em seu peito. Descobrir quem é o rapaz misterioso dos seus sonhos é apenas um de seus problemas, quando, na verdade, amar é o maior crime que ela poderia ter cometido.


"Porque entre a não permissão... há de se ter coração"







Uma maravilhosa surpresa!

A história se passa no futuro, quando o mundo está bem diferente do que já foi um dia: não há mais um céu azul, mares cristalinos, animais, natureza e os humanos não podem respirar um ar saudável. As pessoas são treinadas a não terem sentimentos e viver numa humanidade dividida em classes: M (miseráveis), P (pobres), R (ricos) e E (extremamente ricos), onde, é claro, os ricos e extremamente ricos seguem os dias de melhor forma, com mais regalias e protegidos pelas redomas de proteção. Cada humano tem o seu robô, que ajuda nos afazeres do dia a dia, além de armazenar dados de suas vidas. As camas, mesas, carros (entre tantas outras coisas) flutuam, e todos devem sair nas ruas protegidos para não se queimarem com o Sol escaldante, ou até mesmo morrer intoxicado com o ar poluído. A Máquina dos sonhos é de suma importância na vida de todos, pois por meio dela os humanos são comandados a sonhar com coisas que apenas "O Maquinário" — instituição que comanda o mundo  deseja. Desta forma são proibidos de saber sobre o passado, ou seja, sobre "OS ANTIGOS".
A situação poderia levar o fim  das classes baixas, P e M, que não tinham a proteção e os direitos  destinados às classes altas. Mas, perdê-los não seria vantajoso para o Maquinário, visto que prestavam serviços fundamentais à sociedade (que membros E ou R jamais prestariam). Portanto, muita discussão e longos anos de decisões errôneas acabaram por conduzir uma interessante solução: os cidadãos das classes P e M, ou seja, pobres e miseráveis, passaram a fazer parte de um sistema no qual acumulavam  pontos para ganharem  aparelhos que poderiam garantir-lhes certa sobrevida. (Livro: A gente ama, a gente sonha  Pág.21)
Vanessa — ou Nenê  como é conhecida, tem 26 anos e faz parte da classe R (ricos), além de ter dois irmãos: Dominique, de 13 anos; e Junior, de 9 anos. Seus pais morreram anos atrás, de forma misteriosa. Ela tem sua robô/empregada chamada Lucy; ela trabalha ao lado de Victor (seu melhor amigo), no Hospital dos Embriões, onde ajuda no nascimento de tantos novos bebês; ademais, ela tem um vizinho chamado Johnny, o qual intitula como "vizinho mala", e um namorado chamado Bernardo. Porém, Nenê nutre fascinação pela história dos Antigos, algo que é proibido, e assim como seu  irmão mais novo, Junior, sonha com um mundo onde todos possam viver livremente, apreciar um céu azul, a natureza, animais e tantas outras coisas, que somente séculos passados puderam vivenciar. 
Talvez, pelo fato de estar tão perturbada pelos sonhos que estavam invadindo sua mente quando dormia, havia surgido dentro de Nenê uma vontade irresistível  de visitar o píer, que era prova de que, um dia, as coisas haviam sido diferentes no mundo. Um dia a realidade havia sido como nos seus sonhos. (Livro: A gente ama, a gente sonha  Pág. 34)
Por uma razão desconhecida, a Máquina dos Sonhos de Vanessa começa a falhar, remetendo-a a sonhos no mundo dos Antigos: com mares e um céu azul, entre tantas outras coisas. De imediato ela teria de reportar essa falha ao Maquinário, porém ela não o faz. E cada vez mais começa a ter sentimentos e desejos que é proibida de ter. E numa manhã, mesmo correndo risco, resolve seguir até o píer, depois de ter tido um lindo sonho com o tempo dos Antigos. Ela encontra uma garrafa, a qual leva para casa e descobre que dentro dela há uma mensagem do passado, mais especificamente de 2012. Além de saber um pouco mais do passado, Nenê passa a ter sonhos com um homem desconhecido, homem este que a faz sentir um novo sentimento, sendo este o Amor... Algo que ela conhecera através dos Antigos. 
Numa sociedade marcada por desgraça, ela optara pela esperança. Num mundo tingindo pelo sofrimento e pela eliminação dos diferentes,  ela optara a dar a Peter a chance de ter um destino. Numa Terra agora sem sonhos, suspiros e sussurros, ela era diferente pela capacidade que tinha de amar e sonhar. (Livro: A gente ama, a gente sonha   Pág.131)
Nenê é uma nova mulher, e além de estar tendo sonhos, conhecimentos e sentimentos proibidos, ela resolve salvar a vida de Peter, o bebê de Zildhe, uma mulher da classe M (miseráveis). Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers.

O que eu disse acima é pouco diante o conteúdo que o enredo apresenta, onde passado e futuro se entrecruzam para deixar uma belíssima e preocupante mensagem. Afinal, classes sociais sempre existiram, e mesmo tratando-se de uma ficção, me fez lembrar de tudo que passamos e sofremos: seja com a devastação da natureza; seja nas injustiças onde os desprovidos de bens ficam a ver navios; seja num mundo onde o virtual predomina; entre tantas outras coisas.  

A autora soube criar um enredo cativante e incrível, onde podemos parar para refletir sobre nossas atitudes e consequências que, decerto, num futuro próximo, virão. A história, além de envolvente, é adornada de ação e com um "quê" de romantismo e também um pouco de comédia, digo isso por parte de duas robôs que me encantei. Um prato cheio para os amantes de um enredo bem construído, com cenários digno de uma produção hollywoodiana. Eu gostei bastante de como a história foi conduzida até o final, e o epílogo me deixou com um gostinho de quero bem mais (espero que venha esse bem mais - rs). Se EU GOSTEI? NÃO, EU NÃO GOSTEI... EU AMEI! S2 E leria até mesmo a lista de compras da Fabiane Ribeiro. \o

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com espaçamentos bons, porém fontes pequenas (o que dificultou um pouco a minha leitura), adornada em papel offset (o branquinho); e a capa é bem bonita, estampando uma nova Nenê, ou seja, bem sonhadora. Por fim, para você que curte uma excelente trama, eis essa boa pedida. 


Livro: A gente ama, a gente sonha
Autora: Fabiane Ribeiro
Gênero: Distopia/Romance
Editora: Universo dos Livros
Ano: 2016
Páginas: 332

31 de dez. de 2016

Esperança — por Mário Quintana


Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano 
Vive uma louca chamada Esperança 
E ela pensa que quando todas as sirenas 
Todas as buzinas 
Todos os reco-recos tocarem 
Atira-se 

 ó delicioso vôo! 
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada, 
Outra vez criança... 
E em torno dela indagará o povo: 
 Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes? 
E ela lhes dirá 
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!) 
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam: 
 O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA... 

(Esperança  por Mário Quintana

FELIZ 2017 a todos! S2

30 de dez. de 2016

[Falando em]: Sempre vai haver uma canção (livro 3) — de Daiane Duarte

Eis a resenha desta obra que fecha uma trilogia que acompanho desde o início. Aliás, fico muito feliz de acompanhar essa história desde os primórdios, e ainda mais por ser citada nos agradecimentos. \o/ Quero agradecer a autora e amiga Daiane Duarte por ter me enviado essa lindeza. Para quem ainda não sabe do que se trata, confira a resenha do livro 1 --> AQUI; e a resenha do livro 2 --> AQUI. Agora vem junto conferir a sinopse, book trailer que eu tive o prazer em editar e resenha de "Sempre vai haver uma canção - O outro lado", uma publicação da editora Entre-Lentes.



Sinopse: Num amanhecer de mudanças, Diana precisa lidar com suas próprias decisões. Mas agora poderemos ver o outro lado da história. Poderemos invadir a mente dos outros personagens e conhecer a verdadeira essência de cada um deles. O que é real? Até onde é possível ir por amor? Neste livro aprendemos junto com os personagens o verdadeiro sentido do amor, da família e do quanto ser amigo pode nos levar aos melhores momentos da vida. Após ler a última página pergunte a si mesmo: Qual é a sensação?


P.S: Vídeo editado por Simone Pesci



"Porque o outro lado pode ser apaixonante"






Um desfecho apaixonante!

A seguir spoilers.


Depois de grandes decepções com Talis, eis que Diana conhece Thor, irmão gêmeo idêntico que morou durante algum tempo fora do Brasil. A antipatia por parte dela foi imediata, porém o bad boy tem seus encantos, e claro, Diana caíra nesses encantos. Contudo, o que ela pensou que fosse apenas um espelho do amor, passou a pulsar dentro do seu peito de forma avassaladora, fazendo-a ter certeza de seus sentimentos. 
Pensei por diversas vezes e por um longo tempo que nunca mais sentiria na mesma intensidade, e quando esta ideia já estava se tornando uma certeza, o Thor entrou na minha vida, e sem que eu percebesse, ocupou mais lugar do que imaginava ser possível, e, agora, já não me via mais sem as ironias dele. (Livro: Sempre vai haver uma canção - O outro lado, Pág.11)
No entanto, Talis tenta convencê-la do quanto ainda a ama, além de ser insistente no pedido de perdão e de volta. Desta forma, a vida entre os irmãos se torna um inferno, deixando Diana transtornada, e por mais que ela tenha certeza de seus sentimentos por Thor, todos insistem em lembrá-la que o que está sentindo pode ser uma confusão amorosa, devido os dois serem idênticos.
Fechei meus olhos, ainda com o gosto daquele beijo na boca e com a sensação daquele abraço apertado na minha pele. 
Como alguém poderia me pedir para abrir mão disso? Seria o mesmo que abrir mão do meu próprio coração. Thor, com certeza, não tinha a metade dos momentos que passamos juntos, e eu conhecia meu irmão, sabia que ele não suportaria pensar que ela ainda me amava, e usaria isso para acabar com ele. Era uma guerra e não dava para deixar de ser cruel. (Livro: Sempre vai haver uma canção - O outro lado, Páginas 136 e 137)

Talis nem precisou seguir com sua vingança, pois no momento que consegue persuadir Diana a viajar, para colocar os pensamentos no lugar, além de ajudar uma amiga com seu relacionamento  digamos assim  pingue-pongue e nada saudável, dois ex comparsas de Thor surgem, vindo direto do país que por tempos ele morou, para vingá-lo, devido a um passado desconhecido por todos. Assim, mesmo amando-a, Thor é obrigado a descartá-la.
 Eu venci!  disse com meu sorriso de sempre. 
 Venceu? Não entendi.  respondeu confusa.

 Venci minha disputa com Talis por você, e agora, digamos que isso perdeu totalmente a graça  sorri do jeito mais sarcástico possível. (Livro: Sempre vai haver uma canção - O outro lado, Pág. 174)

A partir daí haverá muitas reviravoltas, onde Diana terá que ter paciência e esperança de dias melhores ao lado de quem ama. Agora cesso os meus comentários para não soltar mais spoilers

Neste terceiro e último livro da série o leitor ficará de frente com um conteúdo adornado em coração, onde os capítulos são narrados aos olhos de muitos personagens e não somente os protagonistas, o que de fato deixou-me ainda mais encantada, pois foi maravilhoso saber um pouco mais de cada um. Eu pude notar que neste livro a autora desenvolveu a história de melhor forma e com uma escrita mais cativante, e fiquei superfeliz por esse grande passo. \o/ Eu consegui sentir cada trecho, como se fosse íntima da galera. Senti vontade de dizer poucas e boas para o Talis, ao mesmo tempo senti pena dele. Eu quis estar ao lado do Thor para... Ah, acho melhor parar por aqui para não soltar mais spoilers

Alguns capítulos foram narrados por personagens que eu nem esperava e que simplesmente AMEI, pois deu um "quê" especial para o desfecho da trilogia. O final foi bem legal e bonito, exatamente como eu esperava, levando consigo aquela máxima: "O coração tem razões que a própria razão desconhece". Este, sem sombra de dúvidas, tornou-se o meu predileto dos três livros. Ah, tenho que falar sobre a playlist do livro, pois como sempre é divina.

O livro é narrado em primeira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; sua diagramação está com espaçamentos e fontes em excelente tamanho, levando um violino ao fundo de cada início de capítulo, adornado em papel pólen (o amarelinho); e a capa é linda de viver, com o mesmo padrão das outras duas capas, estampando Diana divina e musicalmente. Por fim, para quem curte um enredo YA (Jovem-Adulto) adornado de romance, eis uma boa pedida. o/


Livro: Sempre vai haver uma canção - O outro lado (Livro 3)
Autora: Daiane Duarte
Gênero: YA - Romance
Editora: Entre-Lentes
Ano: 2016
Páginas: 350

[Quote]: Dezesseis, A Estrada da Morte

- Coloque-me no chão, seu doido!  pediu o anjo. 

 Seu pedido é uma ordem, gata! 

Coloquei-a no chão, deitando-a em seguida na grama, ficando sobre o seu corpo, deixando-a à mercê do meu desejo que até então estava contido. 

 Parece que você está com saudades mesmo, hein, Johnny!  sorriu de canto, com aquele sorriso que me quebrava. 

 Anjo, eu respiro você, e estou louco pra provar do fruto proibido mais uma vez.  manifestei o meu desejo em palavras  Permitirás que eu prove desse magnífico fruto mais uma vez?  aguardei sua resposta. 

 Seu louco! Você é incorrigível!  ela repreendeu-me. 

 Isso é um sim, anjo?  indaguei-a. 

 Deste fruto vicioso eu também hei de provar por muitas vezes, Johnny.  respondeu-me com malícia na face. 

 Ana, quanta falta você me fez...  puxei-a para perto de mim. 

 Cala a boca e me ama, Johnny! 


★ Livro: Dezesseis  A Estrada da Morte, Cap.17 ★

NÃO AGRADE OS INGRATOS, NEM SIRVA AOS FOLGADOS!

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros. 

Passamos muito tempo fazendo a coisa certa para as pessoas erradas, sofrendo as consequências das péssimas escolhas pelo caminho, sofrendo à toa por coisas inúteis e gente sem conteúdo, alimentando vãs esperanças em relação ao que não tem a menor chance de vir a acontecer. 

Perdemos muito tempo investindo no vazio, esperando retorno do que não volta, aguardando sorrisos de quem nem nos olha direito. É preciso focar no que é real, pois, mesmo que não haja muito de verdadeiro nesses terrenos, esse pouco bastará.   

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, às pessoas descontentes e incapazes de receber algo de fora. Existem indivíduos que se encontram por demais fechados ao acolhimento do que não se encontra dentro deles, do que não faz parte daquele mundinho em que eles se fecham, presos a crenças e sentimentos que não mudam, não são repensados, não saem do lugar. Tentar alcançá-los é inútil. 

É necessário evitar a servidão aos folgados, aos aproveitadores, a quem não sai do lugar por si só, a quem foge a qualquer tipo de responsabilidade, pois sabe que alguém sempre fará por ele. 

Temos que ter clareza quanto ao que realmente devemos e poderemos tomar para nós, ou acumularemos cargas de bagagens que não são, nem de longe, relacionadas às nossas vidas. Muita gente precisa de ajuda, sim, mas muitos precisam é de vergonha na cara. 

Não podemos nutrir amizades duvidosas, com pessoas que não expressam a menor necessidade de nós, como se tanto nossa presença quanto nossa ausência fossem a mesma coisa, algo sem importância, invisível, dispensável. 

Nem todos de quem gostamos irão gostar de nós, o retorno da estima e da afeição nunca é uma certeza, portanto, há necessidade de que adentremos exclusivamente os encontros verdadeiros. 

Não é fácil nem tranquilo conseguirmos acertar quanto ao que poderemos regar com a certeza de retorno e reciprocidade, uma vez que as pessoas, os acontecimentos, a vida, tudo é imprevisível. 

Embora muito do que acontecerá em nossas vidas não possa ser controlado, mantermos sob controle nossas verdades e a certeza de que merecemos ser felizes nos tornará mais fortes diante dos tombos, sem que desistamos de nossos sonhos.

Por: Marcel Camargo
Texto via: O Segredo