18 de dez. de 2015

[Falando em]: Sangue & Desejo, Livro 2 — de Gisele G. Garcia

Quando o enredo me encanta, é fato que concluo a leitura em um curto prazo de tempo. E assim como o primeiro volume dessa série (para conferir a resenha clique AQUI), posso dizer que as minhas expectativas superaram o entretenimento e apreço que tive com o Livro 1, fazendo deste (o Livro 2), o meu predileto. E novamente agradeço a amiga e escritora Gisele G. Garcia por me presentear com essa maravilhosa série. S2 Agora confiram a sinopse, book trailer e resenha do segundo livro da série  "Sangue & Desejo - Espelhos do Passado (livro 2)", uma publicação da editora Literata.


Sinopse: A caça aos descendentes de Isabel Sorin e o ciclo enlouquecido de vingança, após séculos de sangue inocente derramado, enfim encontrou o seu término. Andrei e Maíra viajam à Roma com a única intenção de escreverem novas páginas em suas existências. Porém a pupila reluta em aceitar sua nova condição e seu mestre parece não ter apagado todas as suas memórias, tornando-o alguém duro e impassível. O passado insiste em persegui-los, deixando claro que Isabel nunca foi destruída. Após um começo turbulento, Roma fica para trás e o casal chega à Romênia, palco de toda uma sucessão de amores e tragédias. Ruínas e espelhos do passado serão como montes e montes de entulho no caminho dos dois. Novos filhos da noite trarão quatro séculos de história de volta e transformarão, passado e presente, em um futuro terrivelmente frágil e incerto.



"Porque ruínas e espelhos podem fazer-te impiedoso." 






Dias atuais, Roma.
Andrei e Maíra, os protagonistas da trama, resolvem deixar o Brasil e seguirem para Roma. Ela, agora em sua nova condição como vampira, sente dificuldade em agir como tal, e sua adaptação com sua nova condição vem aos poucos, em doses homeopáticas, deixando-a em dúvidas e até mesmo com receio e medo.

Andrei, por sua vez, apesar de amá-la, confunde-se com tais sentimentos, pois assim que retorna para Roma, se depara com lembranças do passado, das quais Isabel, sua ex, está sempre presente. Ele sente-se irritado com a dificuldade de Maíra em aceitar sua nova condição e também fica comparando-a com Isabel a todo instante, o que de fato os deixam mais distantes.
A realidade se distanciava da ficção. Enfiar os caninos na carne de alguém era algo amedrontador, nada parecido com o prazer narrado nos livros. A cor brilhante e fascinante do sangue tornou-se suja em sua boca e mãos. (Livro: Sangue & Desejo, Espelhos do Passado, Pág.50)
Ainda em Roma, Andrei procura alguns amigos do passado, sendo dois destes Baldassare (um maquiavélico vampiro de quem já foi sócio nos negócios séculos atrás), e Bionda (braço direito de Baldassare com quem Andrei já se relacionou no passado). Ambos não são verdadeiros amigos de Andrei, tampouco anseiam em ajudá-lo com seu atual relacionamento.


Dias atuais, Romênia.
Desta forma, querendo fazer com que sua pupila Maíra aceite sua nova condição e também tentando cessar os sentimentos do passado, os dois seguem para Romênia, o lugar onde tudo começou, quando ele fora transformado, se apaixonou e, por fim, iniciou. Maíra é a última da linhagem do Clã Sorin, e mesmo sendo uma nova vampira, é vista por todos com negação, pela semelhança em características com Isabel, o passado sombrio de todos. Contudo, muitos dos vampiros percebem que ela é diferente em atitudes, com uma humanidade ainda existente.
—  Frieza e imparcialidade são as únicas coisas de fato presentes na pós-vida, não é? Se Isabel era assim eu também posso ser.
Deu-lhe as costas e Andrei a agarrou firme pelo braço, fazendo-a girar o corpo e se colocar diante dele.
—  Você não é Isabel.
—  Ser como ela, é o único modo de ter o resto do seu amor. 
(Livro: Sangue & Desejo, Espelhos do Passado, Pág.76)


Na Romênia, Andrei e Maíra estão numa sinuca de bico, pois além de terem seus conflitos particulares, dão de cara com antigos e novos vampiros que fazem parte do Clã Eberle e que anseiam pela verdade e vingança. E, neste jogo, há também desejos incontidos de paixões avassaladoras, algumas já antigas e outras que estão se formando. Maíra acaba por ser tornar tão cruel quanto Isabel, despertando novos sentimentos e paixões.

— Una autentica principessa. E poi, chissà, la regina de Alexandre. (Uma verdadeira princesa. Ou então, quem sabe, a rainha de Alexandre).
Quando desviou para a italiana, as íris cinzas estavam escuras, demonstrando seu desprezo e raiva pelo comentário e pela situação.
— Ora, não me olhe assim. Você a tratou mal e o nobre senador soube aproveitar. Agora não reclame.
Alexandre a conduzira até a mesa com as bebidas. Enquanto servia-se de uma taça de sangue, os olhares curiosos e agitados, como um enxame de abelhas, não desviavam dela. Maíra não parecia incomodada, pelo contrário, ignorou os convidados e saciou a sua sede.
(Livro: Sangue & Desejo, Espelhos do passado, Pág.169)

Maíra passa a ter visões que à remete num passado do qual desconhece, fazendo com que ela fique transtornada, deixando a todos, especialmente Andrei, enlouquecido. O final deste segundo livro é de perder o fôlego, com lutas e promessas de amores e vingança ainda maiores, deixando uma incógnita que decerto será a trama do terceiro livro. Pois bem, só posso afirmar que amei ambos, o primeiro e o segundo livro. Porém, este, envolveu-me ainda mais com sua trama muito bem amarrada, intercalando passado e presente de forma sucinta, característica que admiro e me faz fã dos textos da Gisele, tornando o conteúdo ainda mais atrativo. Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers.

A trama é narrada em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; os capítulos apesar de curtos, são bem desenvolvidos e descrevem perfeitamente as cenas; a diagramação é bem bonita, com fontes maiores do que estou habituada a ler e espaçamentos na medida certa, envolta em papel pólen, ou seja, o amarelinho; sua capa estampa os olhos de uma nova Maíra, agora um ser da noite. Por fim, como é uma série com continuidade em enredo e fatos, ressalto que para que se envolva e não perca nada da trama, o certo é lê-la desde o princípio, com o primeiro livro. EM BREVE teremos resenha do Livro 3. P.S: De 1 a 10 dou nota 1.000. \o/


Livro 2: Sangue & Desejo - Espelhos do Passado
Autora: Gisele G. Garcia
Gênero: Ficção brasileira
Editora: Literata
Ano: 2013
Páginas: 188

16 de dez. de 2015

[Texto]: O DIA EM QUE DEIXEI DE ACREDITAR EM HISTÓRIAS DE AMOR

O dia em que deixei de acreditar em histórias de amor não foi um dia bonito. Não sei precisar o mês. Não sei precisar se era Outono ou Primavera. Por certo, era Inverno. Não me lembro da hora que acordei ou do que fiz a seguir. Na verdade, lembro-me muito pouco desse dia. Ou desses dias. Simplesmente sei que, sem que nada o fizesse prever, deixei de acreditar em histórias de amor. Talvez o crescer me tenha levado a crença. Talvez os estilhaços do meu coração magoado me tenham feito enxergar a verdade. Talvez.

Desde cedo, muito cedo, que me apaixonei perdidamente pelos livros e pelas histórias. Foi um amor à primeira vista quando, com cinco anos apenas, recebi como presente de aniversário (no tempo em que ainda festejava o meu aniversário) o livro da Cinderela. Era um livro muito bonito, com um design muito original e com imagens lindas demais. Ainda hoje guardo esse livro, da mesma forma que guardo, num cantinho do coração, um carinho especial pela menina que se tornou princesa por causa de um sapato. Adiante. Dizia eu que, desde cedo, me apaixonei pelos livros e, à medida que fui crescendo, pelos romances. Perdia tardes e tardes a ler e a imaginar que, um dia, também haveria de aparecer um príncipe na minha vida. E nem precisava de ter cavalo branco, bastava que fosse príncipe, um príncipe de verdade. Os anos foram passando e descobri esse maravilhoso contador de histórias, o senhor Nicholas Sparks. Li o primeiro livro e nunca mais parei. Eram histórias de amor dignas de filme. Histórias em que tudo começava bem, depois corria tudo mal e, por fim, todos faziam as pazes e viviam felizes para todo o sempre. Como eu me deliciava com essas histórias. Como eu acreditava que, na vida real, tudo seria assim. Porque, se estava escrito em tantos livros, não seria obra do acaso. Porque, acreditava eu, essas histórias de encantar deveriam, forçosamente, ter um fundo de verdade ou deveriam ter sido inspiradas em acontecimentos reais. Se assim era, era quase obrigatório que eu acreditasse.

À medida que o tempo foi correndo, à medida que o meu coração foi ficando lascado devido a tantas e tantas perdas, tantas e tantas desilusões, as histórias de amor escritas pelo senhor das histórias de amor foram deixando de fazer sentido. À medida que o meu coração foi arrefecendo, ou crescendo talvez, comecei a olhar com outros olhos e percebi que as histórias de amor perfeitas só existem nos livros. E nos filmes baseados nos livros. A realidade é bem diferente, desprovida de homens feitos príncipes e de mulheres que esperam o tempo que for preciso pelo reencontro com um grande amor. Percebi que, na realidade, os homens assemelham-se mais a sapos e as mulheres têm mais o que fazer do que acreditar em promessas que nunca serão cumpridas.

Não foi bonito o dia em que deixei de acreditar em histórias de amor. Foi um dia triste e cinzento. Foi o dia em que arrumei todos os livros com histórias de amor numa caixa de papelão, para que não mais tivesse vontade de os reler, para que não caísse na tentação de voltar a acreditar em histórias de amor irreais. Foi um dia que não mais esqueci, apesar de não me recordar do dia certo nem da hora exata. Apenas sei que foi um dia de viragem. Foi a partir desse dia que deixei de me dar, que deixei de confiar, que passei a ter cautelas e mil e um cuidados, não fosse o príncipe que não é príncipe trespassar-me novamente o coração.

O dia em que deixei de acreditar em histórias de amor marcou o meu crescimento. Fiz-me mulher, mais mulher. Troquei os romances pelos policiais e pelas histórias de verdade, aquelas que existiram mesmo e que não foram inventadas por vendedores de histórias de amor. Ao senhor Nicholas Sparks, agradeço imenso pelo tempo em que me fez acreditar que as histórias dos seus livros poderiam transpor-se para a realidade. Foi um bom tempo de ilusão. Mas acabou. Não mais voltei a ler os seus livros. Não tenho vontade. Não quero voltar a achar neles desilusão e romance barato. Lamento.

O dia em que deixei de acreditar em histórias de amor foi um dia difícil. Mas necessário. E hoje, passados alguns anos, percebi que, melhor do que acreditar em histórias de amor, é encontrá-las. No café que fica na esquina da rua. No jardim do limite da cidade. Nos bancos de pedra que ladeiam os caminhos de granito. As histórias de amor, as de verdade, confrontam-nos todos os dias. Se houve um dia em que deixei de acreditar em histórias de amor, haverá, por certo, um dia em que serei eu a escrevê-las, com um toque de verdade e muita realidade à mistura.

Via: Obvious

[Redenção]: Cap.1 — Origem e Queda

Livro: Redenção
Autora: Simone Pesci
Gênero: Romance Sobrenatural
Status: Ainda sendo escrito, sem previsão de conclusão e publicação. Texto sem revisão final, sujeito a alteração. Capa provisória.


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CAP 1 —  ORIGEM E QUEDA

Eu estava por perto quando ele — o Salvador — se encontrava em seu momento de dúvida e dor, rodeado por muitos bonecos de barro que deram a sua sentença final, mostrando de que nada valia numa febril batalha entre o bem e o mal. Fiquei por lá, até me certificar que Pilatos lavasse suas mãos e selasse o seu destino, que também seria o meu destino, pois sendo ele castigado, eu continuaria por aqui, sendo apenas eu mesmo: o renegado Príncipe das Trevas, incumbido de manter a desordem. Ele era a salvação e Eu a perdição. 

Fui desobediente, não atendendo ao pedido do Pai, o ser supremo maior, que criou o mundo, a humanidade e todas as outras coisas. Não me conformei em cumprir uma de suas ordens, ser submisso aos bonecos de barro, ou seja, os humanos. E por este motivo, não cumpri o que me fora ordenado, esquecendo-me até mesmo do ser supremo maior, até então, meu Pai. 

Desobedeci e enfrentei-o com a bravura de um guerreiro. E com a mesma bravura ele renegou-me, sentenciando-me ao Inferno, um lugar que deveria ser o meu maior martírio. Porém, eu não era o único insatisfeito e desobediente no Reino dos Céus, haviam muitos outros que pensavam como eu, revoltando-se e desobedecendo-o. 

Eles também o enfrentaram ao descobrir que seres inferiores a nós teriam o livre-arbítrio, e com isso, nós — os seres de luz maior — estaríamos restritos a castigá-los. Sendo assim, muitos seres de luz maior também foram renegados e enviados ao Inferno, e, desta forma, pereceram ao meu lado. 


“Hic de caelo descendi” 
(Do céu desci) 


Para alguns eu era Lúcifer, o temido anjo caído. No entanto, a humanidade tinha o péssimo hábito de me intitular com vários nomes: na cultura judia eu era Dybbuk; no budismo e hinduísmo eu era Rakshasa; na cultura islâmica eu era Abaddon; para a mitologia grega eu era Hades; para o cristianismo e todo o resto eu era o Capeta, Demônio, Diabo, Belzebu ou Satanás. Contudo, o nome que mais me agradava, era Lúcifer. 

Com a queda, apagou-se a minha luz, fazendo com que eu me tornasse um alado. Eu permaneceria por toda a eternidade, enclausurado numa prisão que para muitos era o tormento. No entanto, para mim, passou a ser o meu maior regozijo. 

Como o primeiro anjo caído e traidor, tornei-me o ser das trevas com maior poder e sombriedade. E mesmo não emanando a luminescência e bondade de antes, eu ainda seria um ser supremo e extremo, com extraordinários poderes. Tinha o dom de encantar, persuadir, mentir, enganar, dentre tantos outros dos quais eu muito me orgulhava. Foi neste momento que decidi ser um líder, pois nenhum outro anjo caído teria os mesmos poderes que eu. Assim, fiz da minha prisão o meu reinado, tornando-o a morada dos mortos pecaminosos, conhecida por todos como “O Reino de Tenebris”, ou seja, “O Reino das Trevas”... Um lugar onde eu era rodeado por meus fiéis súditos, que sempre se encarregavam em trazer muitas almas desgraçadas que se tornariam meus escravos. 

Apesar de todo meu poder, eram poucas as vezes que subia para o mundo dos humanos. Na verdade, eu só me embrenhava nisso quando sentia necessidade de fazer justiça com minhas próprias mãos, o que pouco acontecia, pois eu tinha a eles, os meus fiéis súditos e escravos para cumprirem com os meus propósitos. 

Criar desordem, tirar vidas, deturpar, enlouquecer, eram alguns dos tantos trabalhos que eu ordenava diariamente. Aliás, no mundo dos humanos tudo se cumpria com muita facilidade, pois os bonecos de barro, em sua maioria, eram almas desgraçadas, que por motivos limitados e pura fraqueza, agiam de forma terrivelmente assustadora, fazendo com que meus propósitos fossem cumpridos de maneira fácil, trazendo-os para o meu torturante acalento. Todas as almas pecaminosas desciam direto para minha prisão, sabendo que de lá nunca mais sairiam. O inferno era a morada do Diabo... A minha morada... A morada do anjo traidor caído... A morada das almas pecaminosas. 

Às vezes o meu tédio vinha à tona, era quando eu resolvia travar batalhas magnânimas diretas com o céu, pois este era um dos meus prazeres prediletos: provocar o meu criador, que me fez ser um ser celestial desprovido de palavras e atitudes diante dos humanos, tendo que me ponderar no que eu achava correto e justo, algo que não deu muito certo. 

Eu nunca me ponderei, e por sinal, sempre fazia uma justiça trapaceira. Foi quando mais uma vez trapaceei, e disfarçando-me como um anjo qualquer, adentrei o Reino dos Céus. Naquele dia, o céu reinava numa certa tranquilidade — e assim, com minha demasiada coragem, enfrentei o meu criador. 


†††

— Pai, necessito das mãos livres para agir. Não me impeça com suas preocupações inúteis. Eu o desobedeci, e por isso renegou-me. Agora só lhe peço mãos livres. 


... "Porque a boca fala do que está cheio o coração" 
(Mateus 12:34) 


— Filho, você emana maldade, e sua boca só desfere desgraça e tristeza. Isso muito me entristece. Construí o seu martírio e você fez dele o seu reinado. Afirmo-lhe, suas mãos estão livres, nada mais posso fazer! 

— Ó Senhor dos Céus, afirmas que me dá liberdade, mas priva-me do paraíso? 

— Seu paraíso será o seu maior martírio, apenas isso. Agora volte para o seu reino, e da próxima vez que ousar atravessar os portões do céu, eu não terei piedade. 


†††

E assim desci para o meu reino, e por milênios enclausurei-me, apenas supervisionando os trabalhos sujos que eu ordenava aos meus fiéis súditos e escravos. Por um tempo me contentei em estar nessa posição, apenas dando ordens e supervisionando. No entanto, houve uma época que decidi fazer pessoalmente da vida dos humanos um inferno. Foi quando implantei o caos. Desta forma, recebi a excelentíssima visita do Senhor dos Céus... 

†††


— Se és tão bondoso como diz, por que não os ajuda? — perguntei, defronte à ostentosa luz que se fazia presente. 

— Minha bondade e ajuda começa antes mesmo de sua chegada. Alguns se salvarão, outros não. Infelizmente não tenho o poder de mudar atitudes, mas faço o que posso para dar-lhes a razão e tocar vossos corações. 

— Ora, Senhor, és bondoso e tocas muitos corações humanos, mas priva-me de ter o coração tocado? 

— Ó criatura sem alma, nunca teve um coração... És um ser exilado, que sente prazer em ver a maldade no mundo, e por isso, nada tenho a lhe oferecer. 

— Criastes, renegastes e punistes a mim com a mesma intensidade. No entanto, não tens coragem de punir a estes que são tão impuros quanto eu? — fiz uma mesura com as mãos, mostrando-lhe o caos logo à nossa frente. 

— Você foi criado de forma diferente, com um poder e sabedoria que eles jamais terão — a luminescência tornou-se ainda mais forte — Renegou-te a ti mesmo, meu filho. 

— Se é assim que pensas, meu pai, por que insiste em visitar-me e ver o meu reinado triunfando?

— O seu reinado só prevalecerá naqueles impuros de coração. Sua sentença já foi dada, milênios atrás. Contente-se com seu martírio e absolva a alma desses pobres mortais. 

— Nunca! Eles fazem parte do meu reino. Posso não ter um reinado tão forte quanto o teu, mas ainda impero uma grande legião. 

— Pois então nossa luta será constante, Lúcifer! Saiba que jamais abandonarei aos meus, e até mesmo os impuros têm direito de entrar no Reino dos Céus. 

— Ó grandioso Senhor, se és assim, por que ainda renegastes seu impuro filho? 

— Não renego-te por inteiro, pois ainda és o meu filho. Apenas discordo de suas atitudes. 

— Pois então, meu Pai, me renegará por inteiro e discordará de mim para todo o sempre. 


“Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte” 
(Apocalipse 21:8) 


Canção Inspiração
Cantor: Hozier
Música: Take Me To Church

P.S: Vídeo editado por Simone Pesci

15 de dez. de 2015

[Falando em]: Sangue & Desejo, Livro 1 — de Gisele G. Garcia

Eu ganhei essa série da escritora e amiga, a Gisele G. Garcia. P.S: Obrigada, Gi! S2 Trata-se de um enredo com vampiros, algo que eu havia comentado que estou um pouco cansada de ler. Porém, fui surpreendida de forma positiva, pois deparei-me com uma trama muito bem escrita e amarrada, que prendeu-me do início ao fim, fazendo com que eu degustasse suas páginas em apenas algumas horas, deixando-me com um gostinho de quero mais. Agora confira a sinopse, book trailer que eu tive o prazer em editar e resenha de "Sangue & Desejo, Livro 1", uma publicação da editora Literata.


Sinopse: Cidade de Huneodara, Transilvânia, ano de 1600. Nicolae Eberle, fundador do Clã Eberle, é o anfitrião de mais uma festa em seu palácio. Lá, uma vampira perdida entre desejos de ódio e vingança que confundem-se com a loucura dentro dela, decide enfrentar seu criador. Como resultado dessa loucura os discípulos de Eberle se voltam contra ela a fim de vingar de modo cruel e implacável o seu precioso mestre. E assim uma busca que atravessa séculos é iniciada, atrás dos descendentes da vampira. Porém, um único vampiro vem para o Brasil. Cansado de tudo, decide dar um tempo longe de seu passado e de sua própria história. Conhece por aqui uma jovem humana, a última peça de uma vingança e que desconhece o próprio passado. Surgem então dois vampiros do Clã, dispostos a tudo para colocar um fim à perseguição que começaram séculos atrás. Outra mortal aparece e está possui uma marca de nascença que a revela como alguém ligada ao passado dos vampiros. Agora um deles tem uma difícil decisão a tomar, e ao lado do vampiro mais velho do Clã determinará o destino de uma vingança secular.

P.S: Vídeo editado por Simone Pesci




"Porque a vingança tarda, mas não falha"






Distrito de Huneodara. Transilvânia - 1600
Seria um início de noite qualquer, se não fosse por uma festa num suntuoso palácio, onde o anfitrião, Nicolae Eberle, o mais antigo e poderoso vampiro, recebera tantos seres da noite amaldiçoados, os quais ele mesmo transformou. Alguns amaldiçoados por vontade própria, outros que por fraqueza tornaram-se vítimas, revoltando-se com o criador,  acabando por servi-lo e, ao mesmo tempo, ansiando por vingança.

Nicolae era desprovido de qualquer sentimento humano, sedutor em palavras e também o mais maquiavélico, procurava vítimas desesperadas que seriam úteis para o seu Clã. Uma dessas vítimas foi Isabel, uma linda jovem, mãe de duas garotinhas, que acabara de perder o esposo. Ela foi transformada, tendo a promessa da eternidade, ansiando em estar sempre ao lado das filhas, para protegê-las. No entanto, ao ser transformada, teve como penitência a distância, pois sento vampira, não teria como mantê-las a salvo de si mesma, já que sua sede por sangue era mais forte do que seu apreço e amor. Assim, sua revolta e vingança iniciou-se. Isabel servia a Nicolae e a tantos outros como amante. Contudo, tinha um amor vampírico que também era apaixonado por ela, sendo este Andrei, que era totalmente averso a Nicolae.
Ninguém sabia de momento quem era a família de Isabel e se ela tinha filhos, mas os mais fervorosos devotos de Nicolae Eberle juraram varrer toda a linhagem dos Sorin da face da terra. E assim teve início uma busca incessante. Os vampiros de Eberle fizeram uma verdadeira investigação, atacaram e mataram quase cem Sorins, trinta só na Romênia, mas ainda faltavam duas lindas jovens de olhos claros e cabelos dourados que pareciam terem sido tragadas pela poeira da terra. As buscas atravessaram anos e séculos. O tempo foi se arrastando, até que apenas uma jovem Sorin conseguisse sobreviver. (Livro: Sangue & Desejo , Livro 1 - Pág.21)
Campinas, Brasil. Dias atuais. 
Maíra viveu parte de sua vida em um orfanato. Porém, tornara-se uma linda e independente mulher. Ela mudou-se para Campinas, para gerenciar uma livraria, cargo este que ansiava algum tempo. E logo no primeiro dia de serviço, se depara com uma funcionária invejosa e que usa de qualquer artifício para se sair bem. Olívia é uma funcionária despeitada. Contudo, além desta despeitada funcionária da livraria, há um misterioso e enigmático cliente que passa horas degustando de algumas leituras, e, vez ou outra, adquirindo um livro. Maíra sente-se atraída por aquele misterioso, sedutor, e por tantas vezes, grosseiro homem.
— Quem é você?
— O único que pode te salvar do seu próprio destino, um sanguessuga que existe além da imaginação dos literatos.
— Isso... Isso está começando a me assustar — disse, levantando-se.
— E vai assustar mais ainda. O sangue dos Sorin correu por terra há mais de quatro séculos e a última gota ainda vai correr. 
Fez uma pausa, diante da perplexidade estampada em cada músculo inerte do corpo de Maíra. 
— Você é a última gota e o alimento de seus inimigos.
(Livro: Sangue & Desejo, Livro 1 - Pág.88)


Andrei fica defronte a reencarnação de Isabel, aquela que tanto amava e que agora estava no corpo de Maíra, tendo que denunciá-la a aniquilação, junto de tantos outros vampiros que acabara de chegar em Campinas, e que, por séculos, procuram pela última gota de sangue daquela linhagem que eles tanto repudiam. Neste time também estão Victor, Sorana e Lucius (o mais poderoso vampiro depois de Nicolae), ambos anseiam por vingança contra o Clã Sorin. Andrei sofre, pois tem que dar continuidade com a vingança, mesmo amando aquela que porventura (ou não) voltou para sua vida.

O amor que nutria por Isabel transformou-se em caos, em arrependimento, numa luta interna constante e desagradável. Matar ou morrer não era mais o x da questão, agora tinha de escolher entre massacrar a última sobra de seu passado, de seu amor, ou entregar-se a ele e destruir mais de quatrocentos anos de pós-vida. (Livro: Sangue & Desejo, Livro 1 - Pág.141)
Agora cesso os meus comentários para não soltar spoilers. Só adianto que me apaixonei perdidamente por Andrei e Maíra, e também por tantos outros personagens que levam consigo características de vampiros clássicos, daqueles que nos fazem arrepiar os cabelos, sendo estes impiedosos. Eu amei a maneira como a trama foi conduzida, a Gisele tem uma escrita que amo, direta, sabendo ousar em cena, e apesar de achar essa trama bem mais suave do que o primeiro enredo dela que pude conferir, ou seja, "Os Quatro Naipes" (confira a resenha clicando AQUI), ainda assim eu gostei pacas.

O enredo é narrado em terceira pessoa, com narrativa e diálogos de fácil compreensão; a diagramação é simples, com fonte e espaçamentos na medida certa, envoltos em papel pólen (o amarelinho); sua capa carrega um morcego carregando uma rosa. Eu, particularmente não curti a capa. Por fim, para você que curte um excelente enredo/ficção regado à paixões e vinganças, essa é uma maravilhosa pedida. \o Agora vou partir para o livro 2, pois a curiosidade está grande. Aliás, não será sacrifício algum, pois eu leria até mesmo a lista de compras da Gi. \o S2


Livro: Sangue & Desejo, Livro 1
Autora: Gisele G. Garcia
Gênero: Ficção brasileira
Editora: Literata
Ano: 2011
Páginas: 208

12 de dez. de 2015

[Desabafo]: Sobre escrever/comentar com respeito e coração...

Olá, pessoal!

O motivo deste post é único, venho por meio dele falar sobre algo que já faz um tempo que me incomoda.

Às vezes é melhor calar-se do que bater de frente. Porém, desta vez, resolvi expressar minha opinião e desabafo por aqui.

Quem me conhece sabe que estou na blogosfera desde 2010. Contudo, este meu blog está no AR um pouco menos de dois anos. Porém, o meu antigo blog era adornado por muitos seguidores, comentários e visualizações, e ambos (este e o antigo) sempre foram focados em coisas das quais gosto e admiro. Por isso, eis um conteúdo diversificado. No entanto, hoje, eu também dou destaque aos meus trabalhos com a escrita.

Desde os primórdios, quando a blogosfera ainda era uma área de entretenimento e não um ringue de egos e conflitos, eu me sentia melhor em visitar e comentar tantos outros blogs, coisa que hoje desfruto em minudência. Aliás, os poucos que ainda visito, são de parceiros e amigos que tenho grande apreço.

A questão é: 
Antes do parecer vem o respeito, e se você não for capaz de respeitar em um parecer, então não o faça. 
Tente se colocar do outro lado.

Por exemplo: um dia eu era apenas uma blogueira que falava de tudo um pouco; hoje sou uma blogueira e escritora que ainda fala de tudo um pouco. Porém, afirmo, sempre me atento em como colocar as palavras em uma postagem/comentário. Em minhas resenhas, tento ao máximo passar verdade, e se de alguma forma o texto não me tocou ou me incomodou, digo apenas o necessário, com transparência, sem ofensas e muito menos desdenhando ou avacalhando o trabalho outrem. E isso vale também para os comentários...

Deixe-me explicar:
Leitores (blogueiros e afins), vocês são de suma importância... Tão importantes quanto aqueles que criam uma história em infinitas páginas, ou seja, os autores/escritores. Afinal de contas, escrevemos para nós, e, principalmente, para vocês... E esperamos que de forma consciente vocês nos digam se estamos acertando ou errando e até mesmo onde devemos melhorar (se for necessário). Por isso, seguem 3 dicas que é válida para blogueiros, leitores e escritores... Lembrando que sou 'blogueira, leitora e escritora'.

1 — Antes de dar início em uma leitura, procure saber se de fato o enredo é o gênero que você curte (ou lhe interessa). Desta forma, lendo algo que gosta, as chances de entendimento e carisma para/com a leitura serão maiores... E você poderá expressar sua mais sincera opinião sobre aquilo que realmente entende e curte.

2 — Se você vai comentar algo que sequer tem conhecimento de causa, baseando-se em opiniões de amigos, intelectos, ou até mesmo plataformas tais como Skoob, Amazon ou a blogosfera... Contenha-se, e, por favor, tenha ao menos a decência em saber sobre o que está falando/comentando. Afinal, um comentário mal intencionado, sem conhecimento de causa e baseado em suposições e opiniões, pode até mesmo acabar com os sonhos daquele que por dias, meses ou anos, dedicou parte de seu tempo com afinco e carinho para tocá-lo com o seu texto.

3 —  Último, porém, não menos importante... Expresse seu texto/opinião com o coração e respeitando ao próximo, pois grosserias e falta de educação não cai bem. Uma boa dosagem de coração e respeito não faz mal a ninguém. A humanidade agradece!

Por fim:
Eis o motivo deste post... 

Aceito de bom grado críticas construtivas. Contudo, me nego a ter pareceres de pessoas que ao invés de colaborar, age de forma mal intencionada, desrespeitando e denegrindo a mim ou a qualquer outro. Digo isso pois, por esses dias, dei de cara com pareceres 'mal intencionados' referente ao meu último trabalho, ou seja, "Dezesseis - A Estrada da Morte". E o mais triste foi constatar que foram pareceres de pessoas que sequer o leram e basearam-se em deduções devido ao conteúdo do enredo, que leva consigo um final trágico e triste, assim como a música que serviu de inspiração. Quem é fã e conhece a canção Dezesseis da banda Legião Urbana, sabe muito bem o que acontece no final. É trágico! É triste! É Legião Urbana! Uma banda que amo por demais e que sempre levou poesia, alegrias e tristezas em suas letras.

Foi enfatizado também a minha escrita, no caso, como fraca. Pois bem... Escrevo com o meu coração, e SIM, não penso em escrever de forma rebuscada para provar que sou uma boa escritora. Acerto e também erro, como qualquer um... E da mesma forma, escuto e levo à risca uma opinião, desde que sincera e com 'boas intenções'. Escrever com o coração é o meu modo de ser, e tocar corações o meu objetivo. Portanto, se for para fazer difererente, nem o faço. Aliás, não tire conclusões de um texto em que a narrativa é jovial e simples, pois SIM, Dezesseis é adornado por adolescentes, com um conteúdo que até certo ponto é clichê (amo clichê), mas que, por fim, acaba tornando-se pesado e dilacerante, levando sempre uma mensagem. Diferente da narrativa e diálogos do meu primeiro livro "Entre o Céu e o Inferno", um enredo bem mais forte, de conteúdo adulto e ainda mais dramático. SIM, drama e romance são os meus gêneros prediletos, e por isso os escrevo. Desta forma, sempre que posso alerto, enfatizando sobre isso, para que depois não diga: — Nossa, quanto drama! E para finalizar: contudo, ainda assim, escrevo de forma simples, afinal, o objetivo sempre será tocar corações.

Bom, é isso!

Sejam sempre bem-vindos!

Abraços mega literários,

Simone Pesci