29 de ago de 2016

[Prólogo]: Dezesseis, A Estrada da Morte

Eu fechei meus olhos e pisei fundo no acelerador, fazendo o ronco do motor do meu Opala azul metálico ressoar como um cântico encantador aos ouvidos de qualquer apaixonado por aquele barulho ensurdecedor. E, ainda de olhos fechados, respirei fundo. Como em um filme, tive alguns flashes de tudo que vivenciei nesses meus dezesseis anos... Minhas travessuras, ainda quando criança, ao lado da minha família amada; meus momentos de loucuras junto aos meus amigos, sempre regado a muita bebida e a muitos cigarros de maconha. Porém, era ela  Ana Cláudia  a minha maior e melhor recordação. 

Foi por ela, aquela que eu considerava minha salvação e minha perdição, que estava prestes a seguir rumo à estrada da morte, também conhecida como “curva do diabo”. Uma curva na qual muitas vidas foram perdidas. Uma curva que, certamente, seria a salvação de qualquer mortal que estivesse prestes a desistir da vida. 

Ainda acelerando meu Opala, respirei fundo e abri meus olhos. Logo, olhei para o lado oposto da estrada, e, dessa forma, o avistei... Samuel Garcia, conhecido por todos como “Samy”. Aquele era o cara que acabou com os meus sonhos e tirou de mim o mais lindo e real sentimento que já nutri por alguém. Ele roubou minha doce e amada Ana, aquela que me fez sentir vivo e amado por longos e inesquecíveis meses, e que, em muitos momentos, enlouqueceu-me a ponto de pensar em sumir, levando-a como minha refém. 

Sentia o olhar vulcânico de Samy em minha direção, e também percebi que ele acelerava o carro tanto quanto eu, fazendo o ressoar do seu, também Opala  porém, na cor preta metálica  tão ensurdecedor quanto o meu. 

Sempre fui considerado o rei dos rachas e, de certa forma, me orgulhava por ser intitulado dessa maneira. Era como se a patente fosse exclusivamente minha, e, por tal motivo, nunca deixei que ninguém me vencesse em disputa alguma, pois essa era minha vida. Entretanto, estar naquela situação era aterrorizante e libertador. 

 Johnny... Não!  escutei a doce voz que eu tanto amava soprar as palavras em meu ouvido. 

E, ainda olhando a pequena e fiel multidão que sempre acompanhava esses acontecimentos, segui rumo à curva do diabo. 

(...) e os motores saíram ligados a mil, pra estrada 
da morte, e aquele foi o maior pega que existiu. 


Inspirado na canção “Dezesseis”  da banda brasileira Legião Urbana  este é um enredo de amor recheado com muitas aventuras. 

Apaixone-se, retorne no tempo, relembre seus “Dezesseis”... e seja, você também, um “rebelde sem causa”...

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