14 de jul de 2016

[Quote]: Entre o Céu e o Inferno, Cap.14

— Alex, seja sincera comigo... Você já amou alguma vez?  sua curiosidade era visível. 

Atônita com tal pergunta, arqueando as sobrancelhas e olhando dentro de seus olhos, respondi: 

 Amor é para tolos e fracos! 

Notei uma sombra de tristeza pairando sobre ele assim que pronunciei tais palavras. Era como se eu estivesse apunhalado seu coração. 

 Você só pode estar brincando ao dizer isso!  ele ainda ansiava por outra resposta. 

 Você perguntou e fui sincera ao responder... 

E lá estávamos nós, ambos nos fitando com compaixão, como sempre fazíamos. Eu sentia como se ele tivesse algo muito importante a dizer, porém continuou me encarando confusamente, em silêncio contínuo e com compaixão.  

 Fique aqui!  levantou-se e foi em direção da pista de dança. 

Obedeci apenas seguindo-o com o olhar, enquanto caminhava em direção à antiga e linda jukebox que ficava no canto do salão. Uma música de gosto duvidoso estava tocando ao fundo, fazendo com que todos no ambiente ficassem entediados. Ele conferiu o repertório musical que a máquina tinha a oferecer e instantes depois apertou dois botões, dando vida ao local com a linda trilha de  The Air That I Breathe  e em passos contidos e firmes voltou-se em minha direção, pegou em minha mão levantando-me da cadeira, e guiou-me até o centro da pequena pista de dança. 

Eu notei que todos os olhares pairavam sobre nós. Em especial  os de Júlia  que nos fitava com ódio. Porém, todos os olhares esvaeceram-se no ar deixando-nos na companhia apenas de nossa presença. Era como se estivéssemos a sós ao som daquela linda canção. E por algum tempo, que não sei quanto exatamente... Ficamos face a face, podendo assim sentir o ressoar de nossos corações. 

 The Hollies! Excelente escolha.  falei. 

Ele ainda segurava meu braço quando, repentinamente, puxou-me para junto de seu corpo, nos deixando tão próximos como nunca estivemos antes. Logo, entrelaçou um de seus braços em minha cintura e nos embalamos em uma entorpecente dança. Ele tocou minha face carinhosamente e seguiu sua mão em direção de meu pescoço. Era como se um anjo estivesse me tocando. Eu estava literalmente no céu! E notei que ele também se sentia assim. E sem hesitar, transpassei meus braços em seu pescoço, deixando-nos ainda mais próximos e fazendo com que nossos corpos se conhecessem de outra forma. Pude sentir seu desejo, bem acima de minha barriga. Ainda embalados pela linda canção, nossos lábios se encontraram encaixando-se perfeitamente. Beijou-me lentamente, degustando cada milímetro de minha boca e minhas pernas bambeavam ao ser beijada daquela maneira, com tanta intensidade. Eu estava prestes a desfalecer em seus braços. Nossos corpos responderam àquele desejo, que por sinal, era novidade pra mim. Eu nunca havia sentido algo como aquilo. Aquele beijo mudou minha vida. Tudo girou ao meu redor e eu senti como se estivesse flutuando sobre as nuvens. 

 O que aconteceu... Você não gostou?  perguntou assim que me afastei. 

 Me deixe em paz!  falei encarando-o confusamente. 

Atônita com tudo que acabara de acontecer... Notei que todos nos encaravam com espanto. Júlia, por sua vez, deixou transparecer ódio e dor em seu semblante. 

 Aonde você pensa que vai?  perguntou segurando um de meus braços. 

Ainda confusa, respondi: 

 Solte-me Maxwell! Eu odeio você. 

Assim que terminei de declamar meu ódio momentâneo, antes mesmo de sair em disparada para rua, pude perceber seu semblante preocupado e apavorado. Eu estava transtornada, feito uma louca, correndo pelas ruas sem ao menos conhecer direito por onde caminhava. Como ele pôde fazer aquilo comigo? Por que eu me senti daquela maneira? Seria amor? Indaguei-me aos prantos. 

Aquele era um pranto diferente. Um misto de alegria e medo. Alegria por sentir algo formidável pela pessoa que eu mais estimava no mundo... E medo, por começar a acreditar em tudo aquilo em que eu era cética  o Amor. 

(Livro: Entre o Céu e o Inferno  Cap.14)



P.S: Vídeo editado por Simone Pesci

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